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Crédito: Reprodução da Internet
A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é uma das expressões mais sublimes do amor de Deus revelado ao mundo por meio do coração humano-divino de Cristo. Enraizada na Sagrada Escritura, desenvolvida ao longo dos séculos pela Tradição e confirmada pelo Magistério da Igreja, essa devoção é um convite a contemplar o mistério insondável do amor redentor de Jesus Cristo, que se entregou por nós na cruz.
A base escriturística da devoção ao Coração de Jesus encontra-se, especialmente, no Evangelho segundo São João. Ao narrar a paixão do Senhor, o evangelista destaca que, já morto, Jesus teve o lado aberto por uma lança, “e imediatamente saiu sangue e água” (Jo 19,34). Os Padres da Igreja, como Santo Agostinho e São João Crisóstomo, interpretaram este gesto como símbolo dos sacramentos que brotam do lado transpassado de Cristo – a Eucaristia e o Batismo –, e também como revelação do amor profundo de Jesus por cada alma.
Embora essa sensibilidade ao Coração de Cristo sempre tenha feito parte do tesouro espiritual da Igreja, foi no século XVII, com as revelações de Nosso Senhor a Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690), religiosa da Ordem da Visitação, em Paray-le-Monial, na França, que a devoção tomou forma pública e estruturada. Entre 1673 e 1675, Jesus apareceu diversas vezes a Santa Margarida Maria, revelando-lhe as riquezas de Seu Coração e pedindo a propagação de uma devoção reparadora.
Em uma dessas aparições, o Senhor mostrou-lhe Seu Coração cercado de espinhos, coroado de chamas, encimado por uma cruz e sangrando, dizendo:
“Eis o Coração que tanto amou os homens e nada poupou até se esgotar e se consumir para testemunhar-lhes seu amor. Em troca, não recebo da maior parte senão ingratidões, por suas irreverências e sacrilégios, e pelas friezas e desprezos que têm por Mim neste sacramento de amor [a Eucaristia]”.
A devoção ao Sagrado Coração é, em essência, uma devoção ao próprio Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, cuja humanidade é inseparável de Sua divindade. O coração, na antropologia bíblica, é o centro da pessoa, sede da vontade, da memória, do entendimento e dos afetos. Honrar o Coração de Jesus é, portanto, honrar o centro do Seu amor redentor, o mistério do Verbo Encarnado que se entregou por nós em oblação perfeita.
O Papa Pio XII, na encíclica Haurietis Aquas (1956), declarou que a devoção ao Sagrado Coração “é o compêndio de toda a religião cristã” porque leva ao conhecimento do amor de Deus revelado em Cristo. Ela está intrinsecamente unida à adoração da Eucaristia e à reparação dos pecados cometidos contra esse amor.
A iconografia do Sagrado Coração é rica em significados:
Cada elemento da imagem convida o fiel à contemplação do amor de Deus e à reparação pelas ofensas cometidas contra Ele.
Uma das práticas ligadas à devoção ao Sagrado Coração é a comunhão reparadora nas nove primeiras sextas-feiras consecutivas do mês, como Jesus pediu a Santa Margarida Maria. O Senhor prometeu graças especiais àqueles que cumprirem esta devoção com fé, arrependimento e amor.
As promessas do Sagrado Coração para quem cumprir essa devoção incluem:
A condição essencial para a devoção é estar em estado de graça (confessado), comungar em espírito de reparação e oferecer as intenções ao Coração de Jesus.
A entronização do Sagrado Coração de Jesus no lar é um ato solene e público pelo qual uma família reconhece Cristo como seu Rei, Senhor e Amigo. Foi promovida especialmente por Pe. Mateo Crawley-Boevey, sacerdote dos Sagrados Corações, no início do século XX. Esse ato é uma extensão do reinado de Cristo sobre as famílias e tem a aprovação de diversos papas.
Na entronização, uma imagem ou estampa do Sagrado Coração é colocada em lugar de honra no lar, acompanhada por orações, consagrações e, se possível, bênção de um sacerdote. Trata-se de um compromisso dos membros da casa de viverem segundo os mandamentos de Deus e em união com a Igreja.
A entronização transforma o lar em um “santuário doméstico”, onde Jesus é o centro, sendo amado, reparado e servido. Costuma-se, também, consagrar a família ao Imaculado Coração de Maria, formando uma “aliança de dois Corações”.
A Solenidade do Sagrado Coração de Jesus é celebrada na sexta-feira após a oitava de Corpus Christi, ou seja, 19 dias após Pentecostes. É uma das maiores festas do calendário litúrgico e, sob decreto do Papa Pio IX, foi estendida a toda a Igreja em 1856.
A espiritualidade do Coração de Jesus é marcada por:
Essa espiritualidade está na base de grandes obras católicas: desde ordens religiosas, até apostolados leigos e movimentos de consagração.
Mesmo diante do secularismo moderno, a devoção ao Sagrado Coração continua sendo um farol que aponta para a centralidade de Cristo e da Eucaristia. O Papa Bento XVI afirmou que “na adoração ao Sagrado Coração, a oração adquire um caráter de reparação”, tornando-se “uma resposta ao amor que sofre por ser esquecido”.
Hoje, mais do que nunca, é urgente retornar ao Coração de Jesus, permitindo que Ele reine nas almas, nas famílias, nas nações e na própria Igreja.