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Crédito: Reprodução da Internet
Padre Pio nasceu em Pietrelcina, no sul da Itália, em 1887. Entrou na ordem dos capuchinhos ainda jovem e foi ordenado sacerdote em 1910. Sua vida parecia destinada ao ministério paroquial comum, mas o inesperado aconteceu: começaram a surgir nele sinais extraordinários, como os estigmas da Paixão de Cristo, que permaneceram visíveis por cinquenta anos. Ao mesmo tempo, milhares de fiéis testemunhavam curas físicas e espirituais ligadas à sua intercessão. O que impressiona é que ele jamais buscou os holofotes: permaneceu fiel ao confessionário, à missa e ao acolhimento dos sofredores.
A devoção popular, por mais intensa que seja, não basta para declarar alguém santo. A Igreja Católica segue normas rigorosas: primeiro, analisa a vida da pessoa, verificando a prática heroica das virtudes; depois, exige a comprovação de pelo menos um milagre para a beatificação e outro para a canonização. Milagre, aqui, significa algo absolutamente inexplicável pelas ciências naturais e claramente ligado à intercessão do candidato. Esse processo envolve médicos, teólogos, bispos e, por fim, a decisão do Papa.
O milagre que abriu o caminho da beatificação de Padre Pio foi a cura de Consiglia (Lina) De Martino, uma italiana que sofria de uma doença grave e incurável. Médicos acompanharam o caso, registraram o histórico e atestaram que não havia tratamento eficaz disponível. Após recorrer com confiança à intercessão de Padre Pio, Consiglia recuperou-se de modo súbito e duradouro. A comissão médica do Vaticano concluiu que não havia explicação científica plausível. Esse foi o sinal oficial que permitiu a Igreja declarar: Deus confirmou a santidade de seu servo.
O segundo milagre reconhecido, fundamental para a canonização, aconteceu com Matteo Pio Colella, um menino de apenas sete anos, internado em estado crítico devido a meningite fulminante. Os médicos já não tinham esperança. Sua mãe rezou insistentemente a Padre Pio, pedindo sua intercessão. A recuperação do menino foi tão rápida e completa que surpreendeu a equipe médica. A comissão do Vaticano avaliou os prontuários e decretou: a cura é cientificamente inexplicável. Assim, em 16 de junho de 2002, São João Paulo II canonizou Padre Pio diante de uma multidão de fiéis na Praça de São Pedro.
Na doutrina católica, o milagre é sempre um sinal. Não é espetáculo para atrair curiosos, nem prova matemática para convencer céticos. É um gesto de Deus que confirma a fé, desperta confiança e orienta os fiéis para o essencial: a conversão e a vida de santidade. Padre Pio não foi canonizado por ter estigmas ou por fenômenos extraordinários, mas por ter vivido a caridade, a obediência, a oração e o serviço com heroísmo. O milagre serve para confirmar o caminho percorrido, não para substituí-lo.
Um dos legados mais tangíveis de Padre Pio é a Casa Sollievo della Sofferenza, hospital inaugurado em 1956 em San Giovanni Rotondo. Esse centro médico, até hoje em funcionamento, nasceu de sua visão de unir fé e ciência em favor dos doentes. A instituição mostra que sua espiritualidade não ficou restrita ao campo do extraordinário, mas se traduziu em obras concretas de misericórdia. A santidade verdadeira sempre gera frutos sociais e comunitários.
Diante dos milagres de São Pio de Pietrelcina, é preciso equilíbrio. De um lado, evitar a ingenuidade supersticiosa que transforma qualquer relato em sinal divino. De outro, rejeitar o ceticismo que se recusa a considerar a possibilidade de que Deus intervenha de modo extraordinário na história. O método católico une fé e razão, devoção e ciência, espiritualidade e prudência. Aceitar o juízo da Igreja sobre os milagres é confiar que o Espírito Santo guia também as suas instituições.
Os milagres atribuídos a São Pio de Pietrelcina não são apenas histórias para edificar piedade; são sinais oficiais, reconhecidos pela Igreja, de que sua vida refletiu a presença de Deus. O essencial, porém, não está nos milagres, mas no modo como ele viveu: oração constante, disponibilidade para ouvir, paciência diante do sofrimento e caridade sem medidas. O milagre extraordinário confirma a santidade ordinária — a mesma à qual todo cristão é chamado.
Como lembrou São João Paulo II na canonização: “A vida e a missão de Padre Pio provam que as dificuldades e as aflições, aceitas por amor, se transformam num caminho privilegiado de santidade.”