USD 
USD
R$5,0317down
27 maio · FX SourceCurrencyRate 
CurrencyRate.Today
Check: 27 May 2026 08:55 UTC
Latest change: 27 May 2026 08:46 UTC
API: CurrencyRate
Disclaimers. This plugin or website cannot guarantee the accuracy of the exchange rates displayed. You should confirm current rates before making any transactions that could be affected by changes in the exchange rates.
You can install this WP plugin on your website from the WordPress official website: Exchange Rates🚀
sacramento da penitencia

Crédito: Reprodução da Internet

A prática da penitência nos domingos da Quaresma: Fazer ou não?

A penitência aos domingos da Quaresma, quando vivida com equilíbrio e amor a Cristo, pode ser expressão de uma fé madura. Contudo, não deve obscurecer a alegria própria do domingo, memorial da Ressurreição.

A Quaresma é um tempo litúrgico riquíssimo, marcado por um chamado à metanoia — à conversão do coração — por meio do jejum, da oração e da caridade. A prática da penitência, nesse contexto, é entendida como um exercício de participação na Paixão de Cristo. Mas permanece uma pergunta recorrente entre os fiéis mais atentos: é apropriado manter práticas penitenciais aos domingos da Quaresma, ou isso contraria a teologia litúrgica do Domingo como “Dia do Senhor“?

O Domingo: Dia do Senhor, Dia da Ressurreição

A centralidade do domingo na vida cristã é uma herança apostólica. Desde os primeiros tempos, os cristãos reuniam-se no primeiro dia da semana para celebrar a Eucaristia, memorial da Ressurreição do Senhor. São Justino Mártir, no século II, testemunha:

“No dia chamado domingo, todos se reúnem […] porque é o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, criou o mundo, e também o dia em que Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos” (Apologia, I, 67).

O Catecismo da Igreja Católica (n. 2174-2177) reforça que o domingo é “fundamento e núcleo de todo o ano litúrgico”, devendo ser vivido com alegria e abstendo-se de práticas que contradigam seu caráter festivo.

Quaresma: Caminho de Penitência e Esperança

A Quaresma se inspira, entre outros episódios bíblicos, nos quarenta dias de Cristo no deserto. Durante esse tempo, a Igreja propõe um caminho de purificação interior que nos prepara para os mistérios pascais. No entanto, os 40 dias são calculados excluindo-se os domingos, uma prática consolidada no Ocidente desde o século VII.

Como explica o Papa Bento XVI:

“O tempo da Quaresma é um caminho espiritual de quarenta dias que não inclui os domingos, pois esses são sempre a celebração da Páscoa semanal” (Audiência Geral, 1º de março de 2006).

Isso não significa que os domingos estejam “fora” da Quaresma, mas que neles a Igreja atenua o rigor penitencial, pois neles “não se pode jejuar, pois é o dia do Senhor” — como já advertia Tertuliano, no século III.

O Valor da Penitência Voluntária

Embora os domingos da Quaresma não imponham jejum ou abstinência obrigatória, a penitência pessoal, feita com discernimento e liberdade, é sempre válida e meritória. Santo Tomás de Aquino ensina:

“A penitência é uma virtude que inclina a alma a detestar o pecado cometido, com o propósito de reparar o dano causado, unindo-se à paixão de Cristo” (Suma Teológica, II-II, q. 84).

Portanto, manter pequenas renúncias aos domingos pode ser uma forma legítima de perseverança ascética, contanto que não contrarie a natureza festiva do dia, nem conduza ao rigorismo. Como ensina São Leão Magno:

“Mesmo durante os jejuns mais severos, o domingo conserva sempre sua dignidade de dia de alegria” (Sermão sobre a Quaresma, 40, PL 54, 259).

O Equilíbrio Litúrgico e Espiritual

A liturgia da Igreja é sábia em seu equilíbrio: orienta, mas não oprime; ensina, mas deixa espaço para o discernimento espiritual. O Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia (n. 126) afirma claramente:

“Embora os domingos pertençam ao tempo quaresmal, eles não têm um caráter propriamente penitencial, devendo conservar sempre sua nota de alegria pascal.”

Dessa forma, o fiel é livre para manter certas penitências nos domingos da Quaresma, como forma de fidelidade interior ao propósito assumido, mas sempre com humildade, sem transformá-las em regra para si ou para os outros.

A Quaresma é tempo de cruz, sim, mas sempre iluminada pela esperança pascal. Como nos lembra São João Paulo II:

“Não se pode separar a cruz da Ressurreição. Vivamos a penitência com os olhos fixos em Cristo glorificado, que venceu o pecado e a morte” (Mensagem para a Quaresma, 2001).

Compartilhe

Sobre o autor

Publicidade

mais notícias

Filme “Todas Elas em Uma” estreia nos cinemas em maio e leva aos palcos da tela uma poderosa experiência musical sobre o feminino, a vida e o amor. Entre os dias 11 e 12 de maio, o filme será exibido nos cinemas com distribuição da Kolbe Arte em parceria com a Oficina Viva Produções, em 10 salas espalhadas pelo Brasil.
Advento, o tempo em que a esperança toma forma e prepara o coração para a luz que vem
Um chamado renovado às graças que transformam e sustentam o coração cristão.
Os 14 auxiliadores revelam como o Céu se inclina para socorrer aqueles que permanecem fiéis
Santa Catarina de Alexandria — a mente que desarmou impérios e o coração que não traiu Cristo
Cristo Rei reina do alto da cruz e conduz o tempo até a plenitude da sua glória
Onde a música se faz oração, o coração encontra o caminho da santidade
A reencarnação não cabe onde Cristo salva de uma vez para sempre
Reparação é devolver amor a quem nunca deixou de amar
A firmeza de São Odão de Cluny recorda que a verdadeira reforma começa no interior
Santo Alberto Magno foi um sábio que fez da inteligência um ato de fé viva
O Batismo é um começo sobrenatural que redefine quem somos e para onde caminhamos