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Crédito: Reprodução da Internet
Quando o mundo moderno ouve falar de um homem que passou 37 anos no topo de uma coluna, a reação imediata costuma ser incredulidade ou zombaria. Mas para a Igreja, especialmente à luz da Tradição e da vida dos santos, esse feito não é loucura, mas uma expressão sublime da loucura da cruz (1Cor 1,18). São Simeão Estilita, cuja vida ascética levou ao extremo a prática da penitência e da contemplação, não é apenas um personagem exótico do deserto sírio, mas uma das colunas (literalmente) da espiritualidade monástica e da radicalidade evangélica. Sua vida, incomum para os padrões humanos, revela-se absolutamente coerente com o chamado de Nosso Senhor: “Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24).
São Simeão nasceu por volta do ano 390 d.C., na Cilícia, região da atual Turquia. O cristianismo já havia sido legalizado e o Concílio de Niceia (325) consolidara a ortodoxia contra as heresias arianas. No entanto, enquanto a fé se expandia, também crescia o risco de uma religiosidade mundanizada. Em resposta, surgiram os Padres do Deserto — homens e mulheres que fugiam do mundo não por desprezo às criaturas, mas por um desejo ardente de unir-se exclusivamente ao Criador.
A vida monástica começava a se consolidar, especialmente no Oriente, sob figuras como Santo Antão e São Pacômio. É nesse clima de fervor e penitência que Simeão abraça a vida eremítica, mas rapidamente se destaca pela intensidade de sua austeridade.
Após um tempo vivendo em um mosteiro, onde já se destacava por práticas ascéticas severíssimas (como jejuar durante toda a Quaresma sem comer nem beber), Simeão sentiu o chamado a uma forma de vida ainda mais radical. Com permissão do bispo e do seu diretor espiritual, ele ergueu uma coluna de cerca de 3 metros de altura nos arredores de Alepo, na Síria, e começou a viver sobre ela. Com o tempo, essa coluna foi substituída por outra mais alta, e assim sucessivamente, até que viveu por décadas numa de 15 metros de altura.
Seu objetivo não era chamar atenção (embora, inevitavelmente, isso tenha acontecido), mas manter-se afastado das distrações do mundo, entregando-se integralmente à oração, penitência e contemplação. A palavra “estilita” vem do grego stylos, que significa “coluna”. E foi sobre esse “pilar”, ao mesmo tempo físico e espiritual, que Simeão edificou sua santidade.
A coluna de São Simeão não era larga — apenas o suficiente para que ele se sentasse ou inclinasse para dormir ligeiramente. Não tinha cobertura, o que significa que ele estava exposto ao sol, à chuva, ao vento e ao frio. E ali permaneceu por 37 anos.
Seu dia era marcado por orações contínuas, leitura das Sagradas Escrituras (que sabia de cor), penitência corporal e, especialmente, intercessão pelo povo. Como sacerdote, celebrava a Liturgia e comungava com a ajuda de monges que lhe levavam os elementos. Alimentava-se com parca quantidade de pão e água, também levados por monges através de uma escada ou corda. Mas o essencial da sua nutrição era a graça.
Contra o que pode parecer à primeira vista, Simeão não era um eremita indiferente ao mundo. Muito pelo contrário. De sua coluna, aconselhava, ensinava e corrigia. Muitos vinham buscar orientação — desde camponeses simples até imperadores, como Teodósio II e Leão I. Seu exemplo e sabedoria exerciam um poder magnético. Ele repreendia heresias, chamava os pecadores à conversão, curava enfermos e exorcizava possessos — sempre apontando para Cristo como único Salvador.
O título “Estilita” vem do grego “stylos”, que significa literalmente “coluna”. Ou seja, São Simeão Estilita significa literalmente “São Simeão da Coluna”.
Esse nome não foi um apelido dado depois por cronistas. Foi um reconhecimento direto e imediato da sua forma de vida radical: ele viveu 37 anos em cima de uma coluna, praticando oração contínua, penitência e oferecendo seu sofrimento como intercessão.
O testemunho de São Simeão é profundamente cristocêntrico e absolutamente ortodoxo. Sua vida está inteiramente de acordo com o ensinamento da Igreja sobre a ascese, a mortificação e a imitação de Cristo. O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a penitência interior é uma reorientação radical de toda a vida, um retorno, uma conversão a Deus de todo o coração” (CIC §1431). Isso é precisamente o que São Simeão viveu com veemência.
Além disso, sua vida ilustra a verdade do ensinamento de São Paulo: “Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; e se morremos, é para o Senhor que morremos” (Rm 14,8). Cada instante de sofrimento vivido por amor a Cristo é fecundo para a salvação das almas. A tradição sempre reconheceu nos grandes penitentes uma força mística que sustenta e edifica a Igreja. São João Paulo II dizia que “a oração e o sofrimento dos santos são mais eficazes para a Igreja do que muitas obras visíveis”.
São Simeão morreu em 459 d.C., ainda sobre a coluna. Monges que o assistiam perceberam que ele havia passado um tempo incomum sem se mover ou responder. Ao subir até ele, encontraram-no em posição de oração, já entregue à glória. Foi sepultado com grande veneração, e logo seu culto se espalhou por todo o Oriente e também no Ocidente.
O local onde viveu se tornou um santuário, e ainda hoje as ruínas da coluna e da igreja construída em sua homenagem podem ser visitadas na Síria, próximo à atual Alepo — um testemunho silencioso da santidade que se ergue do chão para o céu.
O impacto da vida de São Simeão foi tão grande que surgiram outros santos estilitas: São Daniel Estilita, São Lucas Estilita e outros, especialmente no Oriente. Embora a prática tenha desaparecido com o tempo, a espiritualidade do desapego radical, da penitência extrema e da vida totalmente centrada em Deus permanece como herança viva da Igreja.
A vida de São Simeão não deve ser tomada como modelo literal para todos — seria uma temeridade e uma imprudência querer imitá-lo sem discernimento e vocação. No entanto, o espírito que animou sua vida é essencial para qualquer cristão sério: um amor abrasador por Cristo, um desprezo pelas vaidades do mundo e uma disposição firme de se oferecer como sacrifício vivo (cf. Rm 12,1).
São Simeão Estilita escandalizou os homens de seu tempo e continua a escandalizar os de hoje — mas só porque o mundo já não entende o valor da renúncia, do sacrifício, da entrega total. Ele foi uma coluna não só no deserto da Síria, mas no edifício da Igreja: sustentando-a com sua oração, inspirando os fiéis com seu exemplo e elevando corações ao Céu com sua vida. Ele nos lembra que a santidade não tem limites, que a cruz é sempre atual e que o amor a Deus pode — e deve — ser levado até as últimas consequências.
Que São Simeão Estilita rogue por nós, para que, mesmo sem colunas físicas, sejamos colunas vivas na fé, sustentando a Igreja com orações, sacrifícios e fidelidade a Cristo.