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Crédito: Reprodução da Internet
Com um novo conclave no horizonte, sete cardeais brasileiros estão entre os eleitores que escolherão o próximo Papa. Todos têm menos de 80 anos, conforme estabelece o Código de Direito Canônico, e representam diferentes realidades regionais, experiências pastorais e visões eclesiais dentro da Igreja no Brasil. A seguir, apresentamos uma breve trajetória de cada um desses cardeais, bem como um panorama do perfil coletivo que o Brasil leva ao colégio cardinalício.
Arcebispo de São Paulo desde 2007, Dom Odilo é uma das figuras mais experientes da Igreja no país. Criado cardeal por Bento XVI no mesmo ano, participou do conclave de 2013 e é frequentemente citado entre os nomes influentes no Vaticano. De sólida formação acadêmica, com passagens pela Congregação para os Bispos em Roma, ele equilibra firmeza doutrinária com espírito de diálogo. Sua atuação é marcada pela busca de unidade e clareza teológica em um contexto urbano desafiador.
À frente da arquidiocese do Rio de Janeiro desde 2009, Dom Orani foi criado cardeal por Papa Francisco em 2014. Cisterciense de origem, é conhecido por seu estilo pastoral acessível e por seu protagonismo durante a Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio. Atua com presença constante junto à população, especialmente nas periferias e momentos de crise. Sua experiência em lidar com a complexidade social da cidade o torna uma referência pastoral.
Com trajetória ligada à formação e ao mundo religioso, Dom João foi arcebispo de Brasília antes de ser nomeado, em 2011, prefeito do então chamado Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada. Foi criado cardeal em 2012 e desde então passou a integrar o núcleo mais próximo da reforma da vida religiosa no pontificado de Francisco. Com estilo simples e direto, sua liderança é marcada pela escuta e abertura ao discernimento comunitário.
Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Sérgio foi cardeal criado em 2016. Presidiu a CNBB em um momento de intensos desafios para a Igreja no Brasil e é conhecido por sua postura diplomática e equilibrada. Com formação teológica sólida e atenção à formação do clero, seu trabalho pastoral busca integrar doutrina e acolhimento. Também já esteve à frente da arquidiocese de Brasília, o que amplia sua visão institucional da Igreja no país.
Arcebispo de Brasília desde 2020 e cardeal desde 2022, Dom Paulo Cezar representa uma nova geração de pastores com forte formação acadêmica. Doutor pela Gregoriana de Roma, lecionou em várias instituições católicas no Brasil. Participou do Sínodo da Sinodalidade, demonstrando habilidade de diálogo e sensibilidade pastoral. É considerado uma liderança emergente na Igreja da América Latina, com capacidade de integrar reflexão teológica e ação pastoral.
Nomeado arcebispo de Manaus em 2019 e cardeal em 2022, Dom Leonardo Steiner é o primeiro cardeal amazônico do Brasil. Franciscano, teve papel importante no Sínodo da Amazônia e é conhecido por sua defesa das populações tradicionais e da ecologia integral. Sua atuação pastoral está profundamente ligada à realidade da floresta e das comunidades marginalizadas. Representa uma voz profética em sintonia com as grandes preocupações ecológicas do pontificado atual.
Atual presidente da CNBB e arcebispo de Porto Alegre, Dom Jaime foi criado cardeal por Francisco em 2024. Também franciscano, é reconhecido por sua postura equilibrada e capacidade de liderança, especialmente evidenciada durante as catástrofes naturais que atingiram o Rio Grande do Sul. Tem uma visão pastoral integrada à realidade social e ambiental, articulando respostas institucionais rápidas e compassivas aos desafios emergentes.
O conjunto dos cardeais brasileiros eleitores revela um perfil diversificado, mas profundamente coerente com os rumos da Igreja no século XXI. Há entre eles representantes de arquidioceses tradicionais e centrais, como São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro, ao lado de vozes novas como a de Dom Paulo Cezar, que combina juventude com solidez teológica. Dois franciscanos — Dom Leonardo e Dom Jaime — levam ao colégio cardinalício questões ecológicas e sociais da Igreja.