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Crédito: Reprodução da Internet (Via: https://www.padrealexnogueira.com/)
Como compreender espiritualmente o momento em que essas penitências chegam ao fim? O que significa o encerramento da Quaresma e a entrada no Tríduo Pascal? Que atitude interior devemos cultivar neste ponto de virada tão rico da vida litúrgica?
Desde a Quarta-feira de Cinzas até a Quinta-feira Santa, a Igreja propõe um itinerário que tem como meta a renovação interior. O jejum, a esmola e a oração não são práticas isoladas ou rituais externos; são meios de purificar o coração e reordenar os afetos para Deus. A penitência, neste tempo, é o esforço de “rasgar o coração” (Jl 2,13), ou seja, de se abrir a um encontro profundo com o Senhor que chama à conversão.
No entanto, a Quaresma não é um fim em si mesma. Ela é preparação. Todo o esforço quaresmal está orientado para a celebração da Páscoa, que é o centro da fé cristã. Por isso, quando a Igreja chega ao entardecer da Quinta-feira Santa, celebra-se uma transição litúrgica e espiritual: o tempo da penitência dá lugar ao tempo da Redenção consumada.
Tecnicamente, a Quaresma termina na Quinta-feira Santa, antes da Missa da Ceia do Senhor. É nesse momento que se abre o Tríduo Pascal, que não é mais Quaresma, mas também não é ainda tempo pascal. O Tríduo é um tempo litúrgico à parte — os “três dias santos” em que a Igreja celebra, em unidade, a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor.
Portanto, as penitências quaresmais terminam com o início da Missa Vespertina da Ceia do Senhor. A partir daí, a Igreja convida a um novo tipo de vivência espiritual: não mais de espera e purificação, mas de contemplação, adoração e comunhão com o Mistério Pascal.
O final das penitências não significa um relaxamento espiritual, como se se pudesse “voltar à rotina” depois de cumprir uma obrigação. Pelo contrário, o que a liturgia nos propõe é uma passagem de um esforço ativo de conversão para uma entrega contemplativa ao Mistério da Salvação.
Ao longo da Quaresma, o fiel foi chamado a se despojar de si mesmo. Agora, no Tríduo, é convidado a entrar na entrega total de Cristo — a deixar-se amar até o fim (Jo 13,1). Já não se trata de buscar a conversão apenas com o esforço próprio, mas de permanecer com Jesus nas horas mais íntimas da sua missão redentora: no Cenáculo, no Getsêmani, na Cruz e no túmulo.
1. Não abandonar o espírito quaresmal:
Embora as práticas específicas (como jejum e abstinência) cessem, o espírito de conversão e vigilância continua. A alma deve manter-se atenta, especialmente na Sexta-feira Santa e no Sábado Santo, que são dias de grande recolhimento.
2. Participar plenamente do Tríduo Pascal:
Esse é o ponto alto de todo o ano litúrgico. A Missa da Ceia do Senhor (Quinta-feira), a Liturgia da Paixão (Sexta-feira) e a Vigília Pascal (Sábado à noite) formam um único ato litúrgico, que se estende por três dias. Participar de todo o Tríduo é, espiritualmente, uma das formas mais plenas de viver a fé cristã.
3. Renovar as promessas batismais com sinceridade:
Na Vigília Pascal, toda a Igreja renova seu Batismo. Este é o ápice do tempo litúrgico: quem se purificou na Quaresma, agora renasce com Cristo para uma vida nova. A água batismal, abençoada na noite santa, simboliza essa passagem do pecado à graça.
4. Fazer uma confissão bem feita, se ainda não a fez:
Embora o ideal seja confessar-se durante a Quaresma, ainda é possível — e oportuno — fazê-lo antes da Páscoa, especialmente no Sábado Santo. A confissão restaura a alma e a prepara para receber as graças da Ressurreição com um coração limpo.
5. Viver a alegria da Páscoa com intensidade:
O término das penitências abre espaço para a plenitude da alegria pascal. Cristo venceu a morte! O tempo de jejum dá lugar ao banquete da vida. Mas esta alegria não é mundana: é a alegria da fé, da graça, da liberdade dos filhos de Deus.
Em resumo, o final das penitências da Quaresma marca o momento em que o cristão é chamado a deixar de lutar com suas próprias forças para mergulhar no Mistério da Cruz com um coração rendido. Não se trata de abandonar a busca pela santidade, mas de reconhecer que a salvação é dom, é graça, é amor derramado por nós até o fim.
Ao terminar esse tempo de sacrifício, o fiel é convidado a entrar, com reverência e confiança, na celebração da Páscoa do Senhor, onde o sofrimento se transforma em glória e a morte dá lugar à vida eterna. Esse é o verdadeiro fruto da penitência: uma alma aberta para acolher o Ressuscitado.