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Crédito: Vatican News
No dia 13 de maio de 1981, a Praça de São Pedro testemunhou um atentado que marcaria não só a vida de São João Paulo II, mas a história contemporânea da Igreja. Enquanto saudava a multidão, o Santo Padre foi atingido por três disparos de arma de fogo, desferidos pelo turco Mehmet Ali Ağca, membro do grupo terrorista marxista “Lobos Cinzentos”. Gravemente ferido, o Papa foi levado de emergência ao hospital. Durante sete horas de cirurgia, o mundo inteiro rezava.
Porém, o Papa sobreviveu. E ele mesmo atribuiu esse milagre a Nossa Senhora de Fátima:
“Foi uma mão que atirou, mas outra mão guiou a bala”,
declarou, ainda em recuperação.
Mas por que essa convicção tão profunda?
O atentado ocorreu no exato aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos, em 13 de maio de 1917, em Fátima, Portugal. Desde o início, João Paulo II viu nisso um sinal. Ele já era profundamente mariano — seu lema papal, Totus Tuus, inspirado no Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem de São Luís Maria Grignion de Montfort, expressava essa total consagração à Mãe de Deus.
Quando se deu conta da data, o Papa reconheceu que aquele fato o unia definitivamente à profecia de Fátima, especialmente ao conteúdo do Terceiro Segredo, que ainda não havia sido revelado publicamente.
Durante décadas, o conteúdo da terceira parte do Segredo de Fátima foi guardado no Vaticano. Somente em 26 de junho do ano 2000, durante o Grande Jubileu, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou oficialmente o conteúdo, com um comentário teológico assinado pelo Cardeal Joseph Ratzinger.
O texto da visão revelava:
“Vimos […] um Bispo vestido de Branco, tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre. Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subiam uma escabrosa montanha […] e o Santo Padre, antes de chegar ao cimo da montanha, atravessou uma grande cidade meio em ruínas […] e, de joelhos aos pés da grande Cruz, foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros.”
Embora a visão não tenha se concretizado literalmente (o Papa sobreviveu), ele mesmo interpretou que se tratava de um chamado à penitência, e que o sofrimento por ele vivido fazia parte do cumprimento da visão, como uma misericórdia concedida por Maria.
No documento oficial, Ratzinger explica:
“O anjo com a espada de fogo representa a ameaça do juízo que paira sobre o mundo. A visão mostra a necessidade de uma purificação da Igreja, e a resposta divina que passa pela oração e pela penitência.”
(Congregação para a Doutrina da Fé, “A Mensagem de Fátima”, 2000)
No ano seguinte ao atentado, em 13 de maio de 1982, o Papa fez uma peregrinação ao Santuário de Fátima. Lá, aos pés da Imagem de Nossa Senhora na Capelinha das Aparições, ajoelhou-se e consagrou novamente o mundo ao Imaculado Coração de Maria.
Durante essa visita, ele entregou a bala que o atingira, como um ato de gratidão. Essa bala foi posteriormente incrustada na coroa da imagem de Nossa Senhora de Fátima, em um ato que unia o sofrimento do pontífice à glória de Maria.
“Em tudo vejo um apelo maternal, uma advertência. Ela me protegeu. À sua intercessão materna atribuo a minha salvação.”
(São João Paulo II, homilia em Fátima, 13 de maio de 1982)
Atendendo ao pedido de Nossa Senhora nas aparições de Fátima — “Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração” —, João Paulo II promoveu, em 25 de março de 1984, uma solene Consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, na Praça de São Pedro, em união espiritual com todos os bispos do mundo.
Irmã Lúcia, a vidente de Fátima, confirmou mais tarde por carta que essa consagração foi aceita por Deus, e que ela cumpria o pedido de Nossa Senhora feito em 1917.
Após o atentado, o vínculo entre João Paulo II e Fátima tornou-se cada vez mais forte. O Papa visitou o santuário em três ocasiões:
Nessa última visita, diante de cerca de 700 mil fiéis, João Paulo II declarou:
“A mensagem de Fátima é mais atual hoje do que nunca.”
Ele compreendia que os sofrimentos da Igreja, os perigos que ameaçam a humanidade, e a luta contra o mal exigem oração, penitência, e confiança no Coração Imaculado de Maria. Seu pontificado foi, assim, uma grande resposta pastoral e profética ao apelo de Fátima.
O atentado de 13 de maio de 1981 não foi apenas um drama histórico; foi um evento teológico, um momento de revelação. Nossa Senhora de Fátima, que prometera em 1917: “Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará”, mostrou sua proteção visível ao Papa que mais a amou. João Paulo II foi poupado para cumprir sua missão: ser um pastor santo e sofredor, consagrado à Virgem, sinal de esperança em tempos sombrios.
A vida, o sangue e o sofrimento do Papa polonês tornaram-se, assim, parte viva da mensagem de Fátima — não como um capítulo encerrado, mas como um chamado atual à conversão, à oração e à consagração mariana. Ainda hoje, ressoa no coração da Igreja a lição deixada por ele:
“Em Fátima, Maria veio pedir a oração, a penitência, a conversão. E o seu apelo permanece urgente. Porque, com Maria, nada é impossível.”