USD | R$5,0631 |
|---|
Crédito: Reprodução da Internet
Poucos textos na Sagrada Escritura brilham tanto quanto o Magnificat. Trata-se não apenas de um cântico bonito, mas de uma síntese poética e teológica do coração católico. É a voz da Virgem Maria, elevada em júbilo diante das maravilhas que Deus realizou nela e através dela para toda a humanidade. Para a Igreja, o Magnificat não é só memória devocional: é liturgia viva, é doutrina, é profecia e é também, para cada fiel, um modelo de oração, humildade e esperança.
O Magnificat encontra-se no evangelho segundo São Lucas, capítulo 1, versículos 46 a 55. É pronunciado por Maria durante sua visita a Santa Isabel, logo após o anúncio do anjo Gabriel de que ela seria a Mãe do Salvador. Quando Isabel, cheia do Espírito Santo, exclama: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” (Lc 1,42), Maria responde com esse cântico sublime.
O termo “Magnificat” vem da primeira palavra do texto em latim: Magnificat anima mea Dominum — “A minha alma engrandece o Senhor.” Embora tenha raízes profundas no Antigo Testamento, sobretudo nos cânticos de mulheres como Ana, mãe de Samuel (cf. 1Sm 2,1-10), o Magnificat supera todos os cânticos veterotestamentários, pois é pronunciado pela própria Mãe do Redentor, e já prenuncia a plenitude dos tempos messiânicos.
O Magnificat é um hino dividido, classicamente, em três partes:
Do ponto de vista doutrinário, o Magnificat revela verdades fundamentais:
Não se entende o Magnificat fora da Mariologia. O cântico revela Maria como:
São João Paulo II, na encíclica Redemptoris Mater, observa que no Magnificat Maria “exprime sua espiritualidade e a consciência da sua missão” (n. 36). A Igreja lê neste cântico não só palavras de Maria, mas da própria Esposa de Cristo, que, como Maria, vive para glorificar o Senhor.
Na vida da Igreja, o Magnificat ocupa lugar privilegiado, sobretudo na Liturgia das Horas. É recitado ou cantado todos os dias nas Vésperas, a oração do entardecer. Não é casual: ao rezar o Magnificat, a Igreja coloca nos lábios de cada fiel a oração de Maria, unindo a própria vida à obra salvífica de Deus.
O Concílio Vaticano II ressaltou essa dimensão comunitária do cântico, dizendo que Maria “ocupa, depois de Cristo, o lugar mais alto e o mais próximo de nós” (Lumen Gentium, 54). Rezar o Magnificat é, portanto, colocar-se sob o manto de Maria para louvar o Senhor pelos mesmos prodígios que Ele continua realizando na vida da Igreja e do mundo.
Espiritualmente, o Magnificat tem valor imenso:
Santos e místicos, como Santo Afonso Maria de Ligório, recomendavam rezar frequentemente o Magnificat para atrair graças especiais. Segundo a tradição, São Francisco de Assis ordenava que o Magnificat fosse rezado após cada refeição, em gratidão.
Diversos documentos do Magistério destacam a importância do Magnificat. Vale citar:
Estes documentos confirmam que o Magnificat é oração plenamente católica, profundamente enraizada na doutrina, e jamais pode ser reduzido a mero texto histórico ou folclórico.
Em nossos dias, o Magnificat permanece atual. É voz dos pobres, oração dos pequenos, denúncia contra a soberba e a injustiça. Não se trata apenas de poesia, mas de compromisso cristão. Ao rezá-lo, o católico assume a missão de Maria: engrandecer o Senhor e colaborar para que Ele continue “derrubando do trono os poderosos e exaltando os humildes.”
Em tempos de crise, perseguições, injustiças ou mesmo desânimo pessoal, o Magnificat é um bálsamo. Maria canta as grandezas de Deus porque sabe que nenhuma situação está fora de Suas mãos. É o cântico da vitória do bem, mesmo em meio às sombras do mundo.
O Magnificat é, em essência, um cântico que jamais envelhece. Ecoa pelos séculos, sempre novo, sempre profundo. É oração pessoal e comunitária, doutrina e profecia, louvor e esperança. Quando a Igreja o recita, é a própria voz de Maria que continua ressoando, engrandecendo o Senhor, proclamando que Deus é fiel às Suas promessas e que, no final, a misericórdia triunfará.
Que cada católico aprenda, com Maria, a cantar também o seu Magnificat, para que o mundo veja, ainda hoje, as maravilhas do Senhor.