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Crédito: Divulgação / Contigo
O que deveria ser uma viagem rotineira entre Foz do Iguaçu e Curitiba terminou em tragédia e mistério na madrugada desta quinta-feira (31), em Guarapuava, no Paraná. Uma jovem de 20 anos, ainda não identificada oficialmente, morreu após sofrer convulsões dentro do ônibus em movimento.
Segundo relato do motorista à Polícia Rodoviária Federal (PRF), a passageira começou a apresentar sinais de mal-estar por volta da meia-noite. Ele decidiu parar em um ponto seguro da rodovia e acionou o socorro médico. Passageiros tentaram ajudar enquanto aguardavam a ambulância, mas a jovem não resistiu e faleceu antes de receber atendimento especializado.
O corpo foi recolhido pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Guarapuava, que realizará exames para determinar a causa exata da morte.
Durante a remoção do corpo, funcionários da empresa e passageiros notaram que havia objetos volumosos sob as roupas da vítima. Ao examinar o corpo, encontraram 26 iPhones embalados em plástico e fita adesiva, colados em torno do abdômen, do tórax e das pernas.
A PRF confirmou a apreensão dos aparelhos e comunicou que a origem e o destino dos celulares ainda estão em investigação. A Polícia Civil abriu um inquérito para esclarecer o caso, que poderá ser remetido à esfera federal caso seja configurado contrabando ou descaminho.
Ainda não se sabe se o peso e a compressão dos aparelhos tiveram relação direta com a morte. Especialistas ouvidos por veículos de imprensa alertam, no entanto, que manter objetos colados ao corpo em viagens longas pode trazer riscos sérios à saúde. A pressão contínua sobre o abdômen e o tórax pode dificultar a circulação sanguínea, gerar desconforto respiratório e favorecer crises em pessoas predispostas.
“Mesmo que não tenha sido a causa definitiva da morte, esse tipo de transporte aumenta o risco de problemas circulatórios, desmaios e até paradas cardiorrespiratórias”, explica o médico-legista aposentado Carlos Mendes, em entrevista à rádio local. O laudo do IML será decisivo para confirmar ou descartar essa hipótese.
O uso do próprio corpo para ocultar mercadorias ilegais não é novidade para autoridades brasileiras. Segundo dados da PRF, o transporte de celulares colados ao corpo é uma prática frequente nas rotas entre Foz do Iguaçu e grandes capitais do Sul e Sudeste. O método é usado para tentar evitar apreensões em ônibus e vans.
Normalmente, os aparelhos são comprados no Paraguai, onde têm preço mais baixo, e vendidos em território brasileiro sem pagamento de impostos. Esse tipo de prática caracteriza crime de descaminho, com pena que pode chegar a quatro anos de prisão.
O caso de Guarapuava, no entanto, chamou atenção não apenas pelo número de aparelhos, mas pelo desfecho trágico, que expõe o risco físico de quem se submete a essas operações clandestinas.
Além de colocar vidas em risco, o transporte ilegal de eletrônicos representa prejuízos significativos ao país. Estimativas da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) apontam que o contrabando de celulares movimenta centenas de milhões de reais por ano, afetando a arrecadação de impostos e a competitividade de empresas que operam dentro da lei.
A PRF reforçou que mantém fiscalizações constantes em rodovias estratégicas para combater o contrabando, que muitas vezes está ligado a redes maiores de criminalidade organizada. “Casos como este evidenciam o perigo de se envolver com atividades ilícitas, que podem ter consequências fatais”, disse o porta-voz regional da corporação.
O episódio rapidamente repercutiu nas redes sociais e na imprensa internacional pela combinação de mistério, ilegalidade e tragédia. Muitos internautas demonstraram espanto e pesar, enquanto outros destacaram os riscos de se envolver em atividades criminosas por ganhos financeiros.
O inquérito policial segue em andamento. Os 26 iPhones estão apreendidos e passarão por perícia para identificação de origem e rastreamento de possíveis compradores ou intermediários. O laudo do IML, esperado para os próximos dias, será decisivo para esclarecer a causa da morte e determinar se houve relação entre o transporte dos aparelhos e o mal súbito da jovem.
As autoridades reforçam que ninguém foi preso até o momento e que o caso serve de alerta sobre os riscos físicos, legais e morais de tentar lucrar com o contrabando.