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Crédito: Justin Setterfield/Getty Images
Na Champions League, o Paris Saint-Germain, enfim escreveu seu nome entre os campeões após anos de frustração e campanhas milionárias sem final feliz. E não foi de qualquer forma. Com uma atuação avassaladora, o clube francês atropelou a Inter de Milão por 5 a 0, na Allianz Arena, em Munique, neste sábado (31), e conquistou a Liga dos Campeões da UEFA pela primeira vez em seus mais de 50 anos de história.
A final, que prometia ser equilibrada, rapidamente se transformou em um massacre técnico e tático. A equipe comandada por Luis Enrique não apenas dominou as ações durante os 90 minutos, como também apresentou um futebol coletivo refinado, cirúrgico e vibrante — sem estrelas reluzentes, mas com jovens talentosos e um grupo unido em torno de um projeto.
O placar foi inaugurado ainda aos 11 minutos da primeira etapa, quando o lateral marroquino Achraf Hakimi aproveitou um erro grotesco da defesa italiana. Ao interceptar um passe arriscado no campo de ataque, Hakimi avançou sozinho e finalizou no canto, sem chances para o goleiro Sommer.
A Inter tentou reagir, mas encontrou um PSG extremamente bem posicionado, com linhas compactas e transições rápidas. Pouco depois, o nome da noite começou a brilhar.
Com apenas 19 anos, o francês Désiré Doué foi o grande destaque da decisão da Champions League. O meia-atacante, formado nas categorias de base do Rennes e contratado em 2024, marcou dois gols e ainda deu uma assistência, participando diretamente de três dos cinco gols parisienses.
O primeiro veio aos 28 minutos, após bela jogada coletiva que terminou com um passe rasteiro de Vitinha dentro da área. Doué apareceu livre e empurrou para as redes. O segundo gol do jovem foi ainda mais expressivo: aos 51 minutos, ele recebeu na entrada da área, cortou para o meio e bateu colocado, no ângulo. Uma pintura.
O feito de Doué já entrou para a história: ele é agora o jogador mais jovem a marcar dois gols em uma final de Champions League, superando lendas como Raúl e Kylian Mbappé.
A equipe italiana, que chegou à final após eliminar Atlético de Madrid e Manchester City, parecia desorientada. O técnico Simone Inzaghi viu seu time completamente engolido pelo ritmo intenso do adversário. Nem Lautaro Martínez, nem Barella, nem Dimarco conseguiram produzir algo significativo.
Do outro lado, o PSG não diminuiu o ritmo. O georgiano Khvicha Kvaratskhelia, reforço contratado junto ao Napoli, também deixou o seu. Aos 66 minutos, após uma troca de passes que desmontou a zaga italiana, o camisa 7 recebeu de costas, girou e bateu cruzado: 4 a 0.
Já nos minutos finais, o garoto Senny Mayulu, cria da base parisiense, entrou em campo e completou a goleada. Em contra-ataque veloz puxado por Zaïre-Emery, o jovem recebeu livre na área e marcou o quinto gol, selando a noite de glória em Munique.
A conquista da taça da Champions League do PSG não é fruto do acaso. Desde a saída de Kylian Mbappé, em 2024, o clube reformulou seu elenco e sua filosofia. Em vez de estrelas midiáticas, optou por montar um time operário, com jovens promissores e atletas comprometidos.
O técnico espanhol Luis Enrique teve papel central nessa virada. Trabalhou o grupo para atuar com intensidade, inteligência e controle emocional. Sua leitura de jogo e a capacidade de extrair o melhor de nomes ainda em formação foram decisivas ao longo da campanha.
“Esta é a vitória do coletivo. Construímos algo com base em valores, disciplina e ambição. Não há egos aqui, só trabalho e amor pelo futebol”, disse Enrique na entrevista pós-jogo.
Em Paris, a celebração foi imediata. Milhares de torcedores lotaram os arredores do Parc des Princes, e a Torre Eiffel foi iluminada com as cores do clube. A prefeitura da cidade já anunciou uma grande recepção aos campeões para esta segunda-feira (2), com desfile em carro aberto pela Champs-Élysées.
Personalidades do esporte e ex-jogadores do clube também se manifestaram. Kylian Mbappé, hoje no Real Madrid, parabenizou o PSG nas redes sociais: “Sonho realizado. Orgulho por todos que lutaram por isso”, escreveu o craque, que disputou duas finais pela equipe (2020 e 2021), mas sem sucesso.
O título coroa uma campanha quase perfeita. O PSG passou invicto pela fase de grupos, eliminou o Borussia Dortmund nas oitavas, o Arsenal nas quartas e o Bayern de Munique na semifinal. Foram 13 jogos, 10 vitórias, 3 empates e nenhuma derrota. Marcou 29 gols e sofreu apenas 7.
O Paris Saint-Germain, tantas vezes chamado de “campeão doméstico”, finalmente superou o estigma europeu. Com uma geração jovem, um projeto coerente e uma exibição memorável, o clube francês escreveu uma página gloriosa em sua história — e deixou claro que esta pode ser apenas a primeira de muitas noites como esta.