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Crédito: Reprodução da Internet (Via: https://jovempan.com.br/)
Adoração, no sentido estrito, é o culto supremo devido somente a Deus. A Igreja Católica chama isso de latria – um ato de entrega total ao Criador, reconhecendo-O como origem, fim e sustentação de todas as coisas. Essa adoração é reservada unicamente à Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.
Mas e as imagens?
As imagens sagradas – como crucifixos, estátuas de santos e ícones da Virgem Maria – são usadas na tradição católica como meios visíveis de lembrar e honrar realidades invisíveis. O fiel católico não adora a imagem, mas a utiliza para direcionar sua mente e coração à pessoa representada. Assim, ao olhar para uma imagem de Nossa Senhora ou de um santo, o fiel se recorda de sua vida de santidade, de sua união com Cristo e pede sua intercessão diante de Deus. Isso é o que a Igreja chama de veneração ou dulia – um respeito profundo, jamais confundido com adoração.
A Virgem Maria, por seu papel singular na história da salvação, recebe uma veneração especial chamada hiperdulia, mas ainda assim, nunca é adorada.
É verdade que o Antigo Testamento contém proibições severas contra ídolos e imagens. No entanto, esse contexto se refere ao culto de divindades pagãs, não à representação de figuras sagradas como auxiliares à fé. O próprio Deus, em outros momentos, ordena a confecção de imagens: como os querubins sobre a Arca da Aliança (Ex 25,18-22) e a serpente de bronze erguida por Moisés (Nm 21,8-9), que prefigurava Cristo (João 3,14).
No Novo Testamento, com a Encarnação do Verbo inaugura-se uma nova fase: Deus se faz imagem, assume um rosto humano. Como afirmou o Papa Bento XVI: “O Filho é a imagem do Deus invisível”. Isso abriu caminho para que os cristãos representassem Cristo e os santos por meio da arte, como forma legítima de expressar a fé.
O Catecismo explica: “O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento que proíbe os ídolos. Com efeito, a honra prestada a uma imagem pertence àquele que nela está representado” (CIC, 2132).
Portanto, não há adoração da imagem, mas veneração da pessoa que ela representa, sempre subordinada a Deus. A acusação de idolatria contra os católicos revela uma incompreensão da doutrina e da tradição da Igreja. O uso de imagens é um prolongamento da fé na Encarnação, um recurso pedagógico e devocional que aproxima o fiel da realidade divina. Ao contrário do que muitos pensam, o católico adora somente a Deus, enquanto vê nas imagens uma ponte para o transcendente, e jamais um fim em si mesmas.