USD 
USD
R$5,1851up
23 jun · FX SourceCurrencyRate 
CurrencyRate.Today
Check: 23 Jun 2026 20:35 UTC
Latest change: 23 Jun 2026 20:26 UTC
API: CurrencyRate
Disclaimers. This plugin or website cannot guarantee the accuracy of the exchange rates displayed. You should confirm current rates before making any transactions that could be affected by changes in the exchange rates.
You can install this WP plugin on your website from the WordPress official website: Exchange Rates🚀
confissão com um padre

Crédito: Reprodução da Internet

Jesus nos mandou confessar nossos pecados. Mas por que isso precisa ser feito a um padre?

Mais que um desabafo: a confissão sacramental é uma instituição divina, enraizada nas Escrituras, na tradição judaica e no ensinamento constante da Igreja

A prática da confissão dos pecados a um sacerdote é, para a fé católica, um dom deixado por Cristo à sua Igreja. Longe de ser uma invenção humana ou uma prática tardia, trata-se de um sacramento instituído pelo próprio Jesus e preservado fielmente ao longo dos séculos. Para compreendê-la plenamente, é necessário mergulhar nas raízes bíblicas, na continuidade com a tradição judaica e na clareza do ensinamento do Magistério da Igreja.

Instituição do Sacramento por Cristo

O fundamento direto da confissão sacramental se encontra em João 20, 21-23, após a Ressurreição:

Jesus disse-lhes outra vez: ‘A paz esteja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio’. Depois dessas palavras, soprou sobre eles e disse: ‘Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os retiverdes, serão retidos’.

Este é o momento da instituição do sacramento da Penitência. Aqui, Cristo concede aos apóstolos um poder divino: o de perdoar ou reter pecados. Ora, para que possam exercer esse poder, é necessário que os pecados sejam confessados a eles, de modo que possam julgar se devem perdoar ou reter.

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) confirma isso:

Cristo instituiu o sacramento da Penitência para todos os membros pecadores da sua Igreja: antes de tudo para os que, depois do Batismo, caíram em pecado grave e, assim, perderam a graça batismal e feriram a comunhão eclesial.” (CIC 1446)

Com efeito, Cristo confiou o exercício do poder de absolvição ao ministério apostólico.” (CIC 1461)

A Tradição Judaica: Raízes do Sacramento

Antes de Cristo, já existia entre os judeus a ideia de confessar pecados diante de um representante de Deus. No Levítico 5,5-6, por exemplo, a confissão precede o sacrifício de expiação:

Será, pois, que, quando for culpado de alguma destas coisas, confessará aquilo em que pecou. Depois trará ao Senhor, como oferta pela culpa, uma fêmea de gado miúdo… e o sacerdote fará expiação por ele do seu pecado.

A confissão oral do pecado era seguida por um ato de reconciliação, realizado por um sacerdote, que oferecia um sacrifício e intercedia pelo perdão divino. Assim, os sacerdotes do Antigo Testamento exerciam uma mediação entre o pecador e Deus.

A Carta aos Hebreus (Hb 5,1) fala dessa função sacerdotal:

Todo sumo sacerdote é escolhido dentre os homens e constituído em favor dos homens nas coisas que se referem a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados.

Ou seja, desde o Antigo Testamento, há uma mediação sacerdotal nos pecados, o que Cristo não destruiu, mas aperfeiçoou e cumpriu em plenitude, conferindo essa mediação sacramental aos seus apóstolos e, por sucessão, aos presbíteros e bispos da Igreja.

O Testemunho dos Primeiros Cristãos

Na Igreja primitiva, a confissão pública dos pecados era comum — e sempre diante de um bispo ou presbítero. São João Crisóstomo, grande doutor da Igreja, já dizia:

Não te peço que te exponhas em público nem que te acuses diante de outros: apenas que obedeças ao profeta que diz: Revela o teu caminho ao Senhor. Confessa teu pecado, não com a língua, mas na tua consciência” (Homilias sobre os Salmos).

Com o tempo, a confissão pública deu lugar à confissão auricular (particular), especialmente a partir do século V com os monges irlandeses, mas sempre diante de um sacerdote, pois somente ele tem o poder de absolver os pecados em nome de Cristo.

Testemunho dos Padres da Igreja

Santo Ambrósio, bispo de Milão, ensina:

É verdade que o Senhor pode perdoar todos os pecados. Mas quis que os seus ministros também tivessem esse poder, porque confiou à Igreja o poder de perdoar os pecados.” (De Poenitentia, I, 1,1)

Santo Agostinho também escreve:

Os homens fazem penitência sob os sacerdotes, e recebem deles os remédios sacramentais, de modo que a culpa seja perdoada ou retida.” (Sermo 392)

Doutrina da Igreja: Magistério e Concílios

O Concílio de Trento (1545-1563), diante dos erros da Reforma Protestante, reafirmou a doutrina católica com toda clareza:

Se alguém disser que a confissão sacramental não foi instituída por instituição divina ou que não é necessária para a salvação segundo o direito divino, seja anátema.” (Sessão XIV, Cân. 6)

E também:

Desde que os pecados devem ser perdoados na Igreja somente pelos ministros dela, é manifesto que os penitentes devem fazer uma confissão de todos os pecados mortais… ainda que sejam ocultos.” (Sessão XIV, cap. 5)

O Código de Direito Canônico, atual, reforça isso:

A confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário pelo qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja.” (Cân. 960)

Significado Espiritual e Teológico

A confissão sacramental não é apenas um ato judicial ou um desabafo psicológico. É um reencontro com Cristo, que nos cura, nos liberta e nos reconcilia com o Corpo místico da Igreja. O sacerdote age in persona Christi (na pessoa de Cristo), como ensina o Catecismo:

Quando os ministros da Igreja perdoam os pecados em nome de Cristo e pela força do Espírito Santo, Deus age por meio deles.” (CIC 1442)

Uma Prática Antiga, Santa e Necessária

A prática de confessar os pecados a um padre não é invenção medieval, mas um ensinamento que atravessa os séculos desde os tempos apostólicos. Fundada nas palavras de Jesus, prefigurada no Antigo Testamento, confirmada pela Tradição e ensinada pelo Magistério, a confissão sacramental é um verdadeiro canal de graça.

Na confissão, o penitente não encontra um juiz severo, mas o médico da alma, o pai misericordioso, o próprio Cristo que perdoa e abraça.

Compartilhe

Sobre o autor

Publicidade

mais notícias

Filme “Todas Elas em Uma” estreia nos cinemas em maio e leva aos palcos da tela uma poderosa experiência musical sobre o feminino, a vida e o amor. Entre os dias 11 e 12 de maio, o filme será exibido nos cinemas com distribuição da Kolbe Arte em parceria com a Oficina Viva Produções, em 10 salas espalhadas pelo Brasil.
Advento, o tempo em que a esperança toma forma e prepara o coração para a luz que vem
Um chamado renovado às graças que transformam e sustentam o coração cristão.
Os 14 auxiliadores revelam como o Céu se inclina para socorrer aqueles que permanecem fiéis
Santa Catarina de Alexandria — a mente que desarmou impérios e o coração que não traiu Cristo
Cristo Rei reina do alto da cruz e conduz o tempo até a plenitude da sua glória
Onde a música se faz oração, o coração encontra o caminho da santidade
A reencarnação não cabe onde Cristo salva de uma vez para sempre
Reparação é devolver amor a quem nunca deixou de amar
A firmeza de São Odão de Cluny recorda que a verdadeira reforma começa no interior
Santo Alberto Magno foi um sábio que fez da inteligência um ato de fé viva
O Batismo é um começo sobrenatural que redefine quem somos e para onde caminhamos