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Crédito: Adobe Stock
O governo do México anunciou a suspensão parcial do embargo às importações de carne de frango do Brasil, uma medida adotada no mês passado após a confirmação de um foco de gripe aviária de alta patogenicidade (H5N1) no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul. A decisão mexicana ocorre após articulações técnicas e diplomáticas conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que buscou demonstrar o controle sanitário do foco e defender a regionalização das restrições — ou seja, a limitação do embargo apenas às áreas afetadas.
Segundo o MAPA, a flexibilização representa uma vitória significativa na tentativa de mitigar os efeitos econômicos do surto de influenza aviária sobre as exportações brasileiras. Com a nova diretriz, o México mantém o bloqueio apenas aos produtos avícolas provenientes do Rio Grande do Sul, enquanto autoriza a retomada das importações de outros estados brasileiros. A medida permite que empresas fora da zona de foco retomem as vendas ao mercado mexicano, um dos mais relevantes parceiros comerciais da avicultura nacional.
Em nota divulgada no dia 9 de junho, o ministério explicou que “o reconhecimento da regionalização é resultado de intenso diálogo entre autoridades sanitárias dos dois países e da transparência na comunicação sobre o foco isolado da doença”. Ainda segundo o MAPA, a doença foi rapidamente controlada, e não houve registro de disseminação entre plantéis comerciais fora da zona isolada.
Se, por um lado, o México deu um passo positivo em direção à normalização do comércio com o Brasil, por outro, a Mauritânia decidiu manter o bloqueio total às exportações de carne de frango brasileira, sem distinção geográfica. A decisão contraria a política de regionalização defendida por Brasília, que busca evitar a penalização de produtores de estados não afetados.
Já o Sultanato de Omã adotou uma posição intermediária: mantém restrições específicas aos produtos originários do Rio Grande do Sul, mas segue importando de outros estados brasileiros. A postura omani se alinha à de outros países como Japão, Chile, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos, que reconheceram os esforços sanitários brasileiros e optaram por limitar os bloqueios à zona de ocorrência do foco.
A avicultura brasileira, uma das maiores do mundo, é altamente dependente das exportações. Em 2023, o Brasil exportou cerca de 5 milhões de toneladas de carne de frango, movimentando mais de US$ 9 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O Rio Grande do Sul, epicentro do surto atual, responde por aproximadamente 12% desse total.
O impacto do embargo temporário causado pela gripe aviária — mesmo que parcial — gerou instabilidade no setor. Estima-se que, apenas nas primeiras semanas após o anúncio do foco, as perdas tenham ultrapassado os US$ 100 milhões, devido ao cancelamento de contratos, sobrecarga no armazenamento interno e queda de preços no mercado doméstico.
Com mais de 60 países tendo adotado alguma forma de restrição às exportações brasileiras desde o fim de maio, o governo federal intensificou os esforços diplomáticos para reverter os bloqueios. A atuação do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, tem se concentrado em reuniões bilaterais, envio de missões técnicas e campanhas de informação junto às embaixadas estrangeiras. A regionalização tem sido o argumento central dessas negociações, com o objetivo de garantir previsibilidade ao comércio exterior e proteger as cadeias produtivas.

Se nenhum novo foco de gripe aviária for identificado, o Brasil poderá declarar oficialmente o fim do surto no prazo de 28 dias após o último registro. Isso abriria caminho para a retomada plena das exportações e redução da instabilidade no setor. O acompanhamento contínuo das zonas de contenção e a transparência nos dados epidemiológicos serão essenciais para recuperar a confiança de mercados ainda reticentes, como a própria Mauritânia.
A expectativa do setor produtivo é que, com a reabertura gradual dos mercados e a valorização do dólar frente ao real, as exportações retomem o ritmo anterior ao embargo ao longo do segundo semestre. No entanto, a experiência acendeu um alerta: o Brasil, embora livre de gripe aviária em produção industrial até recentemente, está exposto à entrada do vírus por aves migratórias, exigindo investimento constante em biossegurança.