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Crédito: Vatican Media
Entre os dias 2 e 3 de agosto de 2025, Tor Vergata, uma vasta planície nos arredores de Roma, se converteu em um grande santuário a céu aberto. Mais de um milhão de jovens, vindos de 146 países, acamparam para viver o Jubileu dos Jovens, um dos momentos mais esperados do Ano Santo proclamado pelo Papa Leão XIV. O encontro reuniu oração, catequese, momentos de confissão, vigília, música e testemunhos, criando um ambiente onde a fé e a alegria se entrelaçaram de forma visível. A presença de tantas nações deu ao evento um caráter verdadeiramente católico, no sentido pleno da palavra: universal, aberto e missionário.
O Jubileu dos Jovens, inspirado no Grande Jubileu do ano 2000, também celebrado em Tor Vergata sob São João Paulo II, busca reforçar o sentido de peregrinação espiritual da juventude. Não é um evento isolado, mas parte de um itinerário que convida cada jovem a redescobrir a centralidade de Cristo na própria vida e a assumir o papel de protagonista na missão evangelizadora da Igreja.
Na manhã deste domingo, 3 de agosto, o Papa Leão XIV chegou por helicóptero e percorreu o campo em papamóvel, acenando e cumprimentando os peregrinos que passaram a noite no local. Muitos cantavam, outros choravam de emoção, enquanto centenas agitavam bandeiras de seus países. O calor romano, com temperaturas acima de 30 °C, não diminuiu o entusiasmo. Pelo contrário, a energia e o carinho transmitiam a certeza de que aquele encontro permaneceria marcado na memória e no coração de todos.

A missa de encerramento foi o ponto alto do evento. Inspirando-se no Evangelho dos discípulos de Emaús, o Santo Padre falou sobre a experiência do encontro com Cristo vivo, capaz de reacender a esperança e dar novo sentido à vida. Ele convidou os jovens a reconhecerem Jesus no “partir do pão” e a viverem a Eucaristia como fonte e ápice da vida cristã.
Meditando sobre o livro do Eclesiastes, o Papa destacou que “a fragilidade […] faz parte da maravilha da criação”. Com imagens vivas, comparou a existência humana ao campo florido:
“Pensem no símbolo da relva: não é belo um campo de flores? … ainda assim, essas flores são imediatamente substituídas por outras que brotam depois, nutridas pelas primeiras quando caem… assim o campo vive, renovando-se constantemente.”
O pontífice advertiu sobre os riscos de buscar falsas seguranças e contentar-se com superficialidades:
“Não nos deixemos enganar pelos nossos corações, tentando saciá-los com imitações baratas! […] Tornemos essa sede num degrau, como crianças que ficam na ponta dos pés para espiar por uma janela de encontro com Deus.”
E concluiu com uma exortação direta e desafiadora:
“Aspirai a coisas grandes, à santidade, onde quer que estejais. Não vos conformeis com menos.”
No momento da oração universal, Leão XIV dirigiu palavras de solidariedade aos jovens de regiões marcadas pela guerra, como Gaza e Ucrânia. Falando de forma inclusiva e encorajadora, disse que “vocês são o sinal de que um mundo diferente é possível” e reforçou que a verdadeira paz nasce da conversão do coração, não das armas.
O Papa recordou as palavras de São João Paulo II, que em 2000 dissera aos jovens para não terem medo de entregar a vida a Cristo:
“Jesus é nossa esperança […] Ele é quem, como disse São João Paulo II, estimula em vocês o desejo de fazer algo grande com suas vidas […] tornando o mundo mais humano e fraterno.”
Com esse apelo, Leão XIV enviou os jovens de volta aos seus países como missionários da alegria e da fé:
“Continuem caminhando alegremente nos passos do Salvador, e espalhem seu entusiasmo e o testemunho da sua fé a todos que encontrarem!”
Tor Vergata não é apenas um espaço geográfico. É um lugar que carrega memória espiritual. Foi ali que, no encerramento da Jornada Mundial da Juventude do ano 2000, São João Paulo II pronunciou as célebres palavras “Não tenhais medo de ser santos!”, diante de dois milhões de jovens. Voltar a esse local em 2025 reforça a continuidade da missão da Igreja junto às novas gerações.
A escolha também remete ao simbolismo bíblico do “monte” ou “campo aberto” como lugar de revelação e envio. Tal como Jesus reunia multidões para pregar, a Igreja continua a reunir seus filhos para fortalecer-lhes a fé e enviá-los ao mundo.
Ao término da missa, Leão XIV anunciou a próxima etapa dessa caminhada: a Jornada Mundial da Juventude 2027, que será realizada em Seul, na Coreia do Sul, de 3 a 8 de agosto. O anúncio foi recebido com aplausos e cânticos, demonstrando que a chama acesa em Roma seguirá viva até a Ásia.
O Papa descreveu essa passagem como “um peregrinar da esperança”, convidando cada jovem a manter-se fiel à graça recebida e a testemunhar Cristo com coragem. Para ele, a missão não se encerra em Tor Vergata: ela começa ali, e deve se estender até os lugares mais distantes, alcançando todos os que ainda não ouviram a Boa Nova.
O Jubileu dos Jovens de 2025 foi mais que um grande evento. Foi uma verdadeira convocação espiritual, onde a liturgia, a oração e o encontro humano se uniram num só propósito: formar jovens discípulos missionários. Em meio às dificuldades do mundo atual, Leão XIV mostrou que a Igreja confia na juventude e a envia como sinal vivo de que o Evangelho continua a transformar corações.