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renovação sacerdotal e óleo do crisma

Crédito: Reprodução da Internet (Via:https://diocesedecampolimpo.org.br/)

As duas coisas fundamentais que precisa saber sobre a primeira missa da Quinta-feira Santa

A Missa do Crisma: Sinal que renova a Igreja e prepara para o Tríduo Pascal

A Missa do Crisma é uma das mais solenes e significativas celebrações litúrgicas do ano. Presidida pelo bispo na catedral da diocese, e concelebrada por todo o seu presbitério (padres diocesanos e religiosos), essa celebração expressa com singular intensidade o mistério da Igreja una, santa, católica e apostólica, vivificado pelo Espírito Santo e sustentado pela graça sacramental.

Essa Missa tem dois eixos fundamentais:

  1. A bênção dos óleos santos (doentes e catecúmenos) e a consagração do Santo Crisma, usados nos sacramentos ao longo do ano;
  2. A renovação das promessas sacerdotais, na qual os presbíteros reafirmam sua fidelidade a Cristo e à Igreja diante do bispo e do povo.

É celebrada, por tradição, na manhã da Quinta-feira Santa, como introdução ao Tríduo Pascal, embora, por razões pastorais, possa ser antecipada para outro dia da Semana Santa.

Fundamento bíblico e patrístico

    A unção com óleo tem raízes profundas no Antigo Testamento: os sacerdotes (Lv 8), reis (1Sm 16,13) e profetas eram ungidos como sinal de consagração a Deus. Essa prática apontava para Cristo — “o Ungido” (Messias em hebraico, Christós em grego) — que inaugura a nova aliança.

    Jesus, ao iniciar sua missão pública, lê na sinagoga de Nazaré:

    O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu…” (Lc 4,18).

    A partir d’Ele, todo o povo de Deus é chamado à santidade por meio da unção batismal, e os ministros ordenados recebem a unção específica do sacerdócio. Os Padres da Igreja, como Santo Ambrósio, São Cirilo de Jerusalém e Santo Agostinho, sempre associaram a unção com óleo ao dom do Espírito Santo e à missão da Igreja.

    A bênção dos óleos e a consagração do Crisma

      Durante a Missa do Crisma, são preparados três óleos distintos, que depois são distribuídos a todas as paróquias da diocese para uso sacramental:

      Óleo dos Enfermos – Utilizado no Sacramento da Unção dos Enfermos, representa a força, o consolo e a cura que vêm do Espírito Santo. É abençoado pelo bispo durante a Missa, com oração específica e invocação da graça sobre os que sofrem.

      Óleo dos Catecúmenos – Usado na preparação dos catecúmenos para o Batismo, simboliza o fortalecimento espiritual na luta contra o mal. Expressa a proteção de Deus diante dos combates da vida cristã.

      Santo Crisma – É uma mistura de azeite de oliva e bálsamo perfumado, consagrada solenemente pelo bispo. É usado nos sacramentos do Batismo, Confirmação, Ordem, bem como em dedicações de igrejas e altares. Sua consagração inclui um rito especial: o bispo sopra sobre o óleo, evocando o Espírito Santo — gesto que remonta à criação do homem (Gn 2,7) e ao Pentecostes. O Crisma é o sinal visível da unção espiritual: marca o cristão com o “selo do Espírito”, tornando-o consagrado.

      Essa distribuição sacramental expressa a unidade da Igreja diocesana em torno do seu pastor, o bispo, sucessor dos Apóstolos.

      A renovação das promessas sacerdotais

        Um momento marcante da Missa do Crisma é quando os presbíteros se colocam diante do bispo e, publicamente, renovam os compromissos feitos no dia de sua ordenação:

        • Reafirmam sua decisão de unir-se mais estreitamente a Cristo e configurar sua vida ao ministério sacerdotal;
        • Prometem celebrar dignamente os sacramentos, especialmente a Eucaristia e a Reconciliação;
        • Renovam o voto de obediência e serviço à Igreja e ao bispo.

        Esse gesto fortalece a comunhão do presbitério com o bispo, lembrando que a missão é compartilhada: embora com funções distintas, todos participam do único sacerdócio de Cristo.

        O povo, por sua vez, é convidado a rezar por seus padres e também pelo bispo, pedindo a Deus que os conserve fiéis e santos.

        A estrutura litúrgica e espiritual da Missa do Crisma

          A celebração segue a estrutura da Santa Missa, com particularidades que destacam sua solenidade:

          • Liturgia da Palavra: As leituras destacam a unção e a missão do Ungido (cf. Is 61,1-3; Ap 1,5-8; Lc 4,16-21). O Evangelho narra Jesus proclamando que Nele se cumpre a profecia de Isaías.
          • Homilia do bispo: geralmente centrada no mistério do sacerdócio, no valor da unção e na vida em comunhão eclesial.
          • Renovação das promessas: ocorre após a homilia.
          • Apresentação e bênção dos óleos: antes do ofertório, os recipientes com os óleos são levados ao altar.
          • Oração eucarística: feita com particular solenidade, unindo toda a Igreja local no louvor e ação de graças.
          • Envio dos óleos: ao final da Missa, os óleos são distribuídos aos representantes das paróquias.

          Profundidade teológica e eclesial

            A Missa do Crisma revela, em sua essência, a natureza da Igreja como Corpo de Cristo, ungido e enviado ao mundo:

            • O óleo é símbolo do Espírito Santo, que unge para a missão.
            • O sacerdócio ministerial é serviço ao povo de Deus, mediando os sacramentos e guiando na caridade.
            • A comunhão diocesana manifesta a unidade em torno do bispo, sucessor dos Apóstolos.

            Como afirma o Concílio Vaticano II na Presbyterorum Ordinis:

            O presbítero, configurado a Cristo Sacerdote, é consagrado para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino.”

            Relação com a Quinta-feira Santa e o Tríduo Pascal

              A Missa do Crisma se insere no coração da Semana Santa pois antecede a Missa da Ceia do Senhor, na qual Jesus institui a Eucaristia e o Sacerdócio e assim prepara espiritualmente o clero e o povo para viver o mistério pascal com profundidade. Essa missa proclama que, da Cruz e da Ressurreição de Cristo, fluem os sacramentos da Igreja.

              É um verdadeiro “Pentecostes sacramental”, pois o Espírito Santo é invocado e distribuído através da matéria consagrada, para santificar o povo de Deus ao longo de todo o ano litúrgico.

              Mistério da Unção e da Missão

              A Missa do Crisma é um sinal visível da fidelidade de Deus, que nunca cessa de ungir e enviar seu povo. Pela renovação das promessas sacerdotais e pela bênção dos óleos, a Igreja se fortalece em sua missão: ser sacramento da salvação no mundo.

              Neste rito solene, Cristo, o Ungido por excelência, renova a unção de seus ministros e de seu povo, para que todos sejam sal da terra e luz do mundo, como membros de um Corpo vivo, ungido, consagrado e enviado.

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