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Crédito: Vatican Media
A figura do Papa nasce do próprio Cristo. O Evangelho de São Mateus (16,18-19) contém as célebres palavras de Jesus dirigidas a Simão:
“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.”
É sobre esta base que se constrói o primado petrino, doutrina claramente reafirmada pelo Concílio Vaticano I (Pastor Aeternus, 1870), que ensina que o Papa tem “plena e suprema potestade de jurisdição sobre toda a Igreja”. O Papa, portanto, não é apenas um líder administrativo, mas o Vigário de Cristo na terra, responsável por confirmar os irmãos na fé (cf. Lc 22,32).
Celebrar o Dia do Papa é, em última instância, celebrar esta missão confiada pelo próprio Cristo a Pedro e, nele, a todos os seus sucessores.
Muita gente pensa que o Dia do Papa é apenas um costume recente ou “institucional”. Nada disso. A data está intimamente ligada à figura de São Pedro e São Paulo, celebrados juntos em 29 de junho. Essa solenidade tem raízes antiquíssimas: já no século III, a Igreja de Roma comemorava nesse dia o martírio conjunto dos dois grandes Apóstolos.
Foi durante o pontificado de Pio IX (1846-1878) que se consolidou a ideia de associar o dia 29 de junho não apenas aos dois Apóstolos, mas também ao Papa, como Sucessor de Pedro. Com o tempo, as conferências episcopais passaram a intensificar a data como ocasião de oração e coleta em favor do Papa e das necessidades da Igreja Universal.
No Brasil, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) determinou que o Dia do Papa fosse celebrado no domingo mais próximo ao dia 29 de junho. Assim, todos os fiéis podem participar mais amplamente dessa solenidade e manifestar sua comunhão com o Sucessor de Pedro.
Outro aspecto inseparável do Dia do Papa é o Óbolo de São Pedro, coleta destinada a auxiliar as obras de caridade do Papa e o funcionamento da Santa Sé. Sua origem também remonta a práticas antiquíssimas. Já no século VIII, sob o rei anglo-saxão Offa de Mércia (†796), os cristãos da Inglaterra enviavam contribuições anuais ao Papa, conhecidas como “Denarius Sancti Petri”.
O Código de Direito Canônico, cân. 1271, fala sobre a obrigação dos bispos de colaborar com a Sé Apostólica para que esta possa “exercer o serviço devido à Igreja universal”. O Óbolo, entretanto, é também aberto à participação de todos os fiéis.
Em 2007, Bento XVI explicou seu significado:
“O Óbolo de São Pedro é a expressão mais típica da participação dos fiéis nas iniciativas de caridade do Sucessor de Pedro.”
No Dia do Papa, portanto, além de rezar pelo Santo Padre, os fiéis são convidados a contribuir, ainda que modestamente, para que o Papa possa exercer a missão universal que lhe foi confiada.
O Dia do Papa não é apenas uma homenagem a uma pessoa, mas a uma missão espiritual colossal. O Papa é, nas palavras de São Cipriano de Cartago (séc. III), “o princípio e fundamento da unidade da Igreja”.
O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Lumen Gentium (n. 23), ensina que o Papa é “perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade, tanto dos bispos quanto da multidão dos fiéis.” Isso significa que, mesmo em tempos conturbados, a figura do Papa é o ponto que garante a integridade doutrinal e a continuidade da fé católica.
Não é por acaso que, historicamente, nos momentos mais sombrios da Igreja — perseguições, heresias, cismas — sempre se volta o olhar para Roma. O Dia do Papa recorda essa função de Pedro: firmar na fé, guiar, proteger, corrigir e confirmar os irmãos.
É importante esclarecer: a Igreja não cultua pessoas, mas honra a missão que Cristo lhes confiou. O Papa, em si mesmo, é um homem sujeito a limites humanos. A honra que se presta ao Papa no Dia do Papa é teologicamente dirigida à função petrina que ele exerce.
Santo Tomás de Aquino ensina que “a honra tributada a uma pessoa recai também sobre a dignidade que ela representa.” (S. Th., II-II, q. 103, a. 3). Por isso, homenagear o Papa não é idolatria, mas reconhecer a importância do ministério que ele exerce para toda a Igreja.
O Dia do Papa também nos faz recordar o peso tremendo que recai sobre os ombros do Sucessor de Pedro. São João Paulo II confidenciou certa vez:
“Desde o momento em que fui eleito, senti o peso desta missão que não é humana, mas divina.”
Bento XVI, por sua vez, chamou o papado de “um jugo suave e um fardo pesado”. Francisco, atual Papa, costuma pedir em cada audiência: “Rezem por mim.” Essa insistência revela o caráter profundamente humano e espiritual da missão petrina.
O Dia do Papa é também dia de olhar para frente. O Papa, como sinal de unidade, é também guia profético que aponta rumos à Igreja. Seja na defesa da vida, na luta pela dignidade humana, na promoção da paz ou na guarda da fé católica, o Papa está sempre à frente, chamando a Igreja a permanecer fiel ao Evangelho.
Como ensinou o Papa Leão XIII, na Encíclica Satis Cognitum (1896):
“Onde está Pedro, aí está a Igreja.”
No fundo, celebrar o Dia do Papa é celebrar a fidelidade de Cristo à Sua promessa: “Estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo.” (Mt 28,20).
Se você quer viver bem o Dia do Papa, eis algumas sugestões concretas:
Ao final, o Dia do Papa é muito mais do que uma data protocolar. É um dia para reafirmar que Cristo não abandonou Sua Igreja, mas deixou um Pastor visível para guardá-la. É dia de agradecer a Deus pelo dom do Sucessor de Pedro, firme rochedo contra as tempestades que assolam o mundo.
Se há algo que o Dia do Papa nos recorda com força é isto:
A barca de Pedro pode balançar, mas jamais afundará.