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Crédito: Mario Tomassetti/Vatican Media
Milhares de fiéis de todo o mundo se reúnem no Vaticano para prestar as últimas homenagens ao Papa Francisco, falecido na segunda-feira, 21 de abril, aos 88 anos. O pontífice argentino, conhecido por seu estilo pastoral próximo e pela defesa incansável dos pobres e excluídos, morreu em decorrência de um acidente vascular cerebral após dias de complicações respiratórias. Desde então, uma sequência de ritos litúrgicos e decisões logísticas tem marcado a preparação de um dos eventos mais simbólicos da história recente da Igreja.
Logo após a constatação oficial do falecimento, realizada pelo cardeal camerlengo Kevin Joseph Farrell, teve início a execução do protocolo da Sede Vacante. No dia seguinte, o corpo do pontífice foi submetido a um moderno processo de embalsamamento, escolhido para permitir a exposição por tempo prolongado durante o velório sem deterioração visível — uma exigência em razão da comoção popular e da esperada grande afluência de fiéis.
Seguindo o desejo deixado por Francisco, o caixão confeccionado exclusivamente em madeira foi simples, abolindo os tradicionais três cofres funerários que envolvem os papas falecidos. Também foi dispensado o uso do catafalco — estrutura elevada onde normalmente é colocado o corpo — no interior da Basílica de São Pedro. Na manhã de quarta-feira, 23 de abril, o caixão foi levado da residência de Santa Marta até o altar da Confissão, onde repousa agora diante da tumba de São Pedro, para a visitação pública.
Diante da intensa movimentação de fiéis, que deve ultrapassar 200 mil pessoas até o fim da semana, o Vaticano estuda ampliar os horários de acesso à basílica. Medidas rigorosas de segurança foram implementadas, com mais de 4.000 agentes mobilizados e o espaço aéreo sobre Roma sendo restrito.
O funeral será realizado no sábado, 26 de abril, às 10h (5h no horário de Brasília), na Praça de São Pedro, e será conduzido pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício. Líderes políticos e religiosos de diversas nações confirmaram presença, incluindo chefes de Estado como Emmanuel Macron, Donald Trump, Volodimir Zelenski e os reis da Espanha. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, também comparecerá, acompanhado por representantes do Congresso Nacional.
Diferentemente de seus antecessores, Francisco será sepultado fora da Cidade do Vaticano. O local escolhido foi a Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, onde descansará próximo ao venerado ícone bizantino “Salus Populi Romani” — imagem mariana à qual o Papa dedicava especial devoção. Trata-se de uma decisão inédita desde o início do século XX e condizente com a vida e o legado de um Papa que sempre rejeitou ostentações.
O velório seguirá até a véspera do funeral, em clima de oração, gratidão e emoção. Enquanto o mundo católico se despede de Francisco, os olhos da Igreja se voltam também para o futuro, com a expectativa da realização do conclave que elegerá seu sucessor nos próximos dias.