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Crédito: Vatican Media
Após a morte de um Papa, o protocolo prevê um período de cerca de nove dias de luto oficial, conhecido como Novemdiales, durante o qual são celebradas Missas em sufrágio por sua alma. O velório costuma começar dois a três dias após o falecimento, para permitir a preparação do corpo e a chegada de fiéis de todo o mundo. O corpo do Papa será velado na Basílica de São Pedro, sem a tradicional passagem pelo Palácio Apostólico.
Durante esse período, os fiéis poderão passar diante do caixão, colocado diretamente sobre o chão da basílica, sem tronos ou elevações. Diferente do costume, o báculo papal — símbolo do governo espiritual — não será posto junto ao caixão, revelando a decisão de Francisco por um testemunho de humildade até o fim.
O funeral propriamente dito ocorre normalmente no quinto ou sexto dia após a morte, e é celebrado na Praça de São Pedro. A cerimônia dura cerca de duas a três horas, e é presidida pelo decano do Colégio Cardinalício.
Nesse rito, será respeitado o desejo de Francisco por uma liturgia mais enxuta, com a exclusão de títulos pomposos. Ele será lembrado como “bispo de Roma”, “pastor” e “servo de Deus”. Milhares de fiéis, além de líderes civis e religiosos, estarão presentes — mas a presença mais comovente será a do povo simples, que ele sempre colocou em primeiro lugar.
Após a Missa exequial, o Papa Francisco será sepultado na Basílica de Santa Maria Maior — decisão inédita para um pontífice moderno. Esse gesto reflete sua devoção pessoal à Virgem Maria sob o título de Salus Populi Romani, a quem confiava todas as suas viagens e decisões.
Será um gesto cheio de sentido: o Papa repousando aos pés da Mãe, como um filho que retorna ao colo após cumprir sua missão.
O testamento, redigido no dia 29 de junho de 2022, revelava o desejo profundo de um Papa que sempre quis estar próximo do povo e longe das pompas do mundo. Francisco pediu que seu túmulo fosse no chão, simples, sem ornamentos nem elementos de ostentação, com apenas uma única inscrição: “Franciscus”.
Ainda em seu testamento, o Papa pediu que os custos do sepultamento fossem assumidos por um benfeitor previamente designado, e não pelos cofres do Vaticano. Essa é mais uma prova de sua preocupação com a sobriedade e com o testemunho evangélico que queria deixar — até mesmo no modo de partir.
Em 2024, o Papa Francisco reformou o protocolo fúnebre dos papas. Aboliu a prática dos três caixões tradicionais (madeira, chumbo e carvalho), optando por um único caixão de madeira com interior de zinco, mais simples e simbólico. Também ordenou que seu corpo fosse exposto sem ornamentos, sem almofadas, sem tronos.
Ele quis, até o fim, ser um com o povo — servo entre servos, irmão entre irmãos.
O funeral de Francisco será, mais do que um rito, um testemunho. Ele nos lembrará que a grandeza não está na pompa, mas no amor vivido. Que a Igreja é mais forte quando se abaixa para servir. E que a vida cristã — mesmo no momento da morte — é um anúncio da ressurreição.
Francisco preparou sua despedida com a mesma fé com que viveu cada dia do seu pontificado. E assim, nos deixou uma última homilia — não em palavras, mas em silêncio.