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Crédito: Comshalom / Shalom Fortaleza
O maior festival de artes integradas e música católica da América Latina acaba de alcançar um marco histórico: o Festival Halleluya, promovido pela Comunidade Católica Shalom, foi oficialmente incluído no Calendário Turístico Brasileiro. A medida foi sancionada no dia 12 de junho de 2025 e publicada no Diário Oficial da União, por meio da Lei nº 15.148. O reconhecimento, aguardado há anos por organizadores, fiéis e autoridades locais, é visto como um avanço para a promoção do turismo religioso e da cultura de paz no Brasil.
A inclusão foi resultado do Projeto de Lei nº 2.121/2022, de autoria do deputado federal Danilo Forte (União-CE), com relatoria no Senado sob responsabilidade do senador Eduardo Girão (Novo-CE). O projeto foi aprovado de forma terminativa pela Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) do Senado Federal em maio deste ano, dispensando votação em plenário.
Desde sua criação em 1997, o Festival Halleluya tem como sede principal a cidade de Fortaleza, Ceará, com edições esporádicas em outras capitais brasileiras. Ao longo de quase três décadas, o evento consolidou-se como um dos maiores encontros de música e evangelização do país, reunindo anualmente, de forma gratuita, multidões que ultrapassam um milhão de pessoas ao longo de cinco dias de programação.
A nova lei federal não apenas reconhece a importância cultural, social e econômica do festival, como também insere oficialmente o Halleluya no circuito de eventos turísticos de interesse nacional. Com essa inclusão, a expectativa é de que o festival passe a contar com mais apoio institucional para captação de recursos, melhorias logísticas e promoção internacional.
Segundo o texto da lei, o Festival Halleluya passa a integrar o calendário oficial ao lado de outros eventos que movimentam significativamente o setor de turismo, como o Círio de Nazaré em Belém e a Festa do Divino em Paraty. A decisão atende ao crescente interesse do Ministério do Turismo em fortalecer o segmento do turismo religioso, que movimenta milhões de pessoas todos os anos e representa um importante motor econômico para diversas regiões do Brasil.
A inclusão no Calendário Turístico Brasileiro tem efeitos práticos para Fortaleza e o Estado do Ceará. O festival, que já gera impacto direto em setores como hotelaria, transporte, alimentação e comércio, deverá ter seu alcance ampliado, atraindo ainda mais visitantes de outras regiões do Brasil e até mesmo do exterior.
De acordo com a Secretaria do Turismo do Ceará (Setur-CE), só na edição de 2024 o Halleluya movimentou mais de R$ 60 milhões na economia local, considerando gastos com hospedagem, alimentação, transporte, compras e lazer. O setor hoteleiro, por exemplo, costuma registrar taxa de ocupação próxima a 90% durante o período do evento.
Além disso, a Comunidade Shalom destaca que o festival não se limita à dimensão musical. O evento conta com espaços de espiritualidade, como a “Arena da Misericórdia”, onde acontecem adoração ao Santíssimo Sacramento, confissões e aconselhamento espiritual. Também há a “Arena Radical”, com atividades esportivas, a “Halleluya Kids”, voltada ao público infantil, e a “Arena Social”, que realiza campanhas de solidariedade como doação de sangue, arrecadação de alimentos e apoio a dependentes químicos.
Em pronunciamento após a sanção da lei, Moysés Azevedo, fundador da Comunidade Católica Shalom, destacou que a conquista é fruto de décadas de trabalho evangelizador e de promoção da cultura da vida e da paz. “O Halleluya nasceu de uma inspiração de Deus para levar Cristo às multidões por meio da arte e da cultura. Ver o festival sendo reconhecido em nível nacional é uma confirmação de que vale a pena evangelizar com criatividade e ousadia”, afirmou.
O deputado Danilo Forte, autor do projeto, ressaltou já havia ressaltado anteriormente a relevância socioeconômica do evento: “O Halleluya é um dos maiores ativos turísticos e culturais do Ceará. A inclusão no calendário nacional é um reconhecimento ao esforço da Comunidade Shalom e de todos os cearenses que acolhem os peregrinos e visitantes com hospitalidade”.
Já o senador Eduardo Girão, relator do projeto no Senado, frisou a importância do turismo religioso como vetor de desenvolvimento humano e espiritual: “Num momento em que o país enfrenta tantas crises morais e sociais, apoiar eventos como o Halleluya é investir na promoção de valores, na geração de empregos e na dignidade das famílias brasileiras”.
O reconhecimento federal do Halleluya ocorre em um contexto de expansão do turismo religioso no Brasil. Segundo dados do Ministério do Turismo, o segmento movimenta anualmente cerca de 20 milhões de pessoas em todo o país. Eventos como a Romaria de Nossa Senhora Aparecida, o Círio de Nazaré e agora o Halleluya fazem parte de um mapa de destinos e celebrações que atraem fiéis de diferentes regiões.
Especialistas em turismo religioso apontam que a inclusão do Halleluya no calendário nacional poderá gerar efeitos de médio e longo prazo, com maior estruturação de rotas turísticas, desenvolvimento de pacotes específicos por parte de agências de viagens e incremento das ações de marketing voltadas ao público católico.
Com a chancela federal, a expectativa dos organizadores é fortalecer parcerias com órgãos de turismo, patrocinadores e entes governamentais. A edição de 2025, prevista para o mês de julho, deve ser a primeira sob o novo status oficial, o que aumenta a responsabilidade em termos de organização, segurança e acolhimento.
Além disso, há a possibilidade de o Halleluya ganhar ainda mais projeção internacional, aproveitando o reconhecimento como evento de interesse turístico nacional para atrair caravanas de países vizinhos da América Latina.
Para a Comunidade Shalom, o objetivo permanece o mesmo: oferecer, por meio da arte, da cultura e da fé, uma experiência profunda de encontro com Deus, em um ambiente de alegria, acolhimento e comunhão.
A inclusão do Festival Halleluya no Calendário Turístico Brasileiro representa mais do que um reconhecimento administrativo. É uma validação institucional de um trabalho missionário que une fé, cultura, serviço social e desenvolvimento econômico. Para os milhares de jovens, famílias e peregrinos que anualmente se dirigem a Fortaleza para participar do evento, a nova conquista reforça um sentimento antigo: o Halleluya já faz parte da alma do Ceará. Agora, faz também parte da história do Brasil.