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A Santa Montanha, situada a aproximadamente 3 km do vilarejo de Vilas Boas no município de Guiricema, Minas Gerais, é um lugar de grande significado religioso. Este local se tornou conhecido pelas aparições de Nossa Senhora e, mais tarde, do Menino Jesus Celeste. O fenômeno teve início em 1966 e, desde então, a área se transformou em um ponto de peregrinação e devoção, atraindo fiéis de diversas partes do Brasil.
Tudo começou no dia 2 de fevereiro de 1966, quando quatro meninas — Geralda dos Reis Ferreira (9 anos), Maria Ferreira de Carvalho (9 anos), Geralda Clementina e sua prima — estavam brincando em uma área de Santa Montanha, onde hoje se encontra a Capela das Aparições. Durante essa brincadeira, as meninas avistaram uma mulher vestida com um manto de cores azul e marrom, com uma coroa brilhante e um terço nas mãos. Assustadas com a visão, elas correram para contar a Dona Levina Sérgio de Lima, mãe de duas delas, que sofria de uma doença crônica havia mais de 15 anos.
Ao chegar ao local das aparições, Dona Levina pediu a cura de sua enfermidade, e, no dia seguinte, foi surpreendida ao perceber que sua doença havia desaparecido de forma inexplicável. Esse milagre foi interpretado como uma intervenção divina.
Após esse evento, Dona Levina passou a ser considerada a mensageira de Nossa Senhora, a quem se dedicaria a rezar o terço e a pedir pela conversão dos pecadores. O caso rapidamente se espalhou, e muitas pessoas começaram a visitar Santa Montanha em busca de bênçãos e graças. O Padre Paulo Fada, responsável pela paróquia local, subiu à montanha para abençoar o local das aparições. Juntamente com os fiéis, ele erguia um cruzeiro de madeira, simbolizando a fé da comunidade. Em 19 de março de 1966, o Padre Galdino da Rocha Passos celebrou a primeira missa no local.
A devoção a Nossa Senhora foi crescendo com o tempo, e a área de Santa Montanha se tornou um ponto de peregrinação contínuo. Em 15 de maio de 1975, Nossa Senhora instruiu Dona Levina a buscar uma imagem do Menino Jesus Celeste. Essa imagem foi encontrada no Convento Santa Rosa, em Niterói (RJ), e, ao segurá-la, Dona Levina teve a sensação de que o Menino Jesus estava vivo. A partir desse momento, começaram a ocorrer aparições do Menino Jesus, especialmente após a missa das 10h aos domingos. O local, então, passou a ser visitado por fiéis que buscavam não apenas a intercessão de Nossa Senhora, mas também a do Menino Jesus.
Com o tempo, a comunidade religiosa em torno de Santa Montanha se fortaleceu. A construção da Capela das Aparições tornou-se um marco, sendo o centro das celebrações religiosas. A formação da comunidade local foi apoiada por diversos religiosos e leigos, que compartilharam da missão de oração e devoção. Esse movimento gerou uma profunda espiritualidade, com fiéis se reunindo regularmente para rezar e pedir bênçãos.
Embora o fenômeno tenha gerado grande impacto na região, a postura da Igreja Católica foi inicialmente cautelosa. O bispo de Juiz de Fora, à época, realizou uma investigação sobre as aparições, mas até hoje não há uma aprovação oficial e universal por parte da Igreja. Apesar disso, a Santa Montanha é amplamente reconhecida pela comunidade local como um lugar sagrado e de cura, onde as pessoas buscam a intercessão de Nossa Senhora e do Menino Jesus Celeste.
A Igreja orienta que a devoção praticada na Santa Montanha esteja alinhada com os princípios da doutrina católica, destacando a importância da oração, da conversão e da prática da fé. Embora a Igreja não tenha feito um reconhecimento formal das aparições, a espiritualidade que nasceu nesse local continua sendo uma forte tradição para os moradores e peregrinos.
Hoje, o local permanece um dos principais destinos de fé e oração para milhares de peregrinos que visitam ali em busca de curas e bênçãos espirituais. A Capela das Aparições continua a ser um ponto central para as celebrações religiosas e a devoção a Nossa Senhora Aparecida e ao Menino Jesus Celeste é cultivada por uma comunidade fiel, que mantém viva a história de fé iniciada em 1966.
A caminhada espiritual iniciada pelas supostas aparições na Santa Montanha ganhou um novo marco com a recente aprovação da comunidade religiosa das Irmãs da Santa Montanha, que aconteceu em junho de 2024. Reconhecida oficialmente pelo bispo diocesano, a comunidade agora conta com respaldo eclesiástico para dar continuidade ao seu trabalho de evangelização e vida contemplativa. A aprovação é vista por muitos devotos como um sinal de autenticidade do movimento nascido a partir das manifestações místicas atribuídas à Virgem Maria. Com um carisma voltado à oração, ao silêncio e à vivência radical do Evangelho, as irmãs vêm atraindo novas vocações e fortalecendo a devoção popular em torno da Santa Montanha.
Mesmo sem o reconhecimento oficial da Igreja, a história das aparições e a formação da comunidade religiosa têm se mantido vivas na memória coletiva dos fiéis. O local continua sendo um centro de peregrinação, especialmente para aqueles que buscam milagres ou uma experiência espiritual profunda.