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Crédito: Flickr/US Department of Agricultre
A Secretaria Municipal de Saúde confirmou nesta semana a primeira morte por febre amarela em Jundiaí desde 2018, encerrando um intervalo de sete anos sem registros humanos da doença na cidade. A vítima é um homem de 41 anos, morador da Vila Rio Branco, que não possuía histórico de vacinação contra a enfermidade. O caso foi oficialmente validado pelo Instituto Adolfo Lutz e divulgado à imprensa no dia 2 de junho.
O paciente foi internado no Hospital de Caridade São Vicente de Paulo após apresentar sintomas compatíveis com febre amarela, incluindo febre alta, icterícia (amarelamento da pele e dos olhos), dores musculares intensas e cansaço extremo. Apesar dos esforços da equipe médica, o quadro evoluiu rapidamente para falência múltipla dos órgãos, e o óbito ocorreu no dia 9 de abril. A confirmação laboratorial da doença só veio semanas depois, após análises do instituto paulista especializado em diagnóstico e vigilância epidemiológica.
A morte representa um alerta para as autoridades de saúde da cidade e da região. Desde o início do ano, casos de febre amarela têm voltado a surgir no estado de São Paulo. Itatiba, município vizinho a Jundiaí, também confirmou recentemente um óbito relacionado à doença. Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, até o momento, foram registradas 34 mortes por febre amarela em 2025 em todo o território paulista, o que acende o sinal de preocupação, especialmente em áreas com mata nativa e grande circulação de pessoas entre zonas urbanas e rurais.
A Prefeitura de Jundiaí, por meio da Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS), reforçou a importância da vacinação como principal forma de prevenção contra a febre amarela. A vacina, eficaz e gratuita, está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município, sendo indicada a partir dos 9 meses de idade.
“É fundamental que a população busque se vacinar. A febre amarela é uma doença grave, com alta letalidade, mas que pode ser completamente evitada com uma única dose da vacina”, afirmou em nota a equipe da Vigilância Epidemiológica de Jundiaí. “Nosso foco agora é intensificar as ações de educação em saúde e ampliar a cobertura vacinal nas áreas de risco.”
Nos últimos meses, a cidade já havia registrado epizootias — mortes de macacos — em áreas de mata da região, o que normalmente antecede a circulação do vírus entre humanos. Segundo a prefeitura, desde fevereiro deste ano já vinham sendo executadas campanhas de orientação e vacinação em bairros próximos a áreas verdes, como medida preventiva.
O último caso humano de febre amarela em Jundiaí havia sido registrado em 2018, período em que o estado de São Paulo enfrentou uma das piores epidemias da doença desde a década de 1940. Naquele surto, a vacinação em massa conseguiu controlar a transmissão, e a cidade permaneceu livre de novos registros por anos.
No entanto, com o passar do tempo, a procura pela vacina caiu, e parte da população deixou de manter sua situação vacinal em dia. A febre amarela é transmitida por mosquitos silvestres, principalmente das espécies Haemagogus e Sabethes, e não tem transmissão direta de pessoa para pessoa. Os casos urbanos da doença — transmitidos pelo Aedes aegypti — não ocorrem no Brasil desde 1942, mas o risco de reurbanização do vírus não é descartado pelas autoridades.
Além da vacinação, a Prefeitura informou que segue com o monitoramento de áreas verdes, especialmente da Serra do Japi e de parques urbanos, onde há circulação de mosquitos vetores e presença de primatas. As epizootias continuam sendo investigadas com rigor. Em caso de localização de macacos mortos, a orientação é que a população comunique imediatamente a Vigilância Ambiental, sem tocar no animal.
As equipes também estão reforçando o trabalho educativo em escolas, centros comunitários e igrejas, buscando sensibilizar os moradores sobre a importância da imunização e dos cuidados ao frequentar áreas de mata, como o uso de repelente, roupas de manga comprida e atenção aos sintomas.
A vacina contra febre amarela está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Jundiaí. O atendimento é feito de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h. É necessário apresentar documento com foto e, se possível, a carteira de vacinação.
Para mais informações, o telefone da Vigilância Epidemiológica de Jundiaí são: 4527-3877 / 4527-3849