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Indulgências

Crédito: Vatican Media

Como lucrar indulgências no Jubileu da Esperança

Viva o Jubileu da Esperança: portas abertas para indulgências e renovação espiritual

Poucos tesouros espirituais da Igreja são tão mal compreendidos quanto as indulgências. No contexto do Jubileu da Esperança 2025, o tema ganha especial atualidade. Não estamos falando de “comprar o Céu”, mas de um dom precioso: a remissão das penas temporais devidas pelos pecados já perdoados quanto à culpa. Vamos, então, detalhar o que a Igreja exige para lucrar indulgências durante o Jubileu, com clareza doutrinária e respaldo no Magistério.

O que é indulgência: desatando mal-entendidos seculares

Segundo o Catecismo da Igreja Católica (n. 1471), indulgência é:

a remissão diante de Deus da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel bem disposto obtém em determinadas condições, pela intervenção da Igreja.

Ou seja, indulgência não é perdão do pecado em si (isso só se obtém no sacramento da Penitência), mas remissão da pena que resta mesmo após o perdão.

Em linguagem prática: Deus perdoa a culpa, mas permanece uma desordem causada pelo pecado, que precisa ser reparada — ou nesta vida (pelas boas obras, penitências, indulgências), ou no Purgatório. É aí que a indulgência entra como auxílio extraordinário.

Por que o jubileu é um tempo especial de indulgências

A tradição dos jubileus remonta ao Ano Santo de 1300, proclamado por Bonifácio VIII. Desde então, os Papas têm associado indulgências plenárias às peregrinações, orações e obras de caridade ligadas ao Ano Santo.

No Jubileu da Esperança 2025, conforme anunciado, o Papa Leão XIV confirma a prática estabelecida pelos Papas Paulo VI e João Paulo II, mantendo as normas do Enchiridion Indulgentiarum (Manual das Indulgências, edição de 1999). Um Ano Santo é ocasião para:

  • avivar a fé,
  • obter indulgências plenárias,
  • promover conversão pessoal e social,
  • renovar a caridade e a esperança.

Condições gerais para lucrar indulgência plenária no jubileu

Para lucrar qualquer indulgência plenária, inclusive no Jubileu, é sempre necessário cumprir quatro condições básicas, estabelecidas pelo Magistério. São elas:

1. Confissão sacramental

A pessoa deve estar em estado de graça. Recomenda-se confissão próxima ao ato indulgenciado. Segundo o Manual das Indulgências, uma confissão basta para várias indulgências, se não se cometer pecado grave entre elas.

2. Comunhão eucarística

A indulgência está ligada à união íntima com Cristo. Pode-se comungar no mesmo dia do ato indulgenciado ou poucos dias antes ou depois (a Igreja costuma admitir cerca de 20 dias).

3. Oração nas intenções do Santo Padre

Não significa rezar pelas intenções pessoais do Papa, mas pelas intenções gerais da Igreja, confiadas ao Sucessor de Pedro, como evangelização, unidade e paz. Costuma-se rezar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória.

4. Exclusão de qualquer afeto a todo pecado

Este é o ponto mais delicado. Para lucrar indulgência plenária, é preciso repúdio sincero até dos pecados veniais. É algo interior, não apenas verbal. Caso falte essa disposição, obtém-se apenas indulgência parcial.

Atos específicos que conferem indulgência no Jubileu da Esperança

Além das condições gerais, há atos próprios do Ano Santo para lucrar indulgência plenária. Conforme a tradição dos jubileus e os decretos já anunciados pela Penitenciaria Apostólica para 2025, incluem-se:

Peregrinação a uma Porta Santa

O ato principal do Jubileu é atravessar a Porta Santa em Roma ou nas dioceses onde o bispo diocesano a tenha designado. O símbolo é belíssimo: Cristo é a Porta (cf. Jo 10,9). Atravessá-la manifesta:

  • vontade de conversão,
  • renovação interior,
  • união à Igreja.

Em Roma, as quatro Basílicas Maiores (São Pedro, São João de Latrão, Santa Maria Maior e São Paulo Fora dos Muros) terão Portas Santas abertas durante todo o Ano Santo.

Visita piedosa a igrejas ou lugares designados

Para quem não pode ir a Roma, cada bispo diocesano pode designar igrejas jubilares. A visita deve incluir:

  • oração do Pai-Nosso,
  • recitação do Credo,
  • oração à Virgem Maria ou ao padroeiro do local.

Participação em momentos devocionais especiais

  • Adoração eucarística prolongada (pelo menos 30 minutos).
  • Via-Sacra piedosamente realizada.
  • Recitação do Rosário em igreja, família ou comunidade religiosa.
  • Leitura espiritual da Sagrada Escritura durante, ao menos, 30 minutos.

Esses atos, já indulgenciados habitualmente, foram confirmados no contexto do Jubileu.

Exercício concreto de obras de misericórdia

No espírito do Jubileu, a Penitenciaria Apostólica concede indulgência a quem dedicar tempo e energia às obras de misericórdia, corporais ou espirituais. Ex.: visitar doentes, idosos, presos, consolar aflitos, ensinar os ignorantes na fé.

Oferta do próprio sofrimento

Para doentes e idosos que não possam sair de casa, vale a indulgência jubilar se, unidos espiritualmente ao Papa, oferecerem suas dores ou sofrimentos a Deus, rezarem e tiverem propósito de cumprir as condições habituais assim que possível.

Indulgências parciais: um tesouro também no jubileu

Nem todo ato indulgenciado é plenário. As indulgências parciais continuam existindo no Jubileu. Elas reduzem parte das penas temporais, sem as apagar totalmente. São obtidas, por exemplo, ao:

  • invocar com piedade o Santo Nome de Jesus ou Maria;
  • oferecer um pequeno sacrifício do dia;
  • rezar jaculatórias;
  • fazer uma visita breve ao Santíssimo Sacramento.

Como ensina o Manual das Indulgências, “os fiéis podem lucrar, a cada dia, várias indulgências parciais.”

A Igreja e o seu tesouro espiritual: indulgências não são moeda de troca

Convém insistir, para não deixar espaço a caricaturas: indulgências não se compram. O Concílio de Trento (Sessão XXV) condenou severamente abusos ligados à venda de indulgências. A Igreja ensina que elas fluem dos méritos de Cristo, da Santíssima Virgem e dos santos, guardados no chamado Tesouro da Igreja (cf. Catecismo, n. 1476).

Assim, ao conceder indulgências, o Papa age como dispenseiro desse tesouro. Não é magia, não é superstição, mas parte da economia da salvação que Deus confiou à Igreja.

Para que lucrar indulgências? Uma questão de amor, não de “contabilidade espiritual”

É legítimo querer indulgências para si. Mas a Igreja insiste: podemos aplicá-las em sufrágio das almas do Purgatório. É ato de caridade imenso, pois alivia as dores daqueles que esperam a visão de Deus. Santo Tomás de Aquino ensina:

Uma só Missa oferecida por uma alma no Purgatório tem mais eficácia do que todas as esmolas e orações privadas.” (S.Th., Suppl., q. 71, a. 9)

Lucrar indulgências, sobretudo no Jubileu da Esperança, é gesto de esperança, confiança na misericórdia divina e amor pelo próximo, vivos ou falecidos.

Um convite a viver o Jubileu como tempo de graça

O Papa Leão XIV, na Bula de Indicação do Jubileu, exortou:

Não seja este Ano Santo apenas um evento externo, mas ocasião para que cada cristão retorne ao Senhor de coração sincero, e com obras de misericórdia e justiça, se torne sinal da esperança que não decepciona.

Lucrar indulgências não é superstição nem automatismo. É expressão concreta de conversão e amor. No Jubileu da Esperança, a Igreja oferece-nos essa chave para abrir portas espirituais — para nós e para aqueles que ainda esperam a visão de Deus.

Que neste Ano Santo, como peregrinos de esperança, saibamos buscar indulgências com fé, humildade e caridade.

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