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Crédito: Cléber Mendes/Estadão Conteúdo
O Rio de Janeiro amanheceu em estado de alerta máximo nesta segunda-feira (9) após a forte chuva que caiu sobre a cidade na noite anterior deixar um rastro de destruição e morte. Ao menos três pessoas perderam a vida em decorrência de desabamentos provocados pelo temporal, e diversos pontos da capital fluminense registraram ocorrências graves envolvendo deslizamentos de terra, soterramentos e queda de árvores sobre veículos.
A Prefeitura decretou “estágio de crise” — o mais alto na escala do Centro de Operações Rio (COR-Rio) — por volta das 3h30 da madrugada, acionando um protocolo emergencial para monitoramento intensivo das áreas de risco e mobilização de equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e outros órgãos públicos.
O caso mais grave ocorreu em Guaratiba, na Zona Oeste, onde o desabamento de uma casa na Rua João Brígido, em uma área de encosta, provocou a morte de duas pessoas. Segundo o Corpo de Bombeiros, os escombros atingiram gravemente os moradores, e outras duas vítimas foram resgatadas com vida e levadas ao Hospital Municipal Rocha Faria, com ferimentos moderados.
Na Rocinha, na Zona Sul, um deslizamento de terra atingiu uma residência, vitimando uma mulher de 52 anos. Os bombeiros levaram cerca de cinco horas para encontrar o corpo entre os escombros. A tragédia comoveu moradores da comunidade, que afirmam ter ouvido estalos e visto rachaduras nos muros ainda na tarde de domingo.
Outro episódio dramático ocorreu na Avenida Niemeyer, importante via que liga os bairros do Leblon e de São Conrado. Durante a chuva, duas encostas cederam simultaneamente, arrastando terra, lama e árvores sobre a pista.
Dois ônibus foram atingidos. Um deles foi esmagado por uma grande árvore, impossibilitando até o momento o acesso ao interior do veículo. As autoridades acreditam que duas pessoas possam estar presas dentro do coletivo, mas não confirmaram óbitos até o fechamento desta reportagem.
No segundo ônibus, os passageiros conseguiram sair a tempo, mas três pessoas ficaram feridas, sem gravidade. A via foi totalmente interditada, e há risco de novos deslizamentos na região, segundo engenheiros da Defesa Civil.
Um trecho da Ciclovia Tim Maia, entre São Conrado e Leblon, desabou e caiu no mar devido à força das águas e à instabilidade da encosta. A estrutura, que já havia sido parcialmente destruída em anos anteriores por ressacas e falhas de projeto, volta a expor a fragilidade da engenharia urbana e o descaso na manutenção de equipamentos públicos.
Não houve registro de feridos nesse ponto, pois a via já estava interditada preventivamente desde o início da madrugada.
O Centro de Operações Rio (COR-Rio) classificou a cidade em estágio de crise por volta das 3h30. Este é o nível 3 da escala de monitoramento, utilizado em situações de emergência com múltiplas ocorrências simultâneas. Durante toda a noite e início da manhã, sirenes de alerta foram acionadas em comunidades de alto risco, especialmente nas zonas Norte e Oeste.
Equipes do AlertaRio, sistema de monitoramento meteorológico da prefeitura, apontaram índices pluviométricos superiores a 100 mm em menos de seis horas em alguns bairros, o que configura chuva muito forte e com potencial de causar inundações, deslizamentos e desabamentos.
A situação escancarou a vulnerabilidade estrutural de encostas ocupadas irregularmente, muitas das quais seguem sem contenção de solo ou sistemas adequados de drenagem. Comunidades como Guaratiba, Rocinha, Vidigal e outras favelas em morros continuam sendo as mais afetadas em temporais como esse.
O prefeito Eduardo Paes ainda não se pronunciou oficialmente, mas fontes da Defesa Civil informaram que a cidade segue em alerta permanente, com equipes de resgate, remoção de árvores e desobstrução de vias operando ininterruptamente.
As aulas da rede municipal foram suspensas nas áreas mais afetadas, e há previsão de chuvas moderadas a fortes ao longo da segunda-feira, segundo boletim do AlertaRio.
A prioridade imediata é localizar possíveis desaparecidos, como os supostos passageiros ainda presos no ônibus esmagado na Niemeyer. Também estão em andamento as vistorias estruturais em encostas e prédios atingidos, além da reabertura progressiva de vias interditadas.
Moradores das áreas afetadas continuam sendo orientados a não retornarem às suas casas até que engenheiros da Defesa Civil façam as devidas inspeções. Abrigos emergenciais estão sendo organizados em escolas públicas e centros comunitários.