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Crédito: Reprodução da Internet (Via: https://comshalom.org/7-curiosidades-sobre-os-santos-anjos-da-guarda/)
A piedade católica, ao longo dos séculos, foi organizando os dias da semana com devoções específicas para ajudar os fiéis a viverem sua fé em comunhão com os mistérios divinos e as realidades espirituais. Dentro dessa tradição, a terça-feira é dedicada aos Santos Anjos, especialmente ao Santo Anjo da Guarda, como forma de cultivar uma relação mais profunda com esses seres celestes que Deus colocou ao nosso lado.
Os anjos são criaturas puramente espirituais, dotadas de inteligência e vontade, que não possuem corpo físico. Foram criados por Deus antes da criação do homem e fazem parte da ordem da criação invisível. O Catecismo da Igreja Católica ensina que:
“Como criaturas puramente espirituais, têm inteligência e vontade: são criaturas pessoais e imortais, superiores a todas as criaturas visíveis” (CIC 330).
Sua missão principal é servir a Deus e participar ativamente do plano divino de salvação, protegendo, iluminando e guiando os seres humanos, conforme a vontade de Deus.
Cada pessoa tem um Anjo da Guarda, designado por Deus desde o nascimento (alguns teólogos defendem até desde a concepção), cuja missão é acompanhar e proteger a alma confiada a ele. Isso não é apenas devoção popular: é um ensinamento sólido da tradição cristã, confirmado por grandes santos e pelo Magistério.
Jesus mesmo nos dá uma pista dessa realidade ao dizer:
“Vede, não desprezeis nenhum destes pequeninos; porque Eu vos digo que os seus anjos nos céus veem continuamente a face de meu Pai que está nos céus” (Mt 18,10).
O Papa São João Paulo II, em uma catequese sobre os anjos (1986), afirmou que a Igreja reconhece com gratidão esse auxílio invisível e constante que os anjos oferecem aos homens em sua caminhada rumo ao céu.
Embora a Igreja não tenha definido oficialmente no calendário litúrgico uma devoção obrigatória para os dias da semana (exceto para o domingo, dia do Senhor), a espiritualidade cristã tradicional dedicou os dias a temas específicos. No caso das terças-feiras, foi se firmando ao longo dos séculos a devoção aos Santos Anjos, como forma de cultivar essa amizade e colaboração com o mundo espiritual.
Muitas ordens religiosas, confrarias e fiéis cultivam práticas devocionais nesse dia, como rezar o Terço dos Anjos ou o Rosário de São Miguel Arcanjo, fazer orações ao Anjo da Guarda, recitar as Ladainhas dos Anjos, meditar sobre os nove coros angélicos, conforme a tradição patrística (anjos, arcanjos, querubins, serafins, tronos, dominações, potestades, virtudes e principados) e ler trechos das Escrituras que falam da atuação dos anjos.
Essa prática semanal tem o objetivo de lembrar o fiel da presença constante e ativa dos anjos em sua vida, além de estimular a gratidão, a confiança e o pedido frequente de auxílio e proteção.
Os anjos estão presentes em toda a Sagrada Escritura. No Antigo Testamento, aparecem protegendo Ló, conduzindo Israel no deserto, lutando com Jacó, fechando a boca dos leões para proteger Daniel, dentre outras passagens que ilustram a atuação dos Santos Anjos.
No Novo Testamento, são anunciadores e protetores: o Arcanjo Gabriel anuncia a Encarnação; um anjo avisa a José em sonhos; um exército celestial canta o nascimento de Cristo; um anjo conforta Jesus no Horto das Oliveiras; e são eles que anunciam a Ressurreição. São, portanto, parte essencial do plano salvífico de Deus.
Algumas das formas de se estar mais próximo dos anjos são invocar o seu Anjo da Guarda logo ao acordar e pedir que o guie durante o dia, oferecer o dia em união com os Santos Anjos, pedindo proteção contra tentações e perigos espirituais, praticar a escuta interior, pois os anjos podem inspirar bons pensamentos e advertir contra o mal, evitar ambientes, conversas e atitudes que “afastariam” o anjo, cultivando a pureza do coração e da mente, cultivar a amizade espiritual com os Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, pedindo suas intercessões conforme suas missões específicas.
Dedicar as terças-feiras aos Santos Anjos é mais do que uma tradição devocional: é um modo concreto de reconhecer a presença e a ação dessas criaturas espirituais que, por ordem de Deus, nos acompanham em cada passo de nossa vida. É também um lembrete de que não estamos sozinhos na luta espiritual.
Como ensina São João Bosco:
“Tenham uma terna devoção ao seu Anjo da Guarda. Orem a ele com frequência e conservem-se dignos da sua presença.”
Na correria do dia a dia, lembrar-se dos Santos Anjos — especialmente às terças-feiras — é como abrir uma janela para o céu, percebendo que somos protegidos, guiados e amados por aqueles que contemplam face a face o Deus Altíssimo.