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Crédito: Reprodução/ GRAD
Um acidente ambiental chamou a atenção da população e das autoridades em Jundiaí neste mês. Um caminhão que transportava cerca de 2 mil litros de corante azul tombou no bairro Jardim Tulipas no dia 13 de maio, causando o vazamento da substância, que escoou até o Córrego das Tulipas e provocou a contaminação do leito e da fauna local.
O produto químico, utilizado para colorir embalagens de ovos, possui base de ácido acético, o que o torna corrosivo e potencialmente perigoso ao meio ambiente. A água do córrego ficou visivelmente azulada, o que também afetou diversos animais silvestres que vivem na região — como capivaras, patos e gansos, muitos deles tingidos pela substância. Aproximadamente cem peixes foram encontrados mortos, indicando o impacto imediato sobre a biodiversidade aquática.
Após o incidente, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) iniciou uma operação emergencial de contenção e limpeza. Caminhões-pipa foram utilizados para diluir o corante e acelerar o processo de dispersão da substância. Além disso, retroescavadeiras da prefeitura removeram vegetação e resíduos contaminados das margens e do leito do córrego.
Equipes da Cetesb também realizaram coletas de água para monitorar a extensão da contaminação, tanto no Córrego das Tulipas quanto em trechos do Rio Jundiaí, por onde o corante também poderia ter se espalhado.
A operação de descontaminação foi concluída no sábado, 24 de maio. De acordo com a Cetesb, desde o dia 21 já não havia mais presença visível do corante no leito do córrego.
No âmbito da fauna afetada, a ONG Associação Mata Ciliar resgatou aves contaminadas e iniciou um processo de reabilitação. Os animais passaram por banhos com detergente neutro e água morna duas a três vezes ao dia, durante cerca de uma semana, até que os resíduos do corante fossem completamente removidos das penas.
Diante da gravidade do caso, o Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito civil para investigar as causas do acidente e apurar possíveis responsabilidades. Também foram solicitadas informações à Prefeitura de Jundiaí, à Polícia Militar e à própria Cetesb sobre a recorrência de problemas ambientais no córrego, que já havia sido alvo de denúncias anteriores.
O episódio levanta preocupações sobre a segurança no transporte de produtos químicos e a vulnerabilidade de ecossistemas urbanos diante de acidentes ambientais. Especialistas apontam a necessidade de revisão nas normas de transporte e de fiscalização mais rigorosa para evitar novos episódios como este.