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Jejum

Crédito: Reprodução da Internet

Jejum católico: A arma invisível que move o Céu e transforma a alma

Das páginas da Bíblia às normas do Código de Direito Canônico, o jejum revela seu poder como sacrifício que une o fiel a Cristo e fortalece a alma na batalha espiritual

As raízes do jejum: desde o Antigo Testamento até Cristo

Na fé católica, o jejum não é moda espiritual, mas prática antiquíssima que atravessa toda a história da salvação. No Antigo Testamento, vemos Moisés jejuar quarenta dias antes de receber as Tábuas da Lei (Ex 34,28). Os profetas, como Joel, conclamavam o povo ao jejum como sinal de conversão: “Convertei-vos a mim de todo o vosso coração, com jejuns, com lágrimas e com gemidos” (Jl 2,12).

No Novo Testamento, o próprio Cristo dá o exemplo ao jejuar quarenta dias no deserto (Mt 4,2), vencendo o tentador. Além disso, ensina a forma correta de jejuar, sem ostentação: “Quando jejuardes, não vos mostreis tristes como os hipócritas…” (Mt 6,16). A Igreja, desde seus primeiros séculos, herdou e aperfeiçoou esta prática, disciplinando-a para proteger o verdadeiro espírito de penitência e união com Deus.

Por que jejuar? O sentido espiritual segundo o Magistério

O Catecismo da Igreja Católica (n. 2043) lembra que jejuar está entre os preceitos fundamentais para a vida cristã. Não é um simples exercício dietético, mas um ato que integra o corpo à conversão do coração. O Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrosanctum Concilium (n. 110), ensina que a penitência corporal, inclusive o jejum, ajuda o fiel a dominar a concupiscência, a abrir-se à oração e às obras de caridade.

Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica (II-II, q.147, a.1), explica que o jejum tem três fins principais: reprimir as inclinações desordenadas da carne, elevar o espírito a Deus e satisfazer pelos pecados. Não se trata de flagelar o corpo inutilmente, mas de ordenar os sentidos ao bem maior, que é Deus.

Tipos de jejum reconhecidos pela Igreja Católica

A Igreja Católica, em sua disciplina e tradição, reconhece diversas formas legítimas de jejum. São principalmente estas:

  • Jejum e abstinência “estritos”: praticados em datas específicas (como Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa), onde o fiel faz apenas uma refeição completa no dia, podendo ingerir algo leve em dois outros momentos, se necessário. A carne deve ser evitada nesses dias.
  • Jejum parcial: consiste em reduzir significativamente a quantidade ou qualidade da alimentação, sem restrições tão rígidas como no jejum estrito. Era muito praticado antigamente, inclusive durante toda a Quaresma.
  • Abstinência: não é jejum propriamente dito, mas renúncia a determinado alimento (como carne às sextas-feiras). A Igreja pede que, fora de Solenidades, a sexta-feira seja dia de penitência, preferencialmente com abstinência de carne (CIC n. 1438; Código de Direito Canônico, cân. 1251).
  • Jejuns devocionais pessoais: fiéis podem livremente jejuar em outros períodos do ano, seja por intenção especial, seja por devoção. Alguns jejuam nas vésperas de festas marianas, nas primeiras sextas-feiras ou em dias dedicados a penitência particular.
  • Jejum eucarístico: obrigação de não ingerir alimentos ou bebidas (exceto água ou remédio) durante ao menos uma hora antes da recepção da Sagrada Comunhão (CIC n. 919). Antes de Pio XII, esse jejum era desde a meia-noite.
  • Jejuns penitenciais extraordinários: proclamados pela Igreja em tempos de crise, guerra ou calamidade, como forma de clamor coletivo a Deus. Exemplos históricos incluem jejuns convocados pelos papas em tempos de guerra ou pestes.

Quando a Igreja manda jejuar? Calendário canônico e tradição viva

O Código de Direito Canônico atual (cân. 1251-1252) estabelece apenas dois dias obrigatórios de jejum e abstinência: Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa. Além disso, todas as sextas-feiras do ano são dias penitenciais, exigindo alguma forma de mortificação, podendo ser substituída por outra prática penitencial ou obra de caridade, exceto nas Solenidades.

Historicamente, porém, o calendário era mais vasto. Até a reforma de 1966 (Papa Paulo VI, Paenitemini), jejuava-se em várias vigílias de festas, em quase toda a Quaresma e em certos dias conhecidos como “Quatro Témporas” (advento, quaresma, pentecostes e setembro), que uniam oração e jejum para santificar as estações do ano. Essas práticas caíram em desuso legal, mas podem ser livremente observadas como devoção.

Jejum e caridade: o alerta constante da Igreja

Nenhum ato de jejum tem valor espiritual se não estiver unido à caridade. Isaías já advertia: “Acaso é este o jejum que escolhi: que o homem se humilhe por um dia, curve a cabeça como junco, deite-se sobre saco e cinza? (…) Acaso não é este o jejum que escolhi: soltar as cadeias injustas, desatar as correias do jugo, pôr em liberdade os oprimidos…” (Is 58,5-6).

A tradição católica insiste que o jejum deve resultar em obras concretas. O Papa Francisco, na mensagem para a Quaresma de 2018, disse: “Jejum significa aprender a mudar nossa atitude em relação aos outros e a todas as criaturas: da tentação de devorar tudo para saciar nossa avidez, para a capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração.

Santo Agostinho ensinava que a esmola e o jejum andam juntos: “O que economizas com o jejum, dá-o ao pobre.” O jejum sem amor transforma-se em simples dieta; com amor, é arma espiritual poderosa.

Jejum, penitência e batalha espiritual: a visão tradicional

Os Santos Padres e Doutores da Igreja sempre viram o jejum como parte da militia Christi — o combate espiritual que todo fiel deve travar contra o pecado, o mundo e o demônio. Santo Atanásio dizia: “O demônio nada teme tanto quanto o jejum e a oração.” São João Maria Vianney acrescentava: “Não há nada tão poderoso para expulsar os demônios como o jejum e a oração.”

É por isso que em grandes crises, papas e santos conclamaram jejuns coletivos. O Rosário e o jejum foram armas usadas na Batalha de Lepanto (1571), quando São Pio V convocou toda a cristandade a jejuar e rezar pela vitória contra os turcos. O jejum, na visão católica, não é apenas sacrifício pessoal, mas ato comunitário capaz de mover a misericórdia divina sobre povos inteiros.

Jejum na prática: recomendações e prudência

Embora a Igreja incentive o jejum, ela também ensina a prudência. Estão dispensados dele crianças, idosos debilitados, enfermos, gestantes e pessoas que, por motivos de saúde, não possam jejuar sem grave prejuízo. O Código de Direito Canônico (cân. 1252) obriga o jejum apenas aos maiores de idade até completar 60 anos, e a abstinência desde os 14 anos.

Além disso, o jejum nunca deve virar escravidão psicológica ou obsessão. São Francisco de Sales ensinava: “Jejuai, sim, mas não até vos tornardes irritáveis ou incapazes de cumprir vossos deveres.” O equilíbrio é chave: jejuar para a glória de Deus e bem das almas, não para se vangloriar ou arruinar a saúde.

Jejum, a disciplina esquecida que pode salvar almas

Jejuar não é só uma prática antiga. É um convite atual da Igreja para combater nossos vícios, abrir o coração a Deus, rezar com maior profundidade e ajudar quem precisa. É disciplina que educa corpo e alma, lembrando que não somos escravos dos apetites, mas filhos destinados ao Céu.

Num tempo marcado por excessos e superficialidades, redescobrir o jejum católico — bem orientado, vivido com amor, unido à oração e à caridade — pode ser uma das maiores armas para restaurar a fé, a pureza de coração e até a saúde espiritual da sociedade. Porque, como ensinou Nosso Senhor, “certas espécies de demônios não se expulsam senão pela oração e pelo jejum” (Mt 17,21, em algumas tradições manuscritas).

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