USD | R$5,0757 |
|---|
Crédito: EVARISTO SA / AFP
O Governo do Distrito Federal confirmou, nesta semana, a detecção de um caso de gripe aviária (H5N1) no Zoológico de Brasília, após a morte de um irerê — espécie de ave silvestre nativa da América do Sul. O resultado positivo foi confirmado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA-MAPA), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com sede em Campinas (SP).
A ave foi encontrada morta no dia 28 de maio, dentro das dependências do parque. Imediatamente, a direção do zoológico suspendeu as visitas ao público como medida preventiva, em alinhamento com os protocolos de contenção sanitária. A instituição permanecerá fechada até pelo menos 12 de junho, período estipulado para o monitoramento de possíveis novos casos. Durante esse intervalo, as equipes técnicas seguirão em observação e vigilância contínua, avaliando animais e áreas de risco.
Este é o primeiro caso oficialmente confirmado em um zoológico brasileiro desde que o país começou a registrar focos da doença, em 2023, e se soma aos 169 focos contabilizados pelo Ministério da Agricultura até o momento — 165 em aves silvestres, 3 em aves de subsistência e 1 em uma granja comercial. Segundo o último boletim epidemiológico da pasta, ainda há 11 casos suspeitos sob investigação em diversas regiões do país.
O avanço da gripe aviária em território nacional tem provocado preocupação crescente entre autoridades sanitárias e representantes do setor avícola. Em maio deste ano, o Brasil registrou, pela primeira vez, a ocorrência do vírus H5N1 em uma granja comercial, localizada no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul. O caso representou uma nova etapa na trajetória da doença no país, que até então havia atingido apenas aves silvestres e de subsistência.
Como resposta imediata, as aves e os ovos da granja afetada foram eliminados, conforme as diretrizes do Plano de Contingência do Ministério da Agricultura. Além disso, medidas de comunicação com os parceiros comerciais foram adotadas para conter embargos generalizados e assegurar que as exportações brasileiras de carne de frango não sejam prejudicadas. O Brasil é atualmente o maior exportador mundial do produto.
No estado de Minas Gerais, a confirmação de um caso em uma ave ornamental levou o governo estadual a decretar Situação de Emergência Sanitária Animal. A decisão tem como objetivo ampliar a capacidade de atuação dos órgãos públicos e facilitar o acesso a recursos humanos, materiais e financeiros para o enfrentamento do surto.
Entre as ações previstas estão a intensificação da vigilância nas áreas de risco, o bloqueio de propriedades com suspeita da doença, a desinfecção de ambientes contaminados e a interdição temporária de feiras e eventos com aglomeração de aves.
Até o momento, não há registro de contaminação humana por H5N1 no Brasil. A transmissão do vírus para pessoas é rara e costuma ocorrer apenas em casos de contato muito próximo com aves infectadas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) reforçam que o consumo de carne de frango e ovos é seguro, desde que os alimentos estejam bem cozidos.
A FAO também alertou, em nota recente, que a confirmação do vírus em granjas comerciais representa uma fase crítica, exigindo reforço imediato nos sistemas nacionais de vigilância, biossegurança e resposta rápida. O órgão recomenda atenção especial à movimentação de aves vivas, ao controle de fronteiras e ao treinamento técnico de profissionais que atuam no campo.
A gripe aviária é uma infecção viral causada por subtipos do vírus Influenza tipo A, que afeta predominantemente aves, mas pode ocasionalmente infectar mamíferos — incluindo seres humanos. O subtipo H5N1, detectado no Brasil, é altamente patogênico, ou seja, tem potencial de causar mortes rápidas em aves domésticas e silvestres.
Embora raros, surtos em humanos já foram registrados em países da Ásia e do Oriente Médio, com alta taxa de letalidade. A principal forma de prevenção continua sendo o controle sanitário rigoroso e a redução de contato direto com animais potencialmente infectados.
O Ministério da Agricultura segue em estado de alerta e pede à população que informe imediatamente às autoridades locais qualquer ocorrência de aves doentes ou mortas, especialmente em áreas urbanas ou de preservação ambiental.
O caso registrado no Zoológico de Brasília, embora isolado, evidencia a necessidade de atenção redobrada e cooperação entre o poder público, zoológicos, criadores, produtores e consumidores.