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Crédito: EFE/EPA/SIDDHARAJ SOLANKI
Um grave acidente aéreo ocorrido nesta quinta-feira (12) chocou a Índia e o mundo. Um Boeing 787-8 Dreamliner da Air India, que decolava do Aeroporto Internacional Sardar Vallabhbhai Patel, em Ahmedabad, com destino a Londres-Gatwick, caiu em chamas poucos minutos após a decolagem, matando 241 pessoas das 242 que estavam a bordo.
A aeronave, de prefixo VT-ANB, transportava 230 passageiros e 12 tripulantes. O único sobrevivente confirmado até o momento é Vishwash Kumar Ramesh, um cidadão britânico de origem indiana, de 40 anos, que estava sentado próximo à saída de emergência. Ele foi encontrado consciente entre os destroços e encaminhado em estado grave ao Hospital Civil de Ahmedabad.
De acordo com os dados da torre de controle, o voo AI171 partiu às 13h38 no horário local. O avião atingiu cerca de 800 pés de altitude (aproximadamente 240 metros) quando a tripulação emitiu um sinal de Mayday, indicando perda de potência em um dos motores — o GE GEnx-1B67. A comunicação com o cockpit foi interrompida segundos depois.
A aeronave caiu dentro do perímetro de um campus universitário da área médica da cidade. Vídeos e imagens de câmeras de vigilância confirmam que o avião estava em chamas ainda no ar, antes de atingir o solo. Além dos ocupantes da aeronave, seis pessoas em solo também morreram, incluindo dois estudantes universitários.
Segundo informações divulgadas pela Air India e pelas autoridades indianas, as vítimas incluíam passageiros de várias nacionalidades:
Entre os mortos estão o comandante Clive Kunder, de 39 anos, e a primeira-oficial Preeti Sharma, de 29 anos. O comandante havia confidenciado recentemente à família que pretendia deixar a aviação civil em breve. A tripulação da cabine era considerada experiente, e o avião havia passado por manutenção de rotina quatro dias antes do acidente.
O governo indiano decretou luto oficial de um dia. O primeiro-ministro Narendra Modi declarou publicamente que o país está “em oração pelas famílias das vítimas e determinado a encontrar as causas da tragédia”.
As equipes do AAIB (Aircraft Accident Investigation Bureau) da Índia isolaram a área do impacto e já localizaram os dois dispositivos de gravação — o Flight Data Recorder (FDR) e o Cockpit Voice Recorder (CVR) — em estado recuperável.
O governo da Índia solicitou cooperação técnica do NTSB (EUA), da FAA, do AAIB britânico, da GE Aerospace e da própria Boeing, fabricante do modelo 787 Dreamliner. O foco inicial das investigações é a possibilidade de uma falha catastrófica no motor esquerdo e perda de controle direcional em baixa altitude.
Os investigadores também analisarão os protocolos de manutenção recentes da aeronave, a atuação da tripulação nos minutos finais e possíveis falhas em sensores de velocidade ou altitude. O relatório preliminar está previsto para ser publicado em até 15 dias.
Este é o primeiro acidente fatal envolvendo o modelo 787 Dreamliner desde sua introdução comercial em 2011. Considerado um dos aviões tecnologicamente mais avançados do mundo, o 787 operava até então com histórico impecável de segurança.
Em resposta ao ocorrido, a Air India anunciou a suspensão imediata de todos os seus voos operados por aeronaves do tipo 787 até que sejam realizadas inspeções detalhadas. A Direção Geral de Aviação Civil da Índia (DGCA) iniciou auditoria emergencial nas aeronaves da frota com motores GEnx.
As ações da Boeing caíram 6,3% na Bolsa de Nova York, enquanto a GE Aerospace — fabricante dos motores — recuou 2,9%. Investidores demonstraram preocupação com um possível “efeito dominó” sobre companhias que operam frotas semelhantes.
O desastre pode se tornar um dos maiores casos de indenização da história da aviação comercial na Índia. Especialistas avaliam que o seguro da aeronave e das vítimas ultrapassará os US$ 270 milhões, considerando compensações a familiares e perdas materiais.
Escritórios de advocacia internacionais já foram contratados por famílias das vítimas para ajuizar ações judiciais na Índia, no Reino Unido e nos Estados Unidos.
A tragédia em Ahmedabad levanta sérias questões sobre segurança operacional, qualidade na manutenção e vigilância regulatória. O impacto humano, jurídico e econômico será duradouro — e a busca por respostas, inevitável.
Enquanto o mundo aguarda os dados das caixas-pretas, a esperança é de que esse luto coletivo traga lições duras, mas necessárias, para a indústria da aviação global.