USD | R$5,2159 |
|---|
Crédito: Getty Images
A oscilação do dólar reflete um momento de expectativa e cautela entre investidores, diante de sinais de instabilidade nas relações econômicas entre as duas maiores potências do mundo: Estados Unidos e China.
A semana começou com o dólar em trajetória de valorização. Na segunda-feira (7), a moeda subiu com força, encerrando o dia cotada a R$ 5,91 — maior patamar das últimas semanas. Esse avanço foi puxado por um novo episódio da guerra tarifária entre Washington e Pequim, com o presidente Donald Trump anunciando uma elevação drástica nas tarifas de importação de produtos chineses, chegando a até 125%.
Já na terça-feira (8), o mercado demonstrou leve alívio, ainda que com cautela. O dólar teve uma leve baixa, encerrando a sessão a R$ 5,90. Na avaliação de analistas, o movimento representou uma pausa técnica, à espera de novos desdobramentos tanto no cenário externo quanto no doméstico.
Nesta quarta-feira (9), a tendência de queda se acentuou, levando o dólar comercial a fechar a R$ 5,85. A retração de 2,53% foi atribuída a declarações de membros do governo norte-americano, que indicaram a possibilidade de rever alguns pontos das tarifas impostas, com o objetivo de evitar um colapso nas cadeias globais de produção.
No segmento turismo — utilizado por pessoas físicas para viagens internacionais ou compra de moeda estrangeira em espécie — o dólar também apresentou queda, sendo vendido a R$ 6,06 em média. Apesar do recuo, o valor ainda é considerado elevado, refletindo custos adicionais de operação e o ambiente de incerteza que reduz a oferta da moeda no mercado de balcão.
A principal força por trás da instabilidade cambial continua sendo o embate comercial entre EUA e China. O aumento unilateral das tarifas por parte dos americanos gerou reações duras do governo chinês, que respondeu com restrições às exportações de produtos estratégicos e aumento de suas próprias tarifas contra bens importados dos EUA. Esse cenário tem gerado temor nos mercados quanto à possibilidade de uma desaceleração econômica global.
Além disso, os investidores monitoram atentamente o comportamento do Federal Reserve (banco central americano), que sinalizou manter os juros em patamares elevados por mais tempo. Juros mais altos nos EUA tornam os títulos norte-americanos mais atrativos, levando à fuga de capitais de países emergentes, como o Brasil, o que pressiona o real.
No plano interno, o câmbio também tem sido impactado pelas expectativas em torno da política fiscal e da condução da taxa básica de juros (Selic). A possibilidade de novos cortes nos juros, combinada a dúvidas sobre a capacidade do governo de cumprir metas fiscais, reduz a atratividade do Brasil para investidores estrangeiros.
A volatilidade do dólar, portanto, é resultado da convergência de pressões externas e inseguranças internas. O Banco Central brasileiro tem monitorado o movimento, e já sinalizou que pode atuar no mercado caso a volatilidade comprometa o funcionamento normal do câmbio.
Para os próximos dias, o consenso entre analistas é de que o dólar deve seguir sensível às declarações do governo norte-americano e aos desdobramentos da disputa comercial. Notícias sobre a inflação dos EUA, decisões do Fed e qualquer sinal de distensão entre Washington e Pequim podem alterar rapidamente o humor dos mercados. Apesar da queda nesta quarta, o ambiente segue incerto, e a recomendação de economistas é de prudência.