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Crédito: Reprodução da Internet
Em um consistório público ordinário realizado nesta sexta-feira, 13 de junho, no Palácio Apostólico, o Papa Leão XIV anunciou oficialmente a data da canonização de dois dos beatos mais amados do catolicismo contemporâneo: Carlo Acutis e Pier Giorgio Frassati. A cerimônia de canonização está marcada para o dia 7 de setembro de 2025, na Praça de São Pedro, em Roma, e deverá atrair milhares de fiéis, especialmente jovens, vindos de todas as partes do mundo.
A decisão pontifícia encerra meses de expectativa após a morte do Papa Francisco em abril, que havia inicialmente programado as canonizações para datas separadas dentro do calendário jubilar deste ano santo extraordinário de 2025. Carlo Acutis seria canonizado no encerramento do Jubileu dos Adolescentes, no dia 27 de abril, enquanto a cerimônia de Frassati estava prevista para o Jubileu dos Jovens, no dia 3 de agosto. Com o falecimento de Francisco e o período subsequente de sede vacante, todas as cerimônias pontifícias foram temporariamente suspensas.
A escolha por uma canonização conjunta vai além da praticidade organizacional. Trata-se de uma decisão carregada de significado espiritual, pastoral e eclesial. Carlo Acutis e Pier Giorgio Frassati, embora separados por quase um século, são apresentados pela Igreja como modelos de santidade juvenil profundamente enraizados na Eucaristia, na caridade e no uso corajoso dos meios da própria época para evangelizar.
Carlo Acutis, falecido em 2006 aos 15 anos, é conhecido como o “padroeiro da internet” e o “influencer de Deus”. Jovem devoto da Eucaristia e apaixonado pela tecnologia, dedicou seus últimos anos de vida à criação de um site que catalogava milagres eucarísticos no mundo inteiro. Seu testemunho de fé simples, alegre e radical cativou milhões, especialmente entre as novas gerações.
Já Pier Giorgio Frassati, falecido em 1925 aos 24 anos, foi um jovem italiano da elite intelectual e social de Turim, que viveu uma fé profundamente comprometida com os pobres, os doentes e os marginalizados. Membro da Ação Católica, do Movimento Estudantil e da Sociedade de São Vicente de Paulo, Frassati ficou conhecido por seu espírito esportivo, sua intensa vida sacramental e seu profundo zelo apostólico, tornando-se um verdadeiro exemplo do que São João Paulo II chamou de “santidade acessível”.
A canonização de ambos, no mesmo altar e na mesma liturgia, oferece uma poderosa mensagem de unidade na diversidade: a santidade não é um molde rígido, mas uma resposta pessoal e generosa ao chamado de Deus, adaptada aos dons, tempos e desafios de cada geração.
Esta será a primeira cerimônia de canonização do recém-eleito Papa Leão XIV, que assumiu o trono de Pedro em maio de 2025, após o falecimento de Francisco. Ao escolher abrir seu pontificado com a elevação aos altares de dois jovens leigos, o novo Papa reforça uma linha de continuidade com o esforço de seus predecessores — especialmente São João Paulo II e Bento XVI — de apresentar aos fiéis modelos contemporâneos de santidade que dialogam com as grandes questões da modernidade.
“Eles mostram que a verdadeira alegria nasce da amizade com Cristo”, declarou Leão XIV durante o consistório. “Frassati e Acutis são antídotos contra o niilismo, o relativismo e a cultura do descarte. São jovens de carne e osso que escolheram o Céu — e agora nos mostram o caminho.”
A Santa Sé já confirmou que a canonização ocorrerá na Praça de São Pedro, no contexto do encerramento simbólico do “Verão Jovem” do Ano Jubilar, uma série de eventos espirituais destinados à juventude mundial. Delegações de diversas dioceses já organizam peregrinações e caravanas. A diocese de Assis, onde repousam os restos mortais de Acutis, e a arquidiocese de Turim, berço de Frassati, mobilizam-se para oferecer subsídios catequéticos e litúrgicos aos fiéis.
A canonização conjunta também despertou o interesse da mídia secular e religiosa. Enquanto os católicos mais tradicionalistas reconhecem com alegria a canonização de Frassati, há também um entusiasmo renovado com a figura de Acutis, que representa uma ponte concreta entre o Evangelho e o universo digital — desafio central do novo milênio.
Carlo Acutis foi beatificado em 10 de outubro de 2020, em Assis, após o reconhecimento de um milagre ocorrido no Brasil. A cura inexplicável de um menino com uma rara anomalia pancreática foi examinada e aprovada pela Congregação para as Causas dos Santos. Já o segundo milagre, necessário para a canonização, envolveu a recuperação completa de uma jovem na América Central, após uma grave infecção generalizada. O caso foi confirmado em 2024, sob o pontificado de Francisco.
Pier Giorgio Frassati foi beatificado por São João Paulo II em 20 de maio de 1990. O milagre que abre caminho à sua canonização foi reconhecido recentemente: trata-se da cura instantânea e duradoura de um seminarista africano acometido de meningite bacteriana terminal, sem explicação científica. A documentação foi aprovada por unanimidade pela comissão médica e teológica da Santa Sé, em decisão ratificada por Leão XIV logo após sua eleição.
A cerimônia de 7 de setembro será um marco não apenas para o Jubileu de 2025, mas para toda a Igreja. Ela propõe ao mundo, cansado de ídolos frágeis e promessas vazias, duas figuras de carne e fé: um “influencer de Deus” e um “alpinista do céu”. Ambos jovens. Ambos leigos. Ambos santos.
Como dizia Pier Giorgio: “Viver sem fé, sem um patrimônio para defender, sem lutar constantemente pela verdade, não é viver, mas apenas vegetar.” E Carlo Acutis completaria: “A Eucaristia é a minha estrada para o céu.”
Esses dois mártires da alegria cristã nos convidam a escalar novamente o monte da santidade — não com exibicionismo, mas com os olhos fixos em Deus e o coração inteiro na missão.