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Crédito: Reprodução da Internet
O Brasil consolidou-se em 2024 como a maior potência em energia eólica das Américas e uma das principais do mundo. Com 33,7 gigawatts (GW) de capacidade instalada, o país ultrapassou a Espanha e passou a ocupar a quinta posição global no ranking de produção eólica onshore, atrás apenas de China, Estados Unidos, Alemanha e Índia. Os dados foram divulgados pelo Global Wind Energy Council (GWEC) e por relatórios do setor energético nacional e internacional.
Esse protagonismo regional é ainda mais evidente quando comparado ao restante do continente. Enquanto os Estados Unidos concentram a maior capacidade instalada nas Américas — com mais de 155 GW —, o crescimento brasileiro é proporcionalmente mais rápido e sustentável, principalmente graças a políticas públicas, leilões competitivos e o avanço de contratos no mercado livre.
O cenário continental reflete um avanço significativo. Em 2024, as Américas respondiam por cerca de 25% da capacidade global instalada de energia eólica, o equivalente a aproximadamente 135 GW. O Brasil, os Estados Unidos e o México lideram essa produção no continente. O México, embora com uma capacidade menor — cerca de 8,7 GW —, também aparece entre os cinco principais mercados das Américas.
Segundo o GWEC, a expectativa era de que a região adicionasse cerca de 60 GW entre 2019 e 2023, meta praticamente alcançada com folga. A contribuição brasileira tem sido determinante para esses resultados.
O avanço brasileiro, no entanto, enfrentou uma leve desaceleração em 2024. Foram instalados 76 novos parques eólicos, que adicionaram 3,27 GW ao sistema — uma queda em relação aos 4,8 GW registrados em 2023. Esta foi a maior redução anual desde o período de 2018–2019.
Apesar disso, o desempenho ainda foi robusto. Em números absolutos, o Brasil foi o quinto país que mais adicionou capacidade eólica onshore em 2024, atrás de Índia, Alemanha e outras grandes potências. Em termos de turbinas instaladas, o país ficou em segundo lugar mundial, com 5,4 GW, segundo dados da WWEA (World Wind Energy Association).
Especialistas explicam que essa desaceleração está relacionada a um esgotamento temporário de contratos anteriores, ajustes regulatórios e a espera por novos projetos de grande porte. O setor projeta uma retomada significativa a partir de 2027, impulsionada pela crescente demanda de energia de data centers, mineradoras, e especialmente dos projetos de hidrogênio verde, que dependem de eletricidade limpa e estável.
Grande parte da produção eólica nacional está concentrada na região Nordeste, com destaque para estados como Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará e Piauí. Os ventos constantes e fortes dessa faixa litorânea permitem a operação de parques com alta eficiência, resultando em custos de geração extremamente competitivos — em alguns casos, abaixo de US$ 20 por MWh.
Essa vantagem atraiu um número crescente de contratos no mercado livre de energia (PPA), no qual empresas privadas contratam diretamente a geração de energia para suprir suas operações. Esse modelo foi um dos principais vetores do crescimento eólico entre 2021 e 2023, quando o país registrou crescimentos recordes no setor.
O Brasil se prepara agora para uma nova fase: a expansão da energia eólica offshore (no mar). Um marco regulatório aprovado em 2024 finalmente abriu caminho para os primeiros leilões de concessão em áreas marítimas, com potencial para gerar dezenas de gigawatts nos próximos anos.
Esses projetos são estrategicamente importantes não apenas para diversificar a matriz elétrica, mas também para permitir a instalação de usinas de hidrogênio verde. A eletrólise da água para produção de hidrogênio exige energia limpa em larga escala e de forma constante — algo que a energia eólica offshore pode fornecer com estabilidade.
Grandes grupos internacionais já sinalizaram interesse em investir no Brasil nesse segmento, que é visto como um dos pilares da transição energética global nos próximos 20 anos.
Com cerca de 28,6 GW de capacidade registrada até 2023 (número que subiu para 33,7 GW em 2024), o Brasil responde por mais de 70% da energia eólica da América Latina. Os países seguintes, como Chile (4,8 GW), Argentina (4 GW) e Uruguai (1,5 GW), operam em escalas bem menores.
A previsão é que a região latino-americana adicione 26 GW de fontes renováveis apenas em 2025, e o Brasil deve novamente liderar essa expansão.
Embora os avanços sejam notáveis, o setor ainda enfrenta desafios estruturais. Questões como a falta de linhas de transmissão em algumas regiões, entraves regulatórios e a incerteza sobre incentivos fiscais são obstáculos recorrentes apontados por analistas.
Mesmo assim, o Brasil é visto como um modelo internacional de crescimento limpo e competitivo. A expectativa do setor é de que, até 2035, a energia eólica represente cerca de 13% da matriz elétrica nacional — mais que o dobro do percentual atual (em torno de 6,5 a 8%).
A energia dos ventos, antes considerada complementar, tornou-se protagonista no futuro energético do Brasil. Com infraestrutura em expansão, vantagens naturais incomparáveis e uma política pública mais alinhada, o país caminha para ser não apenas o líder continental, mas também referência global em energia limpa.