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Crédito: Fair Use
Em um mundo que relativiza o sagrado, despreza a tradição e zomba dos mistérios, permanece, silenciosa e imperturbável, uma casa de pedra que desafia o tempo, a lógica humana e os que não creem. Esta casa — três paredes de pedra assentadas sobre a colina de Loreto, na Itália — não é uma relíquia qualquer. Trata-se, segundo a Tradição da Igreja, da verdadeira casa de Nossa Senhora, o lugar onde ocorreu o mistério mais tremendo e glorioso da história: a Encarnação do Verbo.
A tradição conservada pela Igreja afirma que a casa de Nossa Senhora em Nazaré era formada por uma gruta escavada na rocha (ainda existente sob a Basílica da Anunciação, em Israel) e por três paredes de pedra, que formavam a parte frontal da morada. Foi ali que a jovem Maria recebeu a visita do Arcanjo Gabriel e disse o “fiat” que mudou o rumo da história:
“Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.” (Lc 1,38)
Essa casa, então, foi o primeiro sacrário da história: ali o Verbo Se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14).
Com a queda definitiva da Terra Santa sob domínio muçulmano no final do século XIII, a casa corria sério risco de ser destruída. Eis que, em 1291, ocorreu o que a tradição e diversos relatos chamaram de milagre dos anjos: a casa de Maria foi transportada pelos céus, da Galileia até Tersatto, atual Croácia. Ali apareceu sem qualquer fundação, completamente intacta, confundindo os habitantes locais.
O sacerdote do vilarejo, gravemente enfermo, recebeu uma visão da Virgem Maria, que lhe revelou: “Esta é a minha casa, onde o Verbo se fez carne.” Milagrosamente curado, ele espalhou a notícia, e o local se tornou alvo de peregrinações.
Três anos depois, a casa desapareceu de Tersatto e reapareceu em Loreto, na Itália, em 1294. Após duas breves mudanças de local dentro da região, estabeleceu-se de forma definitiva no local atual.
Alguns historiadores modernos tentaram atribuir a translação a uma família bizantina chamada Angeli, cujo nome teria sido confundido com “anjos”. No entanto, as evidências científicas, arqueológicas e históricas dão um golpe fulminante nessa hipótese.
Pesquisas realizadas no século XX por especialistas em arqueologia bíblica e arquitetura antiga revelaram fatos surpreendentes:
Tais dados tornam a hipótese de transporte humano uma fábula muito mais improvável do que a própria tradição angélica.
O Papa Bento XV, em 1920, reconheceu oficialmente a tradição da translação milagrosa e proclamou Nossa Senhora de Loreto padroeira de todos os que viajam pelo ar, num decreto que alude claramente à ação dos anjos:
“Como outrora os anjos transportaram a Santa Casa da Virgem Maria, confiamos à sua intercessão celestial todos os que se elevam pelos ares.”
Durante visita em 1995, João Paulo II declarou:
“Esta Casa fala com singular eloquência do mistério da Encarnação. Aqui, Maria pronunciou seu ‘fiat’ eterno. Aqui, o Verbo Se fez carne. Este é, de fato, um dos lugares mais sagrados da cristandade.”
Em 2019, o Papa Francisco instituiu a memória obrigatória de Nossa Senhora de Loreto no calendário litúrgico da Igreja, celebrada todo 10 de dezembro, data da chegada definitiva da Casa em Loreto.
“A Santa Casa de Loreto é um santuário mariano particularmente importante, pois ali é venerado o mistério da Encarnação.”
(Congregação para o Culto Divino, 7 de outubro de 2019)
“Nesta Casa, o Céu beijou a Terra. Se não bastasse a fé na Encarnação, aqui ela se faz palpável aos olhos.”
“Fiquei profundamente comovida ao ver as paredes onde o Verbo se fez carne… Rezei ali com o coração cheio de gratidão e esperança.”
O santo levitador, franciscano extático, era devoto frequente da Santa Casa. Em diversas ocasiões foi visto literalmente voando dentro da Basílica de Loreto, em êxtase diante do mistério da Encarnação.
A história de Loreto está repleta de sinais da ação divina:
A Santa Casa de Loreto não é um museu, mas um santuário vivo. Ela nos ensina que:
Num mundo que destrói famílias, ignora a virgindade, e reduz a mulher à vulgaridade, a Casa de Maria reaparece como um grito contra a modernidade decadente.
A Santa Casa de Nossa Senhora é um testemunho monumental da Encarnação, da fé e do amor de Deus pela humanidade. Não se trata de lenda piedosa, mas de um sinal vivo, confirmado pela Tradição, pela ciência e pela graça, de que Maria é Mãe, e sua casa — humilde e escondida — é agora refúgio dos pecadores, esperança dos aflitos, berço da salvação.
Em Loreto, o Céu tocou a Terra. E continua tocando.