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Crédito: Reprodução da Internet
A aparição de Nossa Senhora do Bom Sucesso é uma das manifestações marianas mais proféticas e profundamente eclesiais da história da Igreja. Acontecida no século XVII, em Quito, no atual Equador, recebeu aprovação eclesiástica plena e tem sido objeto de crescente interesse, especialmente por sua impressionante atualidade. A Virgem apareceu a uma freira concepcionista espanhola, Madre Mariana de Jesús Torres (1563–1635), revelando não apenas consolações espirituais, mas também duras advertências sobre o futuro da Igreja, especialmente nos séculos XIX e XX.
Essa aparição não deve ser confundida com devoções semelhantes em Portugal ou no Brasil. Aqui tratamos da Nossa Senhora do Bom Sucesso do Quito, aprovada por três bispos sucessivos, com autorização explícita para a veneração pública da imagem e celebração litúrgica no calendário local. A mensagem é plenamente coerente com a fé, doutrina, Magistério e tradição católica, centrada na luta espiritual, na fidelidade ao sacerdócio e na necessidade da penitência.
A história começa com a chegada de um grupo de religiosas concepcionistas espanholas a Quito, no final do século XVI, com o objetivo de fundar um mosteiro de clausura. Entre elas estava a jovem Mariana de Jesús Torres. Desde cedo, ela demonstrou dons místicos extraordinários, uma espiritualidade profunda e uma devoção abrasadora à Paixão de Cristo e à Santíssima Virgem.
As dificuldades internas na fundação, os conflitos com religiosas mundanas e as intervenções do inferno marcaram o início dessa obra. Mas, como é típico da história dos santos e das grandes obras de Deus, foi no meio das provações que o Céu começou a falar com mais clareza. Em 2 de fevereiro de 1594, festa da Purificação de Nossa Senhora, a Virgem apareceu a Madre Mariana sob o título de Nossa Senhora do Bom Sucesso da Purificação, e o nome ficou consagrado desde então.
A imagem que foi esculpida conforme as instruções da própria Virgem e milagrosamente finalizada por anjos, representa Maria com o Menino Jesus nos braços e um báculo na mão esquerda — símbolo de seu governo sobre o mosteiro — e um cinto franciscano, como sinal de pobreza e humildade. O semblante é sereno, mas firme. O olhar parece atravessar os séculos.
Essa imagem foi solenemente coroada pelo bispo local, Dom Salvador de Ribera, em 1611, e até hoje permanece no mosteiro das Concepcionistas Recoletas em Quito. Segundo a própria Mãe Santíssima, a devoção a essa invocação seria esquecida por muito tempo, mas revivida nos dias de maior tribulação da Igreja, quando a fé estivesse em declínio e a impiedade se espalhasse até entre os consagrados.
Um dos aspectos mais marcantes das aparições é a clareza com que Nossa Senhora descreve os ataques futuros à Igreja, à fé católica e à moral. Segundo relatos deixados por Madre Mariana, e analisados por teólogos católicos, a Virgem revelou que:
– No final do século XIX e no século XX, a heresia se espalharia de modo quase irrestrito, inclusive dentro do clero
– A castidade seria praticamente extinta, mesmo em seminários e conventos
– A inocência das crianças seria gravemente atacada
– Os sacramentos seriam profanados, especialmente a Eucaristia e a Confissão
– A modéstia e o pudor desapareceriam, e a moda indecente se tornaria causa de perdição
– A autoridade eclesiástica seria corrompida por maus pastores
– Muitos dos que deveriam falar calariam por temor humano ou respeito humano
O mais chocante, porém, é que essas palavras foram ditas mais de dois séculos antes do surgimento dos grandes movimentos ideológicos modernos, como o liberalismo, o comunismo e a revolução cultural do século XX. São profecias que hoje parecem manchetes de jornais.
A serva de Deus Mariana de Jesús não foi uma vidente passiva. Pelo contrário, aceitou voluntariamente sofrer expiações místicas pelas ofensas contra Deus cometidas nos séculos futuros. Entre essas penitências estavam doenças misteriosas, humilhações públicas, perseguições internas e até experiências místicas do inferno, do purgatório e das dores da Paixão de Cristo.
Ela foi favorecida com numerosos êxtases, aparições de anjos e revelações privadas de altíssima elevação teológica. Ofereceu sua vida como vítima pela Igreja e pela salvação das almas, de modo semelhante ao que faria séculos depois Santa Teresinha do Menino Jesus.
Em várias ocasiões, morreu misticamente e retornou à vida, sendo sustentada apenas pela Eucaristia. Sua morte final ocorreu em 1635, em odor de santidade. Em 1906, seu corpo foi encontrado incorrupto.
Durante séculos, a devoção a Nossa Senhora do Bom Sucesso ficou limitada ao Equador, em parte devido à clausura rigorosa do mosteiro, mas também devido a uma certa resistência em divulgar profecias tão duras. No entanto, a beatificação de Madre Mariana começou a ser promovida com mais vigor no século XX, especialmente diante do cumprimento evidente de muitas profecias.
A Congregação para a Doutrina da Fé jamais emitiu qualquer censura ou reserva em relação às aparições. Pelo contrário, como foram aprovadas localmente com solidez, e por diversos bispos sucessivos, a devoção pode ser livremente propagada, sempre com os critérios da prudência e do discernimento espiritual.
Apesar do teor dramático das revelações, a mensagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso é, acima de tudo, de esperança sobrenatural. A Mãe de Deus prometeu que, quando tudo parecesse perdido, Deus interviria de maneira milagrosa, restaurando a disciplina eclesiástica, purificando o clero, devolvendo o esplendor da fé e suscitando almas verdadeiramente santas e heroicas. Esse tempo, segundo a tradição ligada à aparição, seria breve, mas glorioso, como uma aurora antes do fim.
É uma exortação clara aos leigos para que rezem, façam penitência, defendam a fé católica e permaneçam fiéis à tradição, mesmo que tudo desabe ao redor. A Virgem nos convida à perseverança, à devoção mariana fervorosa e à confiança em Deus, mesmo em meio à mais espessa escuridão.
No contexto atual de confusão doutrinária, secularismo crescente e escândalos no seio da própria Igreja, a mensagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso é uma luz potente. Ela nos lembra que as crises não são o fim, mas o prelúdio da intervenção de Deus. Não se trata de alarmismo, mas de vigilância espiritual.
Conhecer essa aparição é um ato de caridade para com os católicos que se sentem perdidos. Propagá-la é ajudar a preparar o terreno para o triunfo da verdade e da fé. E venerar Nossa Senhora sob este título é reconhecer o papel absolutamente central de Maria na restauração da Igreja, conforme já ensinaram São Luís de Montfort, São João Bosco e tantos outros.
A devoção à Nossa Senhora do Bom Sucesso é, portanto, um chamado à resistência espiritual, à santidade e à confiança inabalável na vitória de Cristo e de sua Igreja.
“Nas horas mais sombrias da Igreja, brilhará aquele que se consagrar à Mãe de Deus.“