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teologia da libertação

Crédito: Reprodução da Internet

O Deus que se fez homem, não o homem que virou Deus

Surgida na década de 1960, mas com raízes muito mais profundas e antigas, a Teologia da Libertação representa um dos maiores males para a Igreja atualmente.

Tendo suas bases nos ideais políticos da esquerda latino-americana e sendo próxima do marxismo, a Teologia da Libertação começou a se destacar por colocar os pobres e oprimidos como centro da mensagem do Evangelho ao invés da redenção dada por Cristo.

Em um contexto de crise social e econômica na América Latina, surgiu uma nova forma de analisar a realidade com base nas escrituras e no Evangelho. O problema, porém, é que esta nova análise é baseada em pensamentos que confrontam diretamente os princípios da Igreja Católica e seus ensinamentos. Para entender as bases do movimento da Teologia da Libertação e seus males para a Igreja, é necessário entender alguns outros pensamentos que influenciaram esta forma de compreender a realidade e a fé.

No século XIV, Marsílio de Pádua criou as bases tanto para o Criticismo Histórico quanto para a Teologia da Libertação. Adepto do pensamento averroísta (vertente religiosa que tentava conciliar os pensamentos de Aristóteles com o islamismo) e autor da “Teoria da Dupla Verdade”, ele dizia que quando a verdade da revelação contradissesse a verdade científica e racional, a opção deveria ser pela segunda. Também foi Marsílio que influenciou e apoiou a cisão do Poder Eclesial e do Poder Monárquico, fazendo com que a autoridade da Igreja Católica e, automaticamente a autoridade divina fossem contestadas em uma sociedade que ainda tinha a religião como base e guia de sua moral e suas decisões. Foi nesse contexto que surgiu a clássica divisão entre fé e razão.

Com o surgimento do protestantismo, no século XVII a Europa passou por momentos de crise que levaram a guerras religiosas devidos às divergências das inúmeras denominações cristãs que surgiam. Com o intuito de acabar com as guerras, em especial a Guerra dos 30 anos, despontaram os três “pais” do Criticismo Histórico Moderno: Spinoza, Simon e Hobbes, todos os três hereges segundo as próprias religiões das quais faziam parte (judeu, católico e protestante). Esses pensadores começaram a ler e interpretar as Escrituras sem a visão divina, argumentando que haviam sido escritas por humanos, logo, sua interpretação deveria ser meramente humana e racional, assim como os pensamentos de Marsílio de Pádua, o que fez com que começasse a surgir uma relativização dos ensinamentos da Palavra. O interesse político (fim das guerras religiosas) por trás do pensamento abriu margens para a deturpação até mesmo da história do povo de Deus. O Criticismo Histórico Moderno levou à uma interpretação politizada dos acontecimentos históricos descritos na Bíblia, tais como a conquista da Terra Prometida e a divisão das terras entre as tribos de Israel. Nessa visão, as lutas e conquistas eram meramente uma vingança do povo pelo tempo de opressão, e não o cumprimento das promessas de um Deus bom e justo.

A Teologia da Libertação, condenada pelo Vaticano em inúmeros documentos, segue por uma linha de raciocínio bem próxima desses pensamentos citados, visto que surgiu em um momento em que os pobres e marginalizados cresciam exponencialmente e a injustiça era algo cotidiano. A Igreja ensina que os sofrimentos e injustiças fazerem parte da vida humana nesta terra, mas por meio da conversão, uma vida reta baseada na fé e na caridade, na frequência dos sacramentos instituídos por Cristo, qualquer pessoa pode alcançar a salvação – que já foi dada por Ele em seu sacrifício na cruz – e ter a vida eterna ao lado de Deus, ou seja, o tempo neste mundo é passageiro e a alegria e justiça plenas não se dão aqui, mas apenas no Reino dos Céus. Porém, os teólogos da libertação aderiram ao pensamento marxista da luta de classes e secularizaram os ensinamentos do Evangelho. Para eles, Jesus se tornou uma figura política que prega a busca da justiça terrena, onde os oprimidos devem buscar se vingar dos seus opressores.

A ameaça desta vertente para a Igreja se dá pelo fato de que a caridade, o perdão e o testemunho que leva à conversão de outras pessoas, são completamente anulados por ideais de uma justiça meramente humana. Os princípios básicos do Evangelho e a Verdade ensinada pelo catolicismo há milênios, são deixados de lado para dar espaço ao protagonismo do homem em detrimento da confiança nos planos divinos que vão muito além do que a realidade temporal e terrena podem oferecer. Ao invés do perdão, buscam a vingança. Ao invés da confiança, há a impulsividade. Ao invés do eterno, buscam o agora. A hierarquia e a ordem são invertidas, pois na teologia da libertação, Jesus é visto mais como um homem que virou Deus e não como O Deus que se fez homem para nos salvar. O sacrifício redentor em que Ele se entregou sem buscar a justiça mundana contra seus inimigos acaba sendo anulado e com isso, todas as bases que solidificam o cristianismo se tornam apenas um detalhe à parte.

A Igreja Católica não pede que as pessoas apenas se conformem com uma realidade de sofrimento, mas sim que saibam usar esta realidade para encontrar a Deus, e conhecer o amor que não se limita apenas a quem é bom, confiando nos Seus planos e Sua justiça, se unindo ao sofrimento de um Deus que também sofreu por cada um. Ignorar a Verdade e deturpar o Evangelho para o que se convém, é colocar Deus como um ser limitado, mas o homem como Deus ilimitado

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