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Crédito: Reprodução da Internet (Via: https://18horas.com.br/)
O Brasil atravessa, em 2025, uma das piores crises ambientais de sua história recente. A combinação entre uma estiagem prolongada, agravada pelo fenômeno El Niño, e o avanço das queimadas em dois dos principais biomas do país — o Pantanal e a Amazônia — já provoca impactos ambientais, sanitários e econômicos de grande escala.
O Pantanal, reconhecido como a maior planície alagável do planeta, vive um colapso ambiental. Segundo dados recentes do MapBiomas, apenas 366 mil hectares do bioma estavam alagados no ano passado — uma redução de mais de 60% em relação à média histórica. Este é o menor índice de alagamento registrado desde o início do monitoramento, em 1985.
A situação é tão crítica que, apenas nas duas primeiras semanas de junho deste ano, o Pantanal registrou 2.639 focos de incêndio. Os incêndios já consumiram mais de 760 mil hectares até o início de julho, o equivalente a cerca de 4% de toda a área do bioma. O avanço das chamas tem sido impulsionado por ventos de até 40 km/h e pela baixa umidade relativa do ar.
Populações locais relatam dificuldade de respirar, com o ar carregado de fumaça. Hospitais em cidades como Corumbá (MS) enfrentam aumento expressivo de internações por problemas respiratórios, principalmente entre crianças e idosos.
Na Amazônia, o cenário não é menos dramático. O ano de 2024 terminou com uma perda de aproximadamente 3,3 milhões de hectares de superfície de água. A seca histórica atingiu principalmente as sub-bacias do Rio Negro e do Rio Madeira. Em Manaus, o Rio Negro chegou a atingir a marca de 12,66 metros no Porto da capital amazonense, o menor nível desde o início das medições, em 1902.
A navegação fluvial, vital para o abastecimento de comunidades isoladas, está praticamente paralisada em diversos trechos. Barcos de transporte de mercadorias e de passageiros estão encalhados ou operando com capacidade reduzida.
No campo ambiental, o desmatamento e os incêndios seguem avançando. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já contabiliza, apenas no primeiro semestre de 2025, um aumento de 25% no número de focos de calor em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Especialistas apontam que o fenômeno El Niño, que permaneceu ativo por quase dois anos, foi o principal responsável pela alteração dos padrões de chuva na região. No entanto, o problema não é apenas climático.
O desmatamento descontrolado, a grilagem de terras e a abertura ilegal de pastagens têm agravado a situação. O ciclo hidrológico da Amazônia, por exemplo, depende diretamente da manutenção da floresta em pé para sustentar a evapotranspiração e a formação de nuvens de chuva. Com menos cobertura vegetal, o regime de chuvas sofre um efeito cascata, reduzindo ainda mais a umidade.
No Pantanal, o impacto de obras de drenagem, a expansão agrícola nas cabeceiras dos rios e a construção de barragens também têm limitado a capacidade de recarga das áreas alagáveis.
Os efeitos da crise já se refletem no bolso e na mesa dos brasileiros. Pequenos produtores rurais relatam perda de safras inteiras devido à falta de água. A produção de peixe, essencial para a economia ribeirinha, despencou. O transporte fluvial encareceu, afetando o preço de alimentos e combustíveis nas regiões Norte e Centro-Oeste.
O turismo, que vinha se recuperando no Pantanal após a pandemia, sofreu um novo baque com o avanço das queimadas. Hotéis, pousadas e operadores de ecoturismo registram cancelamentos em massa.
O governo federal decretou emergência ambiental nacional no início de junho, liberando cerca de R$ 45 milhões para ações de combate aos incêndios. Mais de 250 brigadistas foram contratados para reforçar o efetivo do Ibama e do ICMBio. Aeronaves especializadas também estão sendo mobilizadas para o combate aéreo às chamas.
No entanto, especialistas e organizações ambientais apontam que as medidas chegaram tarde. O Ministério Público Federal abriu inquéritos para investigar possíveis omissões do poder público no planejamento e prevenção da temporada de queimadas.
Meteorologistas indicam que o El Niño está perdendo força e que há sinais de uma possível transição para o fenômeno La Niña, o que pode trazer aumento das chuvas nos próximos meses. No entanto, a recuperação dos níveis dos rios e das áreas alagáveis deve demorar. Existe ainda o temor de que o retorno das chuvas, se for abrupto, provoque enchentes em regiões que hoje estão secas.
Enquanto isso, comunidades locais, ambientalistas e cientistas alertam: o Brasil precisa repensar com urgência suas políticas de gestão ambiental, conservação dos biomas e enfrentamento às mudanças climáticas. Caso contrário, o ciclo de desastres pode se repetir — ou piorar.