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Crédito: Reprodução da Internet (Via: https://blog.quadrante.com.br/)
No sacramento da Eucaristia, o próprio Cristo se oferece sob as espécies do pão e do vinho, permanecendo verdadeiramente presente — Corpo, Sangue, Alma e Divindade — para alimentar e santificar o seu povo. Trata-se do cumprimento definitivo da promessa de Deus: “Eis que estarei convosco todos os dias” (Mt 28,20)
Na véspera de sua Paixão, Jesus celebra com os Apóstolos a ceia pascal, memorial da libertação do povo hebreu da escravidão do Egito. No entanto, Ele transforma essa ceia judaica num novo e eterno sacrifício. A Páscoa antiga cede lugar à Páscoa definitiva, pois já não se oferece o cordeiro da antiga aliança, mas o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1,29).
Ao tomar o pão e o vinho, e ao pronunciar as palavras: “Isto é o meu Corpo” e “Este é o cálice do meu Sangue”, Jesus antecipa sacramentalmente o que consumará no Calvário. Assim, Ele institui a Santíssima Eucaristia e, ao mesmo tempo, o Sacerdócio ministerial, para perpetuar esse mistério na Igreja por meio da celebração da Santa Missa.
Cada ação de Cristo durante a Ceia possui uma profundidade teológica e espiritual imensa:
Os evangelistas Mateus (26,26-29), Marcos (14,22-25) e Lucas (22,14-20), assim como São Paulo (1Cor 11,23-26), narram de forma semelhante a ceia da Páscoa, realçando a profundidade do gesto de Cristo. A fórmula “Fazei isto em memória de mim” é ao mesmo tempo um mandamento litúrgico e um chamado ao seguimento radical. A celebração eucarística torna presente o único sacrifício de Cristo, de modo incruento, por meio da ação sacramental.
A Eucaristia é:
A celebração da Missa da Ceia do Senhor na Quinta-feira Santa abre solenemente o Tríduo Pascal. Nesse dia, a Igreja recorda com amor e reverência a instituição da Eucaristia; a instituição do Sacerdócio ministerial; o Mandamento novo do amor: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 13,34); o gesto do lava-pés, que revela a lógica do serviço na vida cristã, além de realizar a transladação do Santíssimo Sacramento ao “Horto” preparado para a Adoração silenciosa, rememorando a agonia de Jesus no Getsêmani.
Desde os primeiros séculos, a Igreja sempre defendeu com firmeza a presença real de Cristo na Eucaristia. Os Padres da Igreja, como Santo Inácio de Antioquia, São Justino Mártir, Santo Agostinho e São João Crisóstomo, expressaram a fé na transformação do pão e do vinho no Corpo e Sangue do Senhor.
O Concílio de Trento (século XVI) reafirmou solenemente a transubstanciação, ou seja, a mudança da substância do pão e do vinho nas substâncias do Corpo e do Sangue de Cristo, ainda que as aparências (espécies) permaneçam.
O Catecismo da Igreja Católica ensina:
“No santíssimo sacramento da Eucaristia ‘estão contidos verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue, juntamente com a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo” (CIC, §1374).
A Eucaristia molda o cristão. Quem comunga do Corpo de Cristo é chamado a viver como Cristo: em amor, oblação e caridade. Os frutos da Eucaristia são:
Santos como São Tomás de Aquino, Santa Teresinha, São João Paulo II e São Padre Pio viveram a Eucaristia como centro da existência. Carlo Acutis dizia: “A Eucaristia é a minha estrada para o céu.”
A Instituição da Eucaristia é o dom de Cristo por excelência. Na Quinta-feira Santa, a Igreja não apenas recorda esse mistério, mas o revive sacramentalmente, com reverência, gratidão e adoração. A resposta do fiel a esse dom deve ser uma vida eucarística: centrada no amor, no serviço e na constante busca da santidade. Cristo nos deixou Ele mesmo, que se faz presente e se entrega através do sacerdote.
A Eucaristia é, como dizia São João Paulo II, “o tesouro mais precioso da Igreja”. Diante desse mistério, só podemos nos prostrar e dizer, com os discípulos de Emaús: “Fica conosco, Senhor!” (Lc 24,29).