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Crédito: Reprodução da Internet
Nascido em 25 de maio de 1887, na pequena Pietrelcina, Itália, Francesco Forgione — mais conhecido como São Padre Pio de Pietrelcina — é uma das figuras mais intrigantes e veneradas do catolicismo moderno. Sacerdote da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, viveu uma vida de oração intensa, penitência e dedicação absoluta ao confessionário, onde passava até 15 horas por dia. Morreu em 23 de setembro de 1968, deixando um legado espiritual marcado por estigmas visíveis, curas milagrosas, discernimento de consciências e, entre outros dons místicos, o fenômeno da bilocação.
A Igreja, com sua prudência habitual, examina os dons extraordinários com rigor, conforme ensina o Catecismo: “Os carismas são graças do Espírito Santo que têm, direta ou indiretamente, uma utilidade eclesial; ordenam-se à edificação da Igreja, ao bem dos homens e às necessidades do mundo” (CIC 799). Quanto aos dons mais extraordinários — como a levitação, o êxtase e a bilocação —, a Igreja nunca os apresenta como fins em si mesmos, mas como possíveis sinais da ação sobrenatural, cujo discernimento deve ser cauteloso e bem fundamentado. Não se canoniza um santo por milagres, mas pela virtude heroica. Ainda assim, quando há abundantes testemunhos e confirmação eclesial, é dever da tradição cristã reconhecer com humildade aquilo que Deus possa ter querido operar.
A bilocação, especificamente, é definida como a capacidade sobrenatural de estar presente, ao mesmo tempo, em dois lugares distintos. É algo que escapa por completo à lógica física e humana, mas foi atestada na vida de vários santos ao longo dos séculos — entre eles Santo Afonso de Ligório, São Francisco Xavier, e, com particular abundância de registros, São Padre Pio.
Um dos casos mais conhecidos e documentados de bilocação envolvendo Padre Pio ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial. Um piloto americano, o major Louis Zampa, testemunhou que, ao voar com seu esquadrão sobre a Itália, recebeu ordens de bombardear a região de San Giovanni Rotondo. Quando se aproximavam do alvo, todos os pilotos relataram ter visto nos céus um frade capuchinho com as mãos erguidas. Imediatamente, os controles da aeronave ficaram inoperantes, como que travados. As bombas não foram lançadas. O avião retornou à base.
Sem entender o que ocorrera, alguns dos militares, posteriormente, foram ao convento de San Giovanni Rotondo. Ao verem Padre Pio, ficaram chocados: “Era ele! O homem no céu era ele!”, exclamaram. O episódio foi registrado em cartas e depoimentos, inclusive pelo General Bernardo Rosini, que confirmou que o fenômeno afetou diversas aeronaves, e não apenas uma. O próprio Padre Pio, interrogado discretamente por confrades, teria dito com simplicidade: “Ah… eu só impedi que destruíssem o convento.”
Outro caso relevante vem do período da perseguição comunista na Hungria. O Cardeal József Mindszenty, ferozmente perseguido e preso pelos comunistas por sua fidelidade à Igreja e resistência ao regime, contou que em certo momento de sua prisão, quando se sentia à beira do desespero, recebeu a visita de um frade capuchinho. O religioso confortou-o, rezou com ele, e desapareceu misteriosamente.
Anos depois, ao ver uma foto de Padre Pio, o cardeal reconheceu imediatamente: “Foi ele quem esteve comigo na prisão.”
A história chegou a ser comentada por diversos clérigos próximos de Padre Pio, e se alinha com outros episódios em que o santo capuchinho, de sua cela ou do coro do convento, aparecia subitamente em locais distantes para socorrer almas em perigo físico ou espiritual.
Em outra ocasião, relatada pelo Pe. Alberto D’Apolito, soldado italiano ferido na África clamou em oração: “Padre Pio, me salve!” Não sabia se ele o ouviria, mas no momento seguinte viu um frade capuchinho ao seu lado. Este cuidou dos ferimentos, encorajou-o e desapareceu.
Anos depois, o soldado, em peregrinação a San Giovanni Rotondo, reconheceu o frade que o salvara. Ao contar o episódio, Padre Pio teria dito: “Você acha que foi você que me chamou? Não. Foi tua mãe. Sua oração atravessou o céu.”
O caso está documentado nos relatos biográficos autorizados e em testemunhos escritos sob juramento.
Um dos relatos mais antigos — e também mais humildes — foi feito por uma freira beneditina do norte da Itália. Ela havia adoecido gravemente e estava prestes a morrer, quando viu um frade capuchinho que lhe deu a unção dos enfermos e a tranquilizou, dizendo: “Confie em Deus. Você vai se recuperar.” De fato, recuperou-se.
Sem saber quem fora o misterioso visitante, mais tarde, vendo uma fotografia de Padre Pio, disse com absoluta certeza: “Foi ele.” O detalhe? Nunca havia ouvido falar dele antes. O caso foi posteriormente informado ao convento em San Giovanni Rotondo, onde diversos registros semelhantes já estavam arquivados.
Os episódios de bilocação de Padre Pio não são invenções místicas criadas para impressionar. Foram colhidos com seriedade, muitos deles sob juramento, alguns durante processos canônicos, outros atestados por figuras de autoridade, como oficiais militares e eclesiásticos. Mas acima do espetáculo do inexplicável, o que esses episódios revelam é o desejo de Deus de intervir na história humana por meio de seus santos — não para exibições vazias, mas para salvar almas, consolar os sofridos, impedir tragédias e recordar ao mundo que o céu é real.
Como ensinava São Paulo: “A manifestação do Espírito é concedida a cada um para utilidade comum” (1Cor 12,7). Padre Pio, com sua vida inteira oferecida como vítima pela salvação das almas, recebeu dons extraordinários, mas jamais se vangloriou deles. Pelo contrário, dizia que “o maior milagre é uma alma convertida”.
A bilocação é, sim, um mistério. Mas, quando documentada e acolhida pela tradição viva da Igreja, torna-se sinal de que os santos — ainda que no claustro — podem estar onde Deus quiser que estejam.