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Crédito: Reprodução da Internet (Via: https://arquidiocesesorocaba.org.br/comentario-ao-evangelho-sao-jose-esposo-da-virgem-maria-patrono-da-igreja-19-03-2024/)
Embora esse período litúrgico seja marcado pela oração, jejum e penitência, a figura de São José surge como um farol de esperança, fidelidade e silêncio fecundo, refletindo o verdadeiro espírito quaresmal. É um dia de luz discreta em meio à sobriedade do caminho rumo à Páscoa.
São José, esposo da Santíssima Virgem Maria e pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo, é chamado nas Escrituras de “homem justo”, ou seja, ele era santo, obediente, cheio de fé e profundamente unido a Deus — mesmo no silêncio e na simplicidade da vida cotidiana. Ele é o exemplo do que significa viver a justiça como Deus a deseja: não uma letra fria da lei, mas uma resposta viva de amor, confiança e entrega. Escolhido por Deus para proteger e conduzir a Sagrada Família, José viveu sua missão com humildade, trabalho silencioso e fé inabalável. Sua vida é um verdadeiro espelho das virtudes que a Igreja propõe para o tempo quaresmal: confiança em Deus, obediência, desprendimento e silêncio orante.
Ao longo dos séculos, a Igreja aprofundou a devoção a São José, reconhecendo nele não apenas um modelo de pai e trabalhador, mas também um intercessor poderosíssimo. Ele foi proclamado Padroeiro da Igreja pelo Papa Pio IX, em 1870, e continua sendo um pilar espiritual para todos os cristãos que desejam viver sua vocação com fidelidade.
A tradição de celebrar São José em 19 de março é antiga e remonta ao século XV, especialmente difundida na Itália e depois estendida à Igreja universal. Essa data foi mantida mesmo quando coincide com a Quaresma, não como uma exceção desconectada do espírito quaresmal, mas como uma expressão da presença de Deus na vida comum e silenciosa dos justos.
Enquanto a Quaresma nos conduz por um caminho de purificação e conversão, a solenidade de São José nos recorda que a santidade floresce também no escondimento e na obediência cotidiana — virtudes vividas plenamente por ele no mistério da encarnação e nos anos silenciosos de Nazaré.
A Igreja, com sua sabedoria litúrgica, permite que a celebração de São José seja feita com plena solenidade, mesmo em meio à Quaresma. Isso inclui o uso do Glória na missa, que normalmente é omitido nesse tempo. Quando o dia 19 de março cai numa sexta-feira, os fiéis podem, segundo a orientação dos bispos, ser dispensados da abstinência de carne, pois a festa supera o caráter penitencial desse dia.
Essa exceção, longe de contrariar o espírito quaresmal, o aprofunda: mostra que, mesmo na caminhada de penitência, Deus nos visita com sinais de alegria e esperança, como São José, que silenciosamente cooperou com o mistério da Redenção.
Celebrar São José durante a Quaresma é, em certo sentido, celebrar a própria essência deste tempo: um caminho interior de escuta, abandono à vontade divina e preparação para a Ressurreição. José viveu toda a sua missão com o coração voltado para Deus, sem buscar protagonismo, mas permitindo que Cristo crescesse. Ele nos ensina que os maiores frutos espirituais nascem no silêncio, na obediência e no trabalho escondido.
Neste tempo santo, São José é modelo e intercessor. Com ele, aprendemos a caminhar com confiança, mesmo sem compreender plenamente os desígnios divinos. Ele mostra que a santidade se alcança não por grandes feitos exteriores, mas por uma vida interior profundamente unida a Deus.