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Crédito: Pintura de Isaías na Sacristia de São Marcos, no Santuário da Santa Casa de Loreto, por Melozzo da Forlì, cerca de 1477.
A história do profeta Isaías é uma das mais marcantes do Antigo Testamento. Seu chamado, descrito no capítulo 6 do livro que leva seu nome, revela com profundidade o modo como Deus chama, purifica e envia aqueles que Ele escolhe para anunciar Sua Palavra. Isaías é, para a Igreja Católica, um dos maiores profetas, e sua missão ecoa até hoje, especialmente em sua ligação com o anúncio do Messias.
Isaías viveu em Jerusalém durante o século VIII a.C., num tempo de crise moral, religiosa e política para o povo de Judá. O reino estava dividido, a idolatria se espalhava e a aliança com Deus era constantemente desprezada. É neste cenário que o Senhor suscita Isaías como voz profética que chama à conversão e à fidelidade.
O chamado acontece por meio de uma visão sublime, descrita no capítulo 6:
“No ano da morte do rei Ozias, vi o Senhor sentado num trono alto e elevado; a cauda do seu manto enchia o Templo. Serafins estavam de pé junto dele…” (Is 6,1-2)
Isaías vê o trono de Deus, rodeado de serafins que proclamam: “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos!” (Is 6,3). Diante da glória divina, ele reconhece sua pequenez e pecado: “Ai de mim! Estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros…” (Is 6,5).
A resposta divina à humildade do profeta é imediata: um dos serafins toca seus lábios com uma brasa retirada do altar, purificando-o. Então, Isaías ouve a voz do Senhor:
“A quem enviarei? Quem irá por nós?”
E Isaías responde: “Eis-me aqui, envia-me!” (Is 6,8)
A Igreja vê nesta cena a essência da vocação autêntica: um encontro com o Deus vivo que transforma e envia. Não é o homem quem se oferece por vaidade, mas Deus quem chama e capacita, mesmo os mais indignos, desde que estejam abertos à Sua graça.
A missão de Isaías foi longa e difícil. Enviado a um povo de coração endurecido, ele teve de anunciar tanto os castigos decorrentes da infidelidade quanto as promessas da misericórdia divina. A mensagem de Isaías é profundamente cristocêntrica: ele profetiza com impressionante precisão a vinda do Messias, o Servo Sofredor, a Virgem que conceberia, e o Reino de paz universal.
Passagens como estas são centrais na tradição cristã:
Is 7,14: “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho…”
Is 9,5: “Um menino nos foi dado; sobre os seus ombros está o governo…”
Is 53: Capítulo em que escreve o Servo Sofredor, figura de Cristo na Sua Paixão.
Essas profecias são citadas nos Evangelhos, especialmente por São Mateus, e interpretadas desde os primeiros Padres da Igreja como prenúncios claros da Encarnação, Paixão e Redenção operada por Jesus Cristo.
O profeta Isaías permanece atual porque sua missão é também a missão da Igreja: anunciar a santidade de Deus, denunciar o pecado, chamar à conversão e apontar para Cristo como Salvador. Ele é modelo de resposta generosa ao chamado divino e de fidelidade inabalável diante das dificuldades.
São Jerônimo e Santo Agostinho destacam a profundidade teológica e a inspiração do livro de Isaías. A liturgia da Igreja, especialmente no Advento e na Semana Santa, proclama constantemente os textos desse profeta, pois neles encontramos não só promessas, mas o coração do Evangelho anunciado séculos antes de Cristo.
A história de Isaías nos convida à escuta da voz de Deus, à humildade para reconhecer nossos pecados e à coragem de responder com generosidade. Sua vida e missão iluminam o chamado de cada batizado a ser profeta neste mundo: anunciando a verdade, vivendo a fidelidade e preparando os corações para a vinda do Senhor.
“Eis-me aqui, envia-me!”