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Crédito: Vatican Media
A morte do Papa Francisco, primeiro pontífice latino-americano da história, gerou reações emocionadas em todo o planeta — inclusive em um campo que ele tanto amava: o futebol. Confesso torcedor do San Lorenzo de Almagro, tradicional clube argentino, Jorge Mario Bergoglio jamais escondeu sua paixão pelo esporte e frequentemente o utilizava como metáfora para a vida cristã.
Desde a confirmação de sua morte, clubes, atletas e torcedores passaram a prestar homenagens ao Papa que amava o futebol como quem ama o povo: com ternura, humildade e autenticidade.
Ainda jovem, Bergoglio cresceu nos bairros simples de Buenos Aires, onde a bola improvisada com meias ou papel era instrumento de fraternidade. Essa experiência o acompanhou até o papado. Como líder da Igreja, não foram raras as vezes em que usou o futebol para explicar valores como solidariedade, trabalho em equipe, respeito ao próximo e espírito de sacrifício.
Durante encontros com atletas, dizia com frequência: “Joguem com o coração, não apenas com os pés”. E foi essa espiritualidade simples, moldada nas arquibancadas e nos campos de terra batida, que o aproximou de torcedores e ídolos ao redor do mundo.
A comoção logo se espalhou. O San Lorenzo, clube do coração do Papa, prestou uma homenagem especial com faixas, oração coletiva no estádio e minutos de silêncio antes da partida seguinte. Jogadores entraram em campo com camisas estampando a imagem do pontífice, e torcedores ergueram cartazes com a frase: “Obrigado, Francisco. Leva contigo nosso coração”.
Na Europa, clubes como Barcelona, Napoli, PSG e Benfica manifestaram pesar e solidariedade à Igreja e ao povo argentino. Bandeiras a meio mastro, mensagens nas redes sociais e camisas personalizadas marcaram os tributos. A seleção argentina de futebol, com Lionel Messi à frente, publicou uma nota de despedida ressaltando a espiritualidade e o amor do Papa pelo povo e pelo esporte. “Francisco foi exemplo de fé e simplicidade. Um homem que nos ensinou que também é possível ser santo com uma bola nos pés”, escreveu Messi.
Na América Latina, diversas federações e clubes se uniram em homenagens públicas. No Brasil, o São Paulo FC iluminou o Morumbi em branco e dourado, enquanto o Santos FC recordou a visita de representantes do clube ao Vaticano em 2019. A CBF e outras confederações nacionais convocaram orações em suas sedes. Em várias cidades, grupos de torcedores participaram de missas em sufrágio da alma do Papa, muitos vestidos com as camisas de seus times.
As homenagens também vieram das torcidas organizadas. Em Buenos Aires, torcedores do Boca Juniors e do River Plate — arquirrivais históricos — deixaram flores e bandeiras em frente à embaixada do Vaticano. No Chile, no México e nas Filipinas, igrejas receberam grupos de torcedores que transformaram o luto em oração.
Nas redes sociais, jogadores como Mbappé, Di María, Buffon, Salah, Cristiano Ronaldo e outros expressaram admiração por Francisco, destacando sua humildade, sua simpatia e sua maneira única de comunicar esperança. Do futebol africano ao asiático, mensagens de carinho e gratidão reforçaram o impacto universal do Papa argentino.
Francisco via no futebol uma ponte entre gerações, culturas e religiões. Defensor do esporte como ferramenta de paz, acolheu no Vaticano seleções de países em conflito. Em 2022, durante um encontro com jovens atletas, disse: “Não tenham medo de serem santos em chuteiras”. Foi mais do que uma frase: tornou-se lema para muitos.
Ele acreditava que o futebol era um espaço privilegiado para evangelizar, especialmente os jovens. Por isso, seu legado ultrapassa os limites do campo: Francisco mostrou que fé e esporte podem caminhar lado a lado, que um torcedor pode também ser discípulo, e que a bola, quando jogada com amor, se torna instrumento de Deus.
A comoção gerada pela morte de Francisco evidenciou o lugar que ele ocupava no coração de milhões, inclusive dos que raramente entravam numa igreja, mas que o reconheciam como homem de verdade, pastor de todos e, acima de tudo, um de nós.
No Vaticano, camisas de clubes e seleções foram deixadas aos pés das colunas da Praça de São Pedro, em gesto de homenagem espontânea. Em meio a orações e lágrimas, uma frase se repetia entre os torcedores: “Hoje o céu ganha um Papa e o futebol perde um apaixonado”.