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Crédito: Tomarchio Francesco - Shutterstock
O vulcão Etna, considerado o mais ativo da Europa, entrou em erupção nesta segunda-feira (2), lançando colunas de cinzas e fluxos de lava que reacenderam o temor de desastres naturais na região da Sicília, sul da Itália. O episódio, que durou pouco mais de cinco horas, não causou vítimas, mas provocou interrupções logísticas, mobilizou equipes de emergência e forçou turistas a abandonarem as encostas do monte em meio ao caos.
A atividade vulcânica foi detectada pelo Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) por volta das 11h20 (horário local), quando tremores começaram a ser registrados na cratera sudeste, a mais ativa do maciço. Minutos depois, uma sequência de explosões ejetou fragmentos incandescentes e gases, enquanto fluxos de lava desciam por três direções: sul, leste e norte.
A coluna eruptiva alcançou cerca de 8 quilômetros de altura, sendo visível a dezenas de quilômetros de distância. Moradores relataram tremores leves em Catânia e Nicolosi, cidades localizadas na base do vulcão. Segundo o INGV, a erupção terminou oficialmente às 16h56, mas deixou um rastro de cinzas finas cobrindo veículos, ruas e casas nos arredores.
“Foi uma erupção vigorosa, mas confinada aos limites do vulcão”, informou o geofísico Marco Neri, do centro de monitoramento de Catânia. “A atividade foi acompanhada por emissão considerável de dióxido de enxofre, algo típico em episódios desse tipo.”
Diversos vídeos circulam nas redes sociais mostrando turistas em pânico fugindo dos pontos de observação na encosta do Etna. Um grupo que fazia trilha no lado leste foi surpreendido pela nuvem de cinzas e precisou ser resgatado por guias locais. “Foi assustador. De repente, o céu escureceu e começamos a ouvir as explosões”, relatou uma visitante francesa à imprensa local.
Apesar da tensão, não houve registros de feridos. Equipes de socorro, bombeiros e a Proteção Civil foram acionados, principalmente para manter trilhas e acessos interditados. Salvo Cocina, chefe da Proteção Civil da Sicília, alertou que o vulcão está em “atividade imprevisível” e criticou o desrespeito às áreas de exclusão por parte de alguns visitantes.
“O Etna é fascinante, mas não é um parque de diversões. É um sistema geológico ativo e perigoso. Quem o trata como atração turística irresponsável coloca sua vida e a dos outros em risco”, declarou Cocina à agência ANSA.
O Aeroporto Internacional de Catânia-Fontanarossa foi temporariamente afetado pela erupção. Embora não tenha sido oficialmente fechado, voos precisaram ser atrasados ou redirecionados devido à presença de cinzas vulcânicas na atmosfera. Equipes realizaram limpezas emergenciais nas pistas e no entorno das instalações.
De acordo com a ENAV, autoridade italiana de controle aéreo, o espaço aéreo acima do Etna foi monitorado em tempo real para evitar o risco de ingestão de partículas por turbinas — um perigo conhecido e potencialmente catastrófico.
O Monte Etna é uma montanha viva — e continua crescendo. Segundo medições recentes, o vulcão alcançou 3.369 metros de altitude, seu ponto mais alto em registros históricos. Desde o segundo semestre de 2024, ele apresenta atividade contínua, com pequenas erupções frequentes. A deste início de junho é considerada a mais intensa desde agosto do ano passado.
Estudos apontam que o Etna é o resultado do encontro das placas tectônicas africana e eurasiática. A atividade tectônica na região é complexa, e os cientistas mantêm vigilância constante sobre sua evolução.
Embora a erupção tenha cessado, o nível de vigilância permanece elevado. O INGV mantém todas as estações sísmicas ativas e reforçou a necessidade de acompanhamento em tempo real. A Proteção Civil reiterou que trilhas, estradas e áreas próximas à cratera continuam interditadas até segunda ordem.