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Crédito: Vatican Media Divisione Foto
Compostos por homens de fé, sabedoria e serviço, os cardeais são responsáveis por uma das decisões mais impactantes do mundo cristão — a eleição de um novo papa. Este processo solene, carregado de tradição e rigor, chama-se Conclave. Mas quem são esses homens, como vivem, o que fazem e como se desenrola essa eleição?
Os cardeais são os principais conselheiros do papa e os mais altos dignitários da Igreja depois dele. São nomeados pessoalmente pelo pontífice e pertencem ao Colégio dos Cardeais. Sua função mais notória é eleger o novo papa em caso de vacância da Sé de Pedro, mas também o auxiliam na administração da Igreja, sobretudo no governo da Cúria Romana.
O Colégio está dividido em três ordens, cada uma com funções e precedências específicas:
Embora o número total de cardeais varie com o tempo — conforme mortes, nomeações e renúncias —, apenas uma parte deles tem o direito de participar do Conclave: são os cardeais eleitores, ou seja, aqueles com menos de 80 anos de idade na data da vacância da Sé Apostólica.
O número máximo de cardeais eleitores é de 120, conforme estabelecido pelo Papa São Paulo VI e confirmado por São João Paulo II. Aqueles que ultrapassaram a idade limite continuam cardeais, mas não votam — embora possam participar das discussões pré-conclave chamadas de Congregações Gerais.
Neste ano, apesar do número de cardeais eleitores ser 135 (porém apenas 133 participarão da votação), foi decidido que todos eles devem votar.
O Conclave — do latim cum clave, “com chave” — é a assembleia fechada dos cardeais eleitores que se reúnem para escolher o novo Sumo Pontífice. Seu formato atual foi consolidado no século XIII pelo Papa Gregório X, no Concílio de Lião (1274), e suas regras são reguladas hoje principalmente pela constituição apostólica Universi Dominici Gregis, de São João Paulo II.
O Conclave deve iniciar-se no máximo 20 dias após a vacância do trono pontifício, e ocorre na Capela Sistina, no Palácio Apostólico. Durante todo o período da eleição, os cardeais ficam isolados do mundo exterior, proibidos de acessar celulares, rádio, internet ou qualquer tipo de comunicação. Antes das votações, fazem um juramento de sigilo absoluto.
Cada dia contempla duas votações pela manhã e duas à tarde, até que se alcance os dois terços dos votos necessários para a eleição válida. Caso isso não ocorra, o processo continua indefinidamente até que se obtenha o número exigido.
Quando um cardeal recebe dois terços dos votos, é-lhe feita a solene pergunta:
“Aceitas tua eleição canônica para Sumo Pontífice?”
Se ele responde afirmativamente, é questionado:
“Que nome escolheste para ti?”
O novo papa retira-se para a Sala das Lágrimas, onde veste a batina branca. Pouco depois, é conduzido à loggia central da Basílica de São Pedro, onde o cardeal protodiácono proclama ao mundo a histórica frase:
“Annuntio vobis gaudium magnum: Habemus Papam!”
Os cardeais eleitores se hospedam na Casa Santa Marta, uma residência dentro do Vaticano, construída durante o pontificado de João Paulo II. De lá, são conduzidos diariamente até a Capela Sistina, sob vigilância, sem acesso a qualquer forma de comunicação externa.
Tecnicamente, qualquer homem batizado pode ser eleito papa. Mas, na prática, desde 1378, todos os pontífices têm sido cardeais. Durante o Conclave, busca-se um homem de:
O Conclave é uma expressão poderosa do mistério e da tradição da Igreja Católica. Nele, homens de diferentes nações, línguas e culturas se recolhem em oração e discernimento para, com a ajuda do Espírito Santo, escolher o sucessor de Pedro. É um momento de profunda comunhão e responsabilidade, que transcende as paredes do Vaticano e ecoa no coração de mais de um bilhão de católicos no mundo.