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Crédito: EFE/Michael Kappeler
Na manhã de 7 de maio de 2025, a Basílica de São Pedro se encheu de fé e expectativa com a celebração da Missa Pro Eligendo Romano Pontifice, a solene liturgia que marca oficialmente o início do conclave para a eleição do novo Papa. Diante do altar da Cátedra, os cardeais se uniram em súplica ao Espírito Santo para que conduza, com sabedoria divina, o discernimento que recai sobre os ombros do Colégio Cardinalício.
A celebração foi presidida pelo Cardeal Giovanni Battista Re, Decano do Colégio Cardinalício, com participação dos 133 cardeais eleitores — aqueles com menos de 80 anos — e de outros membros do Sacro Colégio que, embora não votem, unem-se espiritualmente à Igreja neste momento crucial. Na homilia, o Cardeal Re fez um veemente apelo à unidade e à comunhão, pedindo que os eleitores se deixem guiar não por critérios humanos ou políticos, mas pela docilidade ao Espírito Santo. O tom foi sóbrio, firme e profundamente eclesial, reafirmando a missão da Igreja de ser sinal de salvação no mundo contemporâneo.
A Missa Pro Eligendo, celebrada com paramentos vermelhos em alusão ao Espírito Santo, remonta a uma tradição secular da Igreja, na qual se reconhece que a eleição do Sumo Pontífice não é simples escolha humana, mas resposta a uma convocação divina. A liturgia foi marcada por canto gregoriano, pela proclamação da Palavra e por uma atmosfera de recolhimento, própria de quem se prepara para um dos momentos mais solenes da vida eclesial.
Após a missa, os cardeais retornaram à Casa Santa Marta e, à tarde, seguirão em procissão até a Capela Sistina. Ao som do hino Veni Creator Spiritus, os eleitores invocarão mais uma vez a presença do Espírito Santo. No interior da capela, irão realizar o juramento solene de manter absoluto segredo sobre todo o processo de eleição. Após o comando ritual Extra Omnes! (“Todos para fora!”), apenas os cardeais e os poucos assistentes autorizados permanecerão no recinto, dando início ao conclave propriamente dito, por volta das 16h15 (horário de Roma).
Ainda nesta tarde está prevista a primeira votação. Embora raramente produza resultado imediato, ela tem grande valor simbólico e estratégico. A expectativa é de que, por volta das 19h (horário de Roma), surja a primeira fumaça pela chaminé da Capela Sistina: preta, se nenhum nome tiver atingido os dois terços necessários (ou seja, ao menos 89 votos); branca, se já houver Papa eleito — algo pouco provável no primeiro escrutínio, mas não impossível.
O conclave que agora se inicia pode durar de dois a quatro dias, a depender do ritmo das votações e da convergência entre os cardeais. Desde as reformas pós-conciliares, os dias seguintes ao início seguem com quatro votações diárias — duas pela manhã e duas à tarde. Durante o processo, não são permitidas comunicações externas, e os cardeais vivem em regime de isolamento, hospedados na Casa Santa Marta.
Mais do que um evento político ou institucional, o conclave é, para os católicos, um acontecimento espiritual e universal. A Igreja inteira se une em oração, consciente de que a eleição do novo sucessor de Pedro é obra que deve nascer da escuta e da fidelidade à vontade de Deus. Como recordou o Cardeal Re em sua homilia, “a Igreja precisa de um Papa que a conduza com coragem, fidelidade e santidade pelos caminhos do mundo atual”.
Resta agora ao mundo aguardar os sinais vindos da Capela Sistina. Enquanto a fumaça não revela o novo nome que ocupará a cátedra de Pedro, a Igreja permanece em silêncio orante, confiando ao céu aquilo que só pode ser compreendido à luz da fé: a escolha do Pastor que há de guiar o rebanho de Cristo.