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Crédito: Reprodução - TV Pai Eterno
Nos últimos dias, uma cena inusitada e encantadora tomou conta das redes sociais e de veículos internacionais de imprensa: duas freiras brasileiras, com véus bem postos e hábito religioso completo, dançaram e improvisaram beatbox ao vivo em um programa de televisão católico. O episódio, além de arrancar sorrisos e aplausos, reacendeu uma antiga verdade do Evangelho: a alegria cristã é irresistível, contagiante e, acima de tudo, profundamente missionária.
As religiosas que viralizaram são Irmã Marizele Cassiano e Irmã Marisa de Paula, da Congregação Copiosa Redenção. A cena aconteceu durante uma participação no programa “Pai Eterno”, da TV Pai Eterno, emissora voltada à evangelização. No momento em que falavam sobre vocação e a importância dos encontros com jovens, a conversa naturalmente evoluiu para a música.
Irmã Marizele começou a fazer beatbox e, em resposta espontânea, Irmã Marisa começou a dançar, visivelmente envolvida pela leveza e pelo ritmo. O apresentador, Diácono Giovani Bastos, entrou na brincadeira, resultando em uma cena que rapidamente ultrapassou as fronteiras da televisão e ganhou o mundo digital. O vídeo chegou à imprensa internacional, sendo noticiado por veículos como a Associated Press.
A Irmã Marizele explicou posteriormente que tudo foi absolutamente espontâneo. Ela tem usado o beatbox como instrumento pastoral, especialmente no trabalho com jovens em situação de vulnerabilidade social. “A música é uma linguagem que toca o coração”, afirmou. Desde a repercussão do vídeo, sua conta no Instagram ultrapassou os 100 mil seguidores — um reflexo claro de como a autenticidade evangeliza.
Mas as brasileiras não são as únicas religiosas a usarem a música como ponte para anunciar Cristo. A banda Siervas, formada por freiras de várias nacionalidades — Peru, Chile, Japão, Filipinas, entre outros — também tem se destacado. Unidas por seu carisma evangelizador, elas utilizam o rock e o pop latino como instrumentos de missão.
A banda já se apresentou em eventos de grande porte, inclusive para o Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude. Com quatro álbuns lançados, sete videoclipes e presença em plataformas como Spotify e iTunes, as Siervas têm conquistado não só fiéis, mas também muitos que jamais imaginariam encontrar consolo em canções feitas por religiosas. E tudo isso sem cobrar cachê — elas recebem apenas doações, que são destinadas às obras sociais da congregação.
Outro caso emblemático é o de Cristina Scuccia, a religiosa italiana que ficou conhecida como Irmã Cristina ao vencer, em 2014, o programa The Voice Itália. Sua apresentação no reality musical causou comoção: uma freira com uma voz poderosa, interpretando hits populares, arrancou aplausos dos jurados e viralizou mundialmente.
Após o sucesso no programa, Irmã Cristina assinou com a Universal Music e lançou o álbum Sister Cristina. Contudo, em 2022, ela anunciou que havia deixado a vida religiosa. Apesar disso, sua trajetória até aquele ponto serviu como testemunho da ousadia de Deus em surpreender o mundo por meio dos meios mais improváveis.
O que todas essas histórias têm em comum? A alegria cristã — não a superficial, passageira e eufórica, mas aquela que brota da certeza do amor de Deus e da esperança que não decepciona (Rm 5,5). A verdadeira alegria do cristão é fecunda, missionária, ousada. Não se trata de animar plateias, mas de tocar almas. A risada que emerge dessas cenas é uma porta de entrada para algo muito maior: a experiência do encontro com Cristo vivo.
O Papa Francisco tem insistido, desde o início de seu pontificado, que “um cristão triste é um cristão triste” — no pior sentido do termo. E São Paulo VI, na exortação Evangelii Nuntiandi, já afirmava: “O mundo de hoje precisa mais de testemunhas do que de mestres; e se escuta os mestres, é porque são testemunhas”.
Essas freiras, com sua musicalidade, espontaneidade e coragem, não traem a tradição da Igreja; ao contrário, atualizam a beleza da missão: ser tudo para todos, para ganhar a todos para Cristo (1Cor 9,22).
A evangelização, sobretudo no tempo presente, exige ousadia criativa. Não se trata de banalizar o sagrado, mas de comunicar, com verdade e caridade, que a fé católica é viva, encarnada, acessível. Quando uma freira dança, canta ou faz beatbox com dignidade e alegria, ela não está “quebrando protocolos” — ela está abrindo caminho.
Afinal, como já ensinava São Filipe Néri, o santo da alegria: “Tristeza e melancolia, eu as chuto para longe de mim”. E que venham mais freiras assim — alegres, fiéis, ousadas. A messe é grande, e os trabalhadores… bem, alguns também sabem cantar.