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Crédito: Reprodução da Internet (Captura de vídeo - Via: ACI Digital)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) negou qualquer vínculo institucional com o juiz aposentado Leador Machado, que se apresentou como representante da Comissão Justiça e Paz da entidade durante a inauguração de um centro religioso autodeclarado “referência de Quimbanda Luciferiana no Norte”, ocorrido no último sábado (12), em Araguaína, Tocantins.
A declaração de Machado foi registrada em vídeo e amplamente divulgada nas redes sociais. No material, ele é anunciado como “representante dos dirigentes da Igreja Católica” e da Comissão Justiça e Paz da CNBB. Em sua fala, afirma integrar um grupo chamado Comissão Brasileira de Justiça e Paz, supostamente “ligado à CNBB” e com viés ecumênico. A CNBB, no entanto, desmentiu qualquer relação com o magistrado e repudiou o uso indevido de seu nome em um contexto que, segundo a doutrina católica, é incompatível com a fé cristã.
Segundo o arcebispo de Olinda e Recife e segundo vice-presidente da CNBB, dom Paulo Jackson, Leador Machado não faz parte da Comissão Justiça e Paz e não tem autorização para falar em nome da entidade. “Nenhuma comissão tem autoridade para representar oficialmente a CNBB. Essa responsabilidade cabe unicamente à presidência e ao conselho permanente”, afirmou dom Paulo em nota divulgada pela conferência.
O centro “Os Guardiões”, inaugurado em Araguaína, se identifica como uma casa de Quimbanda Luciferiana, uma vertente religiosa que mescla elementos afro-brasileiros com símbolos associados ao satanismo. A Quimbanda tradicional, de matriz africana, já é alvo de controvérsias em setores conservadores, mas a versão luciferiana adota iconografias e discursos frontalmente opostos à fé cristã — o que acentuou ainda mais a gravidade da situação para os católicos.
O uso do nome da CNBB e de suas comissões em eventos dessa natureza foi classificado como um ato de usurpação simbólica grave, com potencial de escândalo entre os fiéis. A conferência reforçou que a evangelização, a promoção da justiça e a dignidade humana fazem parte de sua missão eclesial, mas sempre em comunhão com o magistério da Igreja e nunca em desacordo com a doutrina.
O episódio também reacendeu o debate sobre os limites do ecumenismo e do diálogo inter-religioso. Embora incentivado pelo Concílio Vaticano II, especialmente no documento Nostra Aetate, esse diálogo deve ocorrer com fidelidade à fé católica e respeito à Verdade revelada. A presença de alguém se dizendo católico — e representando uma entidade eclesial — em um evento que promove práticas contrárias aos ensinamentos da Igreja ultrapassa esses limites, compromete o testemunho cristão e confunde o povo de Deus.
A CNBB concluiu seu comunicado reafirmando que não reconhece nenhuma relação com o juiz aposentado Leador Machado, tampouco com o evento promovido em Araguaína, e reiterou seu compromisso com a fidelidade ao Evangelho e à missão evangelizadora da Igreja no Brasil.