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Crédito: Reprodução da Internet
O Santo Terço é uma das mais preciosas práticas de oração da Igreja Católica Apostólica Romana. Muito mais que uma recitação repetitiva, é um profundo exercício de meditação dos mistérios da vida de Jesus Cristo e da Virgem Maria, conduzido de maneira simples, mas extremamente rica espiritualmente. Na Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae (2002), São João Paulo II recordou que o Terço é uma verdadeira “escola de oração” e um meio eficaz de contemplar o Rosto de Cristo junto com Maria.
A tradição nos ensina que o Terço, tal como o conhecemos, foi fortalecido no século XIII, com São Domingos de Gusmão, após uma inspiração recebida da própria Mãe de Deus. Ao longo dos séculos, o Rosário foi sendo reafirmado por inúmeros santos, papas e documentos da Igreja como uma oração poderosíssima para a vida espiritual e a batalha espiritual.
Antes de iniciar a oração, é recomendável ter em mãos um Terço físico, composto por uma cruz e 59 contas, um espaço tranquilo que favoreça o recolhimento, e, se possível, utilizar um Terço previamente abençoado por um sacerdote, o que confere indulgências conforme as normas da Igreja.
A preparação para o Terço é fundamental. Deve-se fazer o Sinal da Cruz com reverência, reconhecendo a presença de Deus Uno e Trino. Também é aconselhável oferecer a oração por uma intenção específica — seja pessoal, comunitária, pelas almas do purgatório, pela Igreja ou pelas intenções do Papa —, colocando-se com humildade e fé diante do Senhor.
Os gestos que acompanham a oração também possuem grande significado: o Sinal da Cruz invoca a proteção da Santíssima Trindade e recorda o mistério da redenção; o ato de segurar o Terço expressa a decisão consciente de entrar em oração com Maria; o beijo no Crucifixo é uma profissão silenciosa de fé e de amor a Jesus Crucificado.
A oração do Santo Terço é realizada seguindo estas etapas:
Com a mão direita, traça-se o sinal: testa, peito, ombro esquerdo e direito, dizendo: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.”
Recita-se o oferecimento do Terço, como: “Divino Jesus, eu vos ofereço este Terço que vou rezar, meditando nos mistérios da nossa Redenção…” (ou outra fórmula tradicional).
Segurando o crucifixo do Terço, professa-se a fé recitando o “Creio em Deus Pai todo-poderoso…”, reafirmando nossa adesão integral à fé apostólica.
Na primeira conta grande, reza-se o Pai-Nosso, a oração que o próprio Jesus ensinou.
Em seguida, nas três contas pequenas, reza-se uma Ave-Maria para pedir o aumento da fé, outra pela esperança e a terceira pela caridade.
Após as três Ave-Marias, reza-se o Glória, louvor à Santíssima Trindade.
Antes da primeira dezena, anuncia-se o mistério correspondente (por exemplo: “Primeiro Mistério Gozoso: A Anunciação do Anjo a Maria”) e faz-se breve meditação sobre ele.
Reza-se um Pai-Nosso na conta grande.
Em cada uma das dez contas pequenas, reza-se uma Ave-Maria, meditando o mistério anunciado.
No final da dezena, reza-se novamente o Glória ao Pai.
Pode-se acrescentar a oração ensinada por Nossa Senhora em Fátima: “Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu, principalmente as que mais precisarem da Vossa misericórdia.”
Anuncia-se o próximo mistério e repetem-se os passos: Pai-Nosso, dez Ave-Marias, Glória, e a jaculatória opcional, até completar cinco mistérios.
Após concluir os cinco mistérios, recita-se a oração “Salve Rainha”, podendo-se acrescentar também as Ladainhas Lauretanas (opcional, mas recomendado em ocasiões mais solenes). Reza-se um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória pelas intenções do Papa para ganhar as indulgências ligadas à prática do Terço. Finalmente, encerra-se com o Sinal da Cruz.
A meditação dos mistérios é essencial e deve acompanhar todo o desenrolar do Terço. Não se trata apenas de uma recitação, mas de uma contemplação interior, onde cada mistério se torna uma janela aberta para a vida de Cristo e de Maria.
Segundo a tradição da Igreja, cada dia da semana é dedicado a conjuntos específicos de mistérios, para que ao longo da semana contemplemos a totalidade do plano salvífico:
No Tempo Pascal, recomenda-se que, aos domingos, contemplem-se sempre os Mistérios Gloriosos, para acompanhar o espírito da Ressurreição.
A oração do Terço é, conforme atestam os papas, fonte de abundantes graças: favorece o crescimento da união com Cristo, fortalece contra tentações, é uma poderosa súplica de paz, de conversão, de salvação para as almas do purgatório, e é também um meio privilegiado para obter indulgências.
São Pio V atribuiu à oração do Rosário a vitória da Batalha de Lepanto, em 1571, instituindo por isso a festa de Nossa Senhora do Rosário. Diversos santos, como São Luís Maria Grignion de Montfort, São João Maria Vianney e Santo Padre Pio, propagaram o Rosário como caminho seguro de santidade e vitória espiritual.
Concluindo, rezar o Santo Terço é mais que uma prática devocional: é uma poderosa escola de fé, esperança e caridade, um modo simples e profundo de se configurar a Cristo pelas mãos da Virgem Maria. A oração constante do Terço marca ritmicamente a nossa vida, harmonizando-a com os mistérios da redenção e levando-nos, dia após dia, para mais perto do coração de Deus.