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Crédito: Reprodução da Internet
Em muitos ambientes católicos, especialmente após o Concílio Vaticano II, a Missa passou a ser compreendida principalmente como um “encontro comunitário” com Jesus. Embora essa dimensão seja verdadeira e importante, há um aspecto essencial e muitas vezes negligenciado que sustenta a celebração eucarística: a Missa é, por excelência, o Sacrifício de Cristo tornado presente de forma incruenta, isto é, sem derramamento de sangue, mas real e eficaz.
Desde os tempos apostólicos, a Igreja tem celebrado a Eucaristia como o memorial do sacrifício de Cristo. No entanto, o termo “memorial” (zikkarôn, em hebraico) tem um sentido muito mais profundo do que simplesmente lembrar de algo passado. Para os judeus — e, por extensão, para a tradição cristã — fazer memória é tornar presente um acontecimento salvífico. Assim, a Missa não é apenas um símbolo ou lembrança do Calvário: é a atualização real e misteriosa do mesmo sacrifício de Jesus na Cruz.
Como ensina o Catecismo da Igreja Católica (CIC §1367):
“O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício: ‘É uma só e mesma vítima, é o mesmo que oferece agora pelo ministério dos sacerdotes, que então se ofereceu na cruz; somente a maneira de oferecer é diferente’.”
Outro ponto fundamental é a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia, com Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Quando o sacerdote pronuncia as palavras da consagração (“Isto é o meu Corpo… este é o cálice do meu Sangue…”), o pão e o vinho deixam de ser substancialmente pão e vinho. Ocorre então a transubstanciação, em que a substância muda, ainda que as aparências permaneçam.
Essa realidade está enraizada no próprio ensinamento de Cristo no capítulo 6 do Evangelho de São João, quando Ele afirma:
“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,56).
Durante a Missa, o Céu toca a Terra. Estamos unidos aos anjos, aos santos, à Igreja triunfante, padecente e militante. O próprio Prefácio da Oração Eucarística declara:
“Por isso, com os Anjos e todos os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando (dizendo) a uma só voz…”
Portanto, a Missa não é uma simples reunião fraterna; é a entrada no Mistério Pascal de Cristo. O altar torna-se o Gólgota, e o sacerdote age in persona Christi, oferecendo ao Pai o mesmo Cristo que se entregou na cruz, agora glorioso, em favor da humanidade.
Participar da Missa é entrar no mistério da redenção. Não assistimos a uma cerimônia, mas somos inseridos sacramentalmente no sacrifício salvífico de Jesus. Comungar o Corpo e o Sangue de Cristo é unir-se a Ele na entrega total ao Pai.
A Missa é, de fato, o maior tesouro da Igreja. Como dizia São Padre Pio:
“Seria mais fácil o mundo existir sem o sol do que sem a Santa Missa.”