USD | R$5,0322 |
|---|
Crédito: Reprodução da Internet
Nesta quinta-feira (14), um acidente incomum chamou a atenção de moradores e autoridades na Zona Norte de São Paulo. Um veículo de passeio, ao se envolver em uma colisão, acabou projetado no ar e parou sobre a calçada, após “voar” alguns metros. O caso ocorreu na Avenida Engenheiro Caetano Álvares, via de grande movimento que liga bairros residenciais a importantes eixos viários da capital. Uma pessoa ficou ferida e foi socorrida com consciência, mas em estado de atenção, devido ao impacto.
Segundo informações iniciais colhidas pela Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros, o carro seguia em alta velocidade no sentido Centro quando colidiu contra outro veículo que tentava acessar a faixa da esquerda. O choque fez com que o automóvel perdesse estabilidade, subisse na guia e, devido à inclinação do canteiro, fosse projetado para cima, percorrendo cerca de três metros no ar antes de atingir o solo. O ponto onde o carro “decolou” é conhecido por ter uma pequena rampa natural formada por obras antigas no asfalto, o que pode ter potencializado o efeito.
A Avenida Engenheiro Caetano Álvares é um corredor urbano com alta taxa de acidentes, especialmente em trechos próximos a cruzamentos sem semáforos e áreas de conversão. Dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostram que, nos últimos cinco anos, pelo menos 27 colisões com capotamento ou projeção de veículos foram registradas na região. A topografia da via, marcada por ondulações e pequenas inclinações, somada ao excesso de velocidade de alguns condutores, cria condições para ocorrências de alto impacto.
O Corpo de Bombeiros foi acionado às 7h52 e deslocou duas viaturas para o local. A vítima, um homem de aproximadamente 35 anos, foi retirada do veículo consciente, mas com dores intensas na coluna e no tórax. Ele foi encaminhado ao Hospital Mandaqui, referência no atendimento a traumas na Zona Norte. A CET interditou temporariamente duas faixas da avenida para o trabalho de resgate e remoção dos veículos.
A Polícia Civil abriu um boletim de ocorrência para apurar a responsabilidade pelo acidente. As hipóteses iniciais incluem excesso de velocidade, desatenção do condutor e falta de manutenção na via. O trecho onde ocorreu a colisão possui buracos e irregularidades no asfalto, que já foram alvo de reclamações de moradores e motoristas de transporte por aplicativo. A perícia vai analisar imagens de câmeras de segurança instaladas em comércios próximos para determinar a velocidade exata no momento do impacto.
Embora raro, o fenômeno de veículos “voarem” após colisões ou perda de controle não é inédito em São Paulo. Em 2018, um caso semelhante foi registrado na Marginal Tietê, quando um carro atingiu uma defensa metálica e foi lançado sobre a pista lateral. Especialistas em engenharia de tráfego explicam que, quando um veículo colide em alta velocidade contra uma superfície inclinada, mesmo que pequena, a energia cinética é convertida em movimento ascendente, como no salto de um ciclista ao encontrar uma rampa. Essa física simples, aliada a condições desfavoráveis, pode transformar um acidente comum em algo cinematográfico — mas perigoso e imprevisível.
O engenheiro de tráfego Marcelo Rios, ouvido pela reportagem, destacou que “qualquer elevação de mais de 10 centímetros, quando atingida em velocidade acima de 60 km/h, pode servir como ponto de projeção para um veículo leve. Em áreas urbanas, isso é agravado pelo peso dos passageiros e pela instabilidade do piso”. Ele também enfatiza a necessidade de manutenção constante da malha viária e de fiscalização rigorosa, pois muitos acidentes são resultado direto de más condições de pavimentação somadas a imprudência.
Moradores relataram que o som do impacto foi ouvido a mais de dois quarteirões de distância. “Parecia uma batida de metal com metal, seguida de um barulho seco, como se algo tivesse caído no chão com força”, disse Ana Paula Ferreira, comerciante da região. Alguns vizinhos afirmaram que a presença frequente de carros em alta velocidade no trecho é motivo de preocupação, especialmente nos horários de pico.
A Prefeitura de São Paulo informou, por meio de nota, que equipes da Subprefeitura Santana/Tucuruvi e da CET vão inspecionar a área para avaliar intervenções. Entre as medidas possíveis estão a instalação de lombadas eletrônicas, a recuperação do asfalto e a adequação da sinalização. No entanto, especialistas lembram que, sem mudança de comportamento dos motoristas, os riscos permanecerão.
O episódio desta sexta-feira reforça um ponto muitas vezes ignorado: o espaço urbano é cheio de pequenas armadilhas invisíveis aos motoristas apressados. Um desnível no asfalto, combinado com velocidade excessiva, pode transformar uma simples colisão lateral em um acidente de alto risco, com consequências potencialmente fatais. O caso será acompanhado pelas autoridades, mas também serve como alerta para todos que circulam nas avenidas de São Paulo.