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Crédito: Reprodução da Internet
Nos dias 6 e 7 de julho de 2025, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se palco da cúpula do BRICS, bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Este encontro simboliza não apenas um esforço de cooperação econômica, mas um movimento estratégico global que busca alterar o equilíbrio de poder mundial, num momento em que a ordem internacional enfrenta profundas crises políticas e sociais.
Mas devemos entender as implicações políticas e morais desse evento, alinhando-se com os ensinamentos da Igreja e evidenciando o papel profético dos católicos na atual conjuntura.
O BRICS representa uma aliança de países emergentes que, em geral, se posicionam como contrapeso ao domínio das potências ocidentais tradicionais, sobretudo Estados Unidos e União Europeia. Essa postura, em si, não é novidade no jogo das relações internacionais; no entanto, a composição do grupo inclui nações que adotam regimes com forte controle estatal, restrições à liberdade religiosa e apoio a ideologias contrárias aos princípios cristãos, como o comunismo e o socialismo autoritário.
Assim, embora o Brasil faça parte desse bloco, é essencial que os fiéis católicos compreendam que nem todos os membros compartilham ou respeitam os valores da Igreja. A prudência, portanto, deve nortear a análise do encontro, evitando ingenuidades que possam tratar o BRICS como uma força homogênea e benigna. Como nos alertou o Papa João Paulo II em sua encíclica Centesimus Annus, o comunismo e seus derivados rejeitam a dignidade da pessoa humana e a liberdade essencial, pilares da fé católica.
Além disso, a geopolítica do BRICS envolve interesses econômicos que nem sempre convergem com o bem comum integral, conceito fundamental na Doutrina Social da Igreja. O crescimento econômico sem justiça social é vazio e pode até ser pernicioso, desviando a atenção das necessidades dos mais pobres e marginalizados.
A Doutrina Social da Igreja oferece uma bússola indispensável para o discernimento católico diante do panorama internacional. Documentos como Rerum Novarum e Caritas in Veritate enfatizam a importância do respeito à dignidade humana, à liberdade religiosa e à justiça social — valores que muitas vezes são colocados à prova em arenas políticas dominadas por ideologias contrárias.
O princípio da subsidiariedade, por exemplo, nos orienta a valorizar as iniciativas locais e a participação dos cidadãos na construção da sociedade, algo que regimes autoritários presentes no BRICS costumam restringir. Por sua vez, a solidariedade reforça o compromisso com os pobres e vulneráveis, garantindo que o progresso não seja um privilégio de poucos, mas um direito de todos.
Para o católico informado, acompanhar a cúpula do BRICS é também observar se os compromissos assumidos respeitam esses princípios ou se há risco de manipulação ideológica e exploração econômica que desconsiderem a pessoa humana.
Enquanto os holofotes internacionais se voltam para o encontro no Rio, o Brasil enfrenta desafios locais que exigem a atenção e a ação dos fiéis. As recentes tragédias naturais, como as chuvas e enchentes na região serrana do estado, trazem à tona a urgência da caridade cristã, da solidariedade e do auxílio às vítimas.
A Igreja, fiel ao seu papel de “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5,13-14), não pode se ausentar desse cenário. A pastoral social, as obras de misericórdia e o testemunho da caridade são o contraponto essencial às disputas políticas e econômicas que permeiam o mundo. Neste sentido, a Igreja reafirma seu compromisso com a promoção da vida em todas as suas dimensões, defendendo os direitos dos mais fragilizados.
No cenário global, as tensões e conflitos, como o que envolve Israel e as nações do Oriente Médio, também merecem a atenção do católico informado. A Igreja não toma partido político, mas permanece firme no chamado à paz, à reconciliação e à defesa da dignidade humana, conforme expressa em Pacem in Terris.
O papel dos fiéis é rezar incessantemente pela paz e promover gestos concretos de solidariedade, entendendo que o Evangelho nos chama a ser construtores de pontes e não de muros.
A cúpula do BRICS no Rio expõe as tensões e oportunidades de um mundo em transformação acelerada. Para os católicos, esse momento exige uma postura de fé firme, mas também de lucidez e discernimento crítico.
Não se trata de adotar uma visão simplista ou ideológica, mas de permanecer ancorado na Doutrina Social da Igreja, sempre vigilante para que as escolhas políticas e econômicas respeitem a dignidade humana, a liberdade e a justiça.
Neste cenário complexo, a Igreja permanece a voz da verdade e do amor, convidando os fiéis a serem agentes ativos na construção de um mundo onde Cristo seja o centro.