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Crédito: Reprodução da Internet
Há quem diga que, na hora da morte, as sombras parecem mais densas e as tentações, mais fortes. O demônio investe tudo para arrancar a alma da graça. Mas há também quem afirme — e a tradição católica o confirma — que o céu se faz mais próximo nesse instante. E ninguém se faz tão próxima do agonizante quanto Maria. É daí que nasce o “suspiro mariano”: invocar o nome de Maria no último momento. Não é superstição, mas doutrina sólida, confirmada por santos, papas e doutores. Santo Afonso de Ligório é contundente: “Quem perseverar em invocar Maria até à morte, certamente se salvará.”
A confiança em Maria na hora da morte é teologicamente sólida porque se enraíza na missão singular que Deus lhe deu. O Gênesis anuncia a Mulher que esmagará a cabeça da serpente (Gn 3,15). Nos Evangelhos, vemos Maria sempre presente nos momentos decisivos da Redenção — da Anunciação ao Calvário. Não é pouca coisa que, sob a Cruz, Cristo a tenha dado como Mãe a João, e, nele, a toda a Igreja (Jo 19,26-27). Como recorda São João Paulo II na Redemptoris Mater: “Na sua maternidade espiritual, Maria abraça cada homem e cada mulher.”
A partir do século II, já se encontra entre os Padres da Igreja a prática de invocar Maria nos perigos da vida e na morte. Santo Irineu a chama de “advogada”. São Efrém fala dela como “refúgio dos pecadores”. Santo Germano de Constantinopla chega a dizer: “Ó Senhora, quem seria salvo sem ti?” Nos séculos seguintes, a devoção se consolida. São Bernardo de Claraval, no famoso “Lembrai-vos”, ensina que nunca se ouviu dizer que alguém tenha recorrido a Maria sem ser atendido. Santo Afonso de Ligório, no seu clássico Glórias de Maria, repete à exaustão: “Quem ama Maria, tem o paraíso assegurado.”
A tradição espiritual ensina que o demônio redobra os ataques na hora da morte, tentando semear desespero ou presunção. Mas também ensina que Maria, nesse instante, é particularíssima intercessora. O Concílio de Trento reafirmou a doutrina da intercessão dos santos. E a Igreja sempre aplicou isso de modo especial a Maria. São Luis Maria Grignion de Montfort diz: “Maria é o caminho mais fácil, mais curto, mais perfeito e mais seguro para irmos a Jesus.” No leito de morte, esse caminho torna-se estrada de salvação.
É por isso que, no coração do terço, a Igreja repete: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte.” Nenhuma frase é tão mariana e tão escatológica. O Catecismo (n. 2677) afirma que “ao entregar-nos a Maria, confiamos-lhe desde agora e especialmente na hora da nossa morte.” É doutrina sólida que Maria não abandona os seus filhos na agonia.
Diversos santos partiram deste mundo pronunciando o doce nome de Maria. Santo Afonso Rodrigues morreu dizendo: “Jesus… Maria…” Santa Teresa de Ávila recomendava às suas freiras: “Na hora derradeira, pronunciai com fé o nome de Maria e sereis salvas.” São Camilo de Lellis, padroeiro dos enfermos, pedia que murmurassem o nome de Maria ao ouvido dos agonizantes. São José Cafasso exortava: “Oh, morrei dizendo: Jesus e Maria!”
Nada disso é mágica. É pura fé. O nome de Maria traz consigo a presença daquela que é “Onipotência suplicante”, como ensinou São Bernardino de Sena. Não é que Maria substitua Cristo: ela intercede junto d’Ele. O Concílio Vaticano II na Lumen Gentium (n. 62) declara: “A função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum obscurece ou diminui esta mediação única de Cristo, antes mostra a sua eficácia.”
Os santos ensinam que, no momento de comparecer perante o tribunal divino, ter Maria como advogada é a maior segurança. Santo Afonso chega a dizer que “um pecador que recorre a Maria não se perde, porque Ela lhe alcança a perseverança final.” São Francisco de Sales ensina: “Não temais morrer, pois Maria vos assistirá.”
A devoção prática ao suspiro mariano inclui:
A Igreja recomenda fortemente indulgências ligadas ao Terço e à oração do Santo Nome de Maria. Além disso, diversas ordens religiosas inserem a invocação mariana nas preces para moribundos.
No fundo, o suspiro mariano é o eco de um amor maternal que não abandona seus filhos. É o sinal de que, na hora extrema, há uma Mãe junto ao leito. Quem morre invocando Maria, morre com esperança. Ou, como escreveu São Luís Maria Grignion de Montfort: “Se Maria vos sustenta, não caireis. Se Ela vos protege, nada tendes a temer. Se Ela vos conduz, não vos cansareis.”